Setor financeiro na favela: estudo releva aderência do Pix e dos bancos digitais nas favelas do G10

Estudo revela que os métodos de pagamento digitais estão fazendo sucesso nas favelas. 34% dos entrevistados recebem via PIX e 30% têm conta digital

Um levantamento inédito feito pelo Outdoor Social Inteligência®, instituto de pesquisa voltado para a classe C, traz dados sobre o setor financeiro nas comunidades do G10, bloco das favelas com maior expressão econômica do país.

Entre os destaques, a pesquisa mostra que guardar dinheiro em cédulas é uma prática do passado, inclusive nas comunidades. Apesar da tradição do dinheiro vivo, apenas 13% dos entrevistados alegaram que não possuem conta no banco. Dentre os mais de 80% que utilizam os bancos, 30% têm conta digital, 30% utilizam uma poupança para guardar dinheiro e 34% movimentam sua renda em conta corrente. 

“O fato de 30% utilizar o banco digital mostra o quanto essa população está antenada em novas formas de poupar e até mesmo investir o seu dinheiro. Esse estudo faz parte do levantamento Persona Favela, que iniciamos este ano e mostra o quanto os moradores desses territórios estão acompanhando algumas tendências de consumo de outras classes sociais”, conta Emília Rabello, fundadora do instituto de pesquisa que ressalta: “fomos até pegos de surpresa ao ver que algumas fintechs recém-lançadas foram citadas pelos entrevistados”.

A ascensão dos bancos digitais também se dá pelas mudanças de hábitos. A pesquisa revela que 72,5% dos entrevistados acessam o banco pelo aplicativo e apenas 39,7% preferem ir presencialmente à agência. 

Entre as vantagens do cartão de crédito, além do uso do dia a dia para alimentação, roupas e em demais compras, os entrevistados ressaltam a possibilidade de parcelamento para itens de maior valor ou o fácil acesso em caso de emergências.

Crescimento do PIX

O estudo também perguntou aos entrevistados em qual formato eles recebem seus salários. Nesse caso, mais da metade, cerca de 55% afirmaram que recebem seu pagamento em cédulas, 48,6% recebem no banco em forma de crédito, transferência ou conta salário, e 34,1% recebem pelo método de pagamento PIX. A maquininha de débito e crédito é citada por 14%.

“O dinheiro em espécie sempre foi o mais utilizado pela garantia e agilidade, porém, isso está ficando para trás. Atualmente, nem todas as pessoas têm o costume de sacar dinheiro e. com isso, os pequenos e até microempreendedores passaram a trabalhar com o PIX, que é prático e automático”, avalia Emília.

A pesquisa ouviu 435 pessoas das 5 regiões do Brasil. 60% homens e 40% mulheres. Dentre os entrevistados, 25,6% possuem entre 18 e 24 anos; 27,5% têm entre 25 e 34 anos; 23,7% estão na faixa dos 35 a 44 anos; 13% têm entre 45 e 54 anos, e 10% possuem mais de 55 anos.

Entre as ocupações, 19% afirmam que trabalham de forma autônoma, 18% atuam no setor de serviços, 14% são microempreendedores, 12% atum no comércio, 14% estão desempregados. Parcelas menores compõe o grupo de aposentados (4,8%), funcionários públicos (4,2%) e outros.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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