Victoria Werneck: podemos olhar para 2021 com certo otimismo, porém considerando muitos desafios

Economista-chefe da Icatu Seguros comenta em live a reforma tributária que foi enviada ao Congresso

A live da Icatu Seguros desta quinta-feira, 23, contou com a participação da economista-chefe da seguradora, Victoria Werneck, trazendo sua análise mensal do cenário econômico e um panorama futuro. Apesar da realidade de incertezas e uma lenta recuperação econômica, levando em conta que o mundo ainda está lidando com a pandemia, a sensação é de que podemos olhar para 2021 com certo otimismo, porém considerando muitos desafios. 

No contexto internacional, a previsão de crescimento do PIB para 2020 melhorou em alguns países. Nos Estados Unidos, enquanto no último mês a projeção indicava queda de 8%, agora o número é de -5,3%. Já para a China, há um crescimento projetado de 1,4%. Para o ano que vem, o FMI apresentou perspectivas mais positivas para todos os mercados, com um aumento de 5,4% no PIB global e de 5,9% nas economias emergentes. Victoria afirma que, embora seja difícil falar de crescimento para 2020, para o próximo ano o cenário já se mostra mais animador.  

Dúvidas relacionadas aos desdobramentos da reabertura econômica e possíveis novos períodos de lockdownainda permanecem, mas no Brasil alguns indicadores também apresentaram melhora. Em maio já foi possível notar a retomada da produção industrial, mesmo que em partes. Nos cinco primeiros meses de 2020, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC –BR) caiu 5,75% em relação ao mesmo período de 2019. Em abril, a atividade econômica despencou 15% em relação a fevereiro, quando ainda não havia pandemia no país. Em maio ela subiu 1,3% em relação a abril, um sinal que a recuperação está acontecendo, mesmo que lentamente. 

Outro indicador importante que apresentou crescimento foi o Índice de Confiança do Empresário Industrial. Enquanto nos meses de abril e maio ele estava perto dos 35 pontos, em junho passou para 41 pontos. Já as vendas do comércio varejista apresentaram um aumento de 13% em maio. “O mês de abril foi, até o momento, o de pior desempenho em todos os setores. Olhando para trás podemos ter a sensação de que o pior já passou, embora ainda tenha muito trabalho a ser feito”, avalia Victoria. 

Muito afetado pela crise, o setor de serviços não sinalizou crescimento, porém já deixou a tendência negativa que apresentava até maio. Para a economista, um dos maiores desafios do Brasil atualmente, e também para o próximo ano, é o aumento da taxa de desemprego, que atingiu 12,9% em maio. “O auxílio emergencial foi importante para manter a renda dos trabalhadores nesses últimos meses, mas a tendência é que a taxa de desemprego ainda cresça. Mais pessoas precisarão do auxílio e por mais tempo. Será preciso considerar um novo programa de ajuda, que também representa um aumento do déficit primário. Esse é um dos maiores desafios que o país terá pela frente”, afirma.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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