A aquisição por R$ 3,2 bilhões (aproximadamente 500 milhões de euros) leva a Allianz a uma participação de mercado de cerca de 15% no seguro de Automóvel e a 9% em Ramos Elementares no Brasil, que representa 70% da região
Javier Bernat, CEO da Allianz para a região da América Latina, conversou com o Blog Sonho Seguro sobre a conclusão da aquisição das operações de Automóvel e Ramos Elementares da SulAmérica, dando sequência ao anúncio do acordo, ocorrido em agosto do ano passado. A transação amplia o número de profissionais parceiro, o leque de produtos e serviços e aumenta a presença geográfica da Allianz no Brasil, beneficiando o consumidor. O valor do negócio é de R$ 3,2 bilhões. Leia abaixo os principais trechos da entrevista:
Como a aquisição das operações da SulAmérica no Brasil se encaixa na estratégia geral do grupo Allianz?
Atuamos em mais de 70 países e afirmo que o Brasil é um importante país para nós. Tanto que fizemos um grande investimento. Certamente um dos maiores na América Latina, que passa a representar 8% dos prêmios emitidos pelo grupo mundialmente. A América Latina é uma região estratégica para nós, principalmente quando olhamos o futuro. Estamos entre os líderes no mundo, em países onde a penetração de seguros já é considerada equilibrada em relação ao PIB. Já a América Latina tem muito ainda a ser conquistada pelo seguro e apostamos num crescimento futuro. Esta aquisição é uma aposta de longo prazo, um movimento estratégico tanto em crescimento de vendas como em resultados. Estamos presentes no Brasil, no México, na Colômbia e na Argentina. A maior operação. Com a aquisição das linhas de ramos elementares da SulAmérica, o Brasil passa a representar 70% dos prêmios da região. Com isso, o grupo Allianz passa a estar colocado entre os 5 maiores do ranking de seguros da América Latina.
Por que comprar operações de seguro de automóvel é interessante para o grupo Allianz se esse é um mercado que só reduz, em âmbito mundial?
O mercado de automóveis é a linha de negócio mais importante em todos os países da América Latina. A curto e médio prazos vemos potencial de crescimento neste segmento. A Allianz, por exemplo, não operava em automóvel com mais de 10 anos e a SulAmérica tem uma carteira importante no segmento até 15 anos com bons resultados diante da expertise que desenvolveu. O mercado de auto no Brasil é o mais relevante e ajuda a desenvolver outros negócios. Vemos oportunidades em aproveitar a base de clientes para ofertar outros produtos, como vida, empresarial, viagem. Mesmo os clientes que optaram por não ter carros continuam buscando solução de seguros e estaremos lá ofertando as soluções futuras que vão precisar. Vamos evoluir, inovar e fazer a diferença para nossos clientes e corretores.
Há interesse do grupo em mais aquisições no Brasil?
A nossa prioridade é fazer a integração da SulAmerica. Temos um desafio grande. Temos uma plano muito detalhado de integração para aproveitar a expertise da SulAmérica, corretores, o talento das equipes. Não compramos uma carteira e sim uma companhia com uma trajetória de 125 anos de sucesso no Brasil. Queremos juntar a experiência internacional da Allianz que pode complementar e ajudar na oferta adequada de produtos e serviços aos brasileiros.
Há outras aquisições do Grupo AZ em curso no mundo?
Estamos sempre de olho e enxergando as oportunidades que podem aparecer. Não há nenhuma que pode ser comentada neste momento, mas o grupo tem estado muito ativo. Em janeiro, no Reino Unido, a Allianz passou a ocupar a 2ª colocação no mercado local com a conclusão da compra das companhias LV General Insurance Group (LV GIG) da Liverpool Victoria Friendly Society (LVFS), por 1,078 bilhão de libras, e 100% da divisão de Seguros Gerais da Legal & General (L&G GI) por 242 milhões de libras. Também na Espanha investimos numa parceria com o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), na qual a seguradora passa a deter 50% mais uma ação na joint venture por 277 milhões de euros, além de pagar uma quantia variável de até 100 milhões de euros relacionada à consecução de objetivos comerciais e operacionