O blog Sonho Seguro fez um levantamento sobre como as seguradoras têm lidado com as consequências da crise do novo coronavírus. A sexta entrevista desta série foi com Marcelo Wais, diretor da Gente Seguradora.
Quais as ações de voluntariado da seguradora em tempos de isolamento?
Tivemos várias iniciativas, sendo a mais importante disponibilizar todos os equipamentos do Gente Saúde por empréstimo, sem custo, para as demandas que o governo federal julgue necessárias, como respiradores e ambulâncias e infraestrutura disponível ao atendimento das pessoas contaminadas com o coronavírus (Covid-19). A crise foi bem administrada no Estado nos primeiros meses da pandemia, mas agora tem registrado números mais preocupantes. Estamos torcendo para que a doença fique sob o controle no Estado e que esta fase seja superada para que a economia regional possa se recuperar mais brevemente.
Qual a experiência de áreas tradicionalmente fixas no escritório, agora em homeoffice?
A companhia está trabalhando em regime de home office e plantões presenciais, inclusive assistência 24 horas. O governo federal do RS criou bandeiras para as diversas fases, da mais crítica até a volta à normalidade. Neste momento, em meados de julho, estamos com a bandeira vermelha, que permite que apenas 50% dos trabalhadores compareçam ao escritório da seguradora. Quando fechou tudo, em março, em 48 horas, numa operação quase de guerra, conseguimos viabilizar para que todos os funcionários trabalhassem em homeoffice, sem qualquer prejuízo para as operações e para as vendas da companhia. É um case de sucesso, pois antes da pandemia boa parte das pessoas já trabalhava em homeoffice. No entanto, a pandemia acelerou uma série de processos digitais. A volta será cuidadosa. Não acredito muito no revezamento de funcionários em homeoffice e presencial. Aposto mais na potencialidade de cada um. Pessoas que morem longe e com trabalho individualizado podem render mais em homeoffice. Ainda vamos fazer uma gestão mais apurada, com análise minuciosa para que a equipe possa performar da melhor forma possível.
Como as empresas estão mantendo a proximidade das equipes e se comunicando em tempos de isolamento?
Desde o primeiro dia de isolamento social criamos um grupo de gestão de crise e de risco e implantamos reuniões diárias com todos os funcionários para que possamos tomar as melhores decisões. Há um engajamento de 100% dos gestores da equipe na rotina da reunião diária. Temos o mesmo desempenho de antes, ou até melhor. Nosso nível de comercialização seguiu numa curva crescente, o que foi muito satisfatório neste período de crise. Mas acredito que se essa crise perdurar por muito tempo pode criar problemas e teremos de alinhar novas diretrizes.
Como minimizar o impacto nas vendas neste momento: campanhas, treinamentos on-line, incentivo de vendas, visitas virtuais?
A equipe comercial sempre foi muito próxima aos corretores presencialmente e agora virtualmente. Como trabalhamos com nichos específicos, que não foram afetados, como órgãos públicos e empresas de médio e grande portes não sentimos impactos nas vendas. Criamos nossa série de lives com corretores, com participação de cerca de 2 mil pessoa em cada evento. Falamos de assuntos diversos, pelo nosso canal no Instagram. No dia 10 de julho, por exemplo, realizamos a 15ª edição da Live da Gente sobre o seguro de automóveis e a perspectiva dessa modalidade para o futuro. Paulo Furst, da Belfaactus Corretora de Seguros, e Luiz Durek, da Volvo Corretora de Seguros, debateram o tema com um público estimado em 2 mil pessoas.
Com o distanciamento, eventos presenciais estão proibidos. Poderão ser online?
Toda a equipe comercial deixou de fazer visitas, substituídas por reuniões digitais. Os eventos presenciais foram cancelados e há na agenda previsto um workshop com corretores para novembro, que pode vir a ser cancelado, dependendo do controle da pandemia. Como não somos varejistas, nosso relacionamento é muito próximo com nossos corretores, com contatos praticamente diários, sem a realização de uma grande quantidade de eventos como é habitual em seguradoras que atuam no varejo.
Que tipo de ações acreditam que o governo poderia endereçar para ajudar o setor segurador?
O governo tem razoavelmente atendido às necessidades do que é possível. O mercado de seguros depende do Brasil conseguir dar a volta por cima de tudo isso. O setor se alimenta da Indústria, do Comércio. Não podemos falar em crescimento do setor ainda e sim em manutenção do mercado. A ajuda emergencial concedida pelo governo aos mais necessitados, que chegou a 40% da população acima de 18 anos, foi vital para manter a estabilidade social. No entanto, temos muitos desafios pela frente. Já tem economistas prevendo que m pouco tempo 50% da população ativa estará desempregada. Isso nos preocupa muito por diversos motivos. Para o setor de seguros, isso significa que os índices de violência tendem a aumentar, com fraude, roubos e mortes.
Diante das dificuldades sociais de uma grande parcela da população, há alguma ação junto a clientes para mitigar riscos de desordem social?
Estamos atentos a esta situação e possivelmente tenhamos de desenvolver programas de mitigação de riscos em relação a isso. Por ora, não temos nada, além de torcer para que a economia volte a crescer e gerar empregos.
A crise abre oportunidades. Há interesse em aquisições que possam surgir no pós covid?
A Gente Seguradora tem uma situação econômico financeira confortável. Não está no nosso radar fazer aquisições neste ano, mas estamos sempre atentos. Surgindo boas oportunidades, certamente iremos analisar.


















