O setor de seguros avançou para vendas e captação de recursos de R$ 303 bilhões em 12 meses móveis até outubro de 2021, 12,6% sobre os R$ 273 bilhões do mesmo período de 2020, sem saúde e sem DPVAT. Nos dez primeiros meses do ano, o crescimento foi de 13,5%, para R$ 249,7 bilhões.
A arrecadação acumulada em dez meses atingiu R$ 249,7 bilhões, alta de 13,5% sobre o mesmo período de 2020. Todos os ramos aumentaram a sua arrecadação nesse período de comparação, mostrando um dinamismo equilibrado entre os Segmentos de Danos e Responsabilidade e de Pessoas. Em Danos, acumula-se alta de 13,8% e, em Pessoas, a evolução dos prêmios é de 14,4%. Os títulos de Capitalização registraram alta de 5,9% no acumulado do ano até outubro. “É um crescimento maior do que o próprio PIB, com alta de 3,9%. Já verificamos uma recuperação forte da saúde suplementar e de outros ramos”, destaca Marcio Coriolano, presidente da CNseg, em coletiva de imprensa nesta tarde.
Os dados ainda vão ser revistos para acrescentar dados de novembro a dezembro. No cenário pessimista, a CNseg prevê crescimento 9,4% neste ano e no otimista de 14,1%, sem os dados de saúde e dpvat. “Bem provável o crescimento do setor como um todo encerre o ano em dois dígitos em 2021”, comentou.
Segundo ele, a Susep deixa um legado muito importante e que atende interesses do consumidor, bem como reduziu custos operacionais de todo o sistema. “Verificamos que neste mais de um ano, a gestão de Solange Vieira, trouxe ganhos para todos. Somos a favor do Open Insurance, mas temos apenas algumas questões que precisam ser endereçadas para ajustes”, disse. Segundo Coriolano, com a entrada de Alexandre Camillo, que toma posse no dia 16, quinta-feira, no comando da Susep, a única questão do setor é “reabrir questões que precisamos discutir mais sobre open insurance, para que fiquem mais claras”, disse. “O ineditismo da iniciativa é um complicador a mais. Sequer estamos tendo tempo de aprender com os erros e acertos do open banking”, acrescentou.

Agronegócios impulsionou o crescimento de seguro rural em 45%
Antônio Trindade, presidente da FenSeg, que congrega apólices do segmento de danos, afirma que 2021 foi um ano de grande aprendizado. “Passamos por transformações intensas, como ambiente regulatório, novos produtos e serviços e desenvolvimento de novas tecnologias. “Dois anos de homeoffice, muitas coisas passaram a ser via aplicativos e web, servindo nossos clientes com qualidade”, comenta.
Mesmo com a crise sanitária o seguro, o setor deu mostra de resiliência. O seguro de danos cresceu 15% até outubro deste ano. O seguro rural avançou 45%. “O setor agrícola é uma parte importante da nossa economia e evidentemente com as projeções de safra para 2022 vai crescer ainda mais”, citou.
O seguro residencial ganhou importância, com alta de 16%. O seguro de riscos de engenharia avançou 25%. O seguro auto vive um momento de recuperação e cresce 7%. Seguros de responsabilidade, com novos riscos como o cibernético, cresceu 165%, e ainda é pequeno em termos de faturamento e com grande potencial para os próximos anos.
Trindade citou várias normas publicadas em 2020, que trouxeram inovação para diversos seguros, que devem estar no ar em 2022. “A possibilidade de ter arcabouço legal mais próximo da realidade do setor é musica para nossos ouvidos”, citou ele, referindo-se ao seguro garantia, que tem uma audiência pública no ar para melhorar o que a Lei de Licitações traz neste em relação a este assunto, com aprimoramentos que devem entrar em vigor também em 2022.
Antonio Trindade, destaca os conceitos ASG no setor de danos. Ele lembra que as conversas nos países do hemisfério norte também estão bem adiantadas, em razão dos impactos maiores das mudanças climáticas. “Muitas seguradoras com atuação internacional já não fazem seguros para empresas com ramo de atividade poluente. Esse é um movimento que veio para ficar. O mercado de crédito de carbono deve dar um impulso a esse tipo de atividade, trazendo consequências positivas na preservação do meio ambiente”, prevê Trindade.
