Presidente do Sincor-SP fala sobre os desafios superados pelos corretores de seguros e os que ainda estão por vir com Open Finance

“O consumidor há décadas dá demonstração de acreditar no profissional e tê-lo como sua preferência pra adquirir produtos", diz Alexandre Camillo

A gestão de Alexandre Camillo à frente do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo, mais conhecido como Sincor-SP, está chegando ao fim. O corretor, proprietário da Camillo Seguros, deixa o posto ocupado nos últimos 8 anos em dezembro próximo. Ele passa o bastão ao seu sucessor de cabeça erguida ao ter enfrentado “vários leões todos os dias” e conseguido implementar ações concretas que beneficiam a categoria profissional. Deixa um legado muito importante para um segmento com desafios e oportunidades relevantes para os próximos anos, principalmente com a entrada do Open Finance, que consolida o Open Banking e Open Insurance, previsto para final de 2022, quando será possível compartilhar dados como operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência.  

Um desses leões foi o fim do imposto sindical. Restou a contribuição associativa. O corretor só contribui se quiser. “Entendi que para o Sincor se manter vivo tinha de ser útil. Agregar para o dia a dia do corretor de seguro. Não mais se caracterizar com princípios ideológicos, que seguem fortes, mas não são suficientes para manter o corretor conectados conosco”, disse Camillo em conversa com o blog Sonho Seguro.  

Segundo o presidente do SIncor-SP, o fim da obrigatoriedade trouxe duas perdas: a receita e o distanciamento. “A segunda foi pior”, enfatizou. Diante disso, a estratégia foi transformar o sindicato em instrumento de provedor de serviços ao corretor. “Fizemos de tudo para o corretor inserir o Sincor no imaginário de oportunidades e desafios. A cereja do bolo foi o Sincor Digital, que traz uma série de serviços na palma da mão do corretor, como conhecer normas regras, notificações de notícias, benefícios, promoções e um instrumento de apoio ao comercial, com multi-cotadores”, numera Camillo. 

Desafios da gestão

“O principal desafio foi gerar uma consciência coletiva de que estamos todos no mesmo barco e, se remarmos juntos e organizadamente, vamos mais longe. Ser eleito não te transforma em líder. Nem tão pouco te gera credibilidade. Pelo contrário, gera incerteza. Muitos questionam: será que o cara é bom?”, disse. Diante do líder sindical que se tornou, como mostra a representatividade que teve para resolver alguns dos desafios, é possível afirmar que Camillo retribuiu a confiança do voto. “Acredito ter feito isso de maneira solida ao longo da minha gestão”, comenta. 

O segundo desafio foi manter a categoria unida num momento de grande incerteza para a categoria diante do avanço das vendas diretas em marketplaces financeiros. A estratégia do Sincor-SP foi ressaltar em todas as frentes a importância do corretor como consultor, disponibilizar treinamentos e cursos de especialização em diversos nichos do setor, além de conseguir apoio de todas as seguradoras para a qualificação e reconhecimento do profissional de vendas. 

O terceiro maior desafio, segundo Camillo, foi pacificar o mercado. “Construir um ambiente saudável entre os corretores e instituições do setor foi a base de sustentação para enfrentarmos todas as mudanças destes últimos 8 anos. Muitas delas afetam os corretores e isso causa uma grande insegurança e temor. Estarmos unidos tem ajudado muito a encontrarmos soluções boas para todos”, diz. 

Corretor do presiente e do futuro

Camillo finaliza a entrevista ao blog Sonho Seguro afirmando que o maior desafio do corretor de seguros é ele acreditar em si mesmo. “O consumidor há décadas dá demonstração de acreditar no profissional e tê-lo como sua preferência pra adquirir produtos. Tanto que o bancassurance veio na década de 80 e o corretor ficou ainda mais fortalecido com o apoio dos bancos. Agora, nesta onda de seguradoras digitais, as insurtechs já sinalizam interesse em ter o corretor como parceiro na oferta de produtos e serviços. Isso mostra que há espaço no Open Finance para a convivência um os players que se complementam para ofertar o seguro digital, ágil e simples e, com a consultoria do corretor, mais assertivo para o cliente que tem muitas ofertas e busca um especialista para orientá-lo”.

Veja a íntegra da entrevista no vídeo abaixo:

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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