Saúde enfrenta custos de R$ 26 bi não previstos e precificados
João Alceu, presidente da FenaSaúde, citou os 19 meses de pandemia. “Tivemos meio milhão de internações por Covid e 6 milhões de exames. “O custo apenas destes dois procedimentos citados foi de R$ 26 bilhões. Ressalto que este custo não estava previsto e também não foi precificado. Portanto, é um impacto na veia das operadoras de planos de saúde”, citou ele durante coletiva de imprensa realizada pela CNseg.
Apesar da tragédia de mais de 600 mil mortes, com famílias destruídas, o setor entregou o serviço e estão solventes, destacou o presidente da FenaSaúde. “Acredito que os números do quarto trimestre trarão resultados melhores, depois de trimestres seguidos de resultados ruins”, acredita.
Em termos de beneficiários, o setor de saúde suplementar cresce consistentemente, com 1,9 milhão de vidas novas desde junho de 2020. A telemedicina, citou, é a grande vitoriosa. “As empresas já vinham praticando isso, mas o sistema recebeu uma grande dose de tecnologia e aprimoramento.”
Em 2022, João Alceu prevê melhores resultados. “Estamos otimistas que conquistaremos mais beneficiários, voltando ao patamar de 2014, quando atingimos 50 milhões. A sequela da Covid desafiará o sistema a montar um atendimento especializado para pacientes crônicos. E as discussões para uma revisão no arcabouço regulatório do segmento de saúde também é um desafio na pauta da saúde. Quanto a volume de faturamento, o executivo está otimisma, mas afirma que isso dependerá da retomada do emprego e da renda da população.
Seguro de vida já indenizou 148 mil famílias, num total de R$ 5,4 bilhões
Jorge Nasser, presidente da Fenaprevi, citou durante coletiva de imprensa realizada pela CNseg, dados relevantes do segmento de vida. As seguradoras já desembolsaram R$ 5,4 bilhões em sinistros decorrentes de covid-19 entre abril de 2020 a outubro de 2021. Apenas neste ano, em nove meses, as companhias pagaram R$ 4,3 bilhões em indenizações às famílias de vítimas da pandemia. Isso significa quase 148 mil indenizações pagas.
Isso, sem contar as devoluções de reservas por morte dos participantes dos planos de previdência privada aberta ou os valores de resgates dos planos previdenciários. “Por tanto, nós podemos dizer que estamos enfrentando, aprendendo e crescendo na adversidade”.
“Com certeza, a história vai trazer inúmeros fatos e acontecimentos desse período dramático que testemunhamos durante esse enfrentamento da pandemia da Convid-19, de como foi urgente salvaguardarmos a saúde de nossos familiares, amigos e profissionais, e de como aceleramos, de forma exponencial, nossos processos e serviços por meios digitais, e como aprendemos fazendo”, afirmou.
Segundo ele, é motivo de grande orgulho dizer do mercado geral, seguradoras e demais profissionais, atenderam a tempo e a hora o chamamento da sociedade. “É notória a velocidade com que estruturamos as nossas operações para responder uma demanda muito maior de atendimento e pagamento de benefícios”.
Capitalização cresce com grade maior de produtos
Marcelo Farinha, presidente da FenaCap, ressaltou o quanto a capitalização beneficia a sociedade e até em lugares em que o Estado não se faz presente. “As famílias que foram fazendo a sua reserva de poupança tiveram de volta R$ 17 bilhões para utilizarem em um momento de dificuldade, poupança que foi arrecadada ao longo do tempo e que vai voltando para a sociedade”.
Nos nove primeiros meses deste ano, o mercado de capitalização cresceu 5,65% em relação ao mesmo período de 2020, somando R$ 18 bilhões. “Fecharemos o ano com R$ 33 bilhões em reservas e com um faturamento de cerca de R$ 25 bilhões. A nossa indústria, de maneira geral, é uma segunda camada de proteção à sociedade, a primeira é o Estado, mas há lugares em que ele não chega e ali estamos nós para cumprir esse papel”.



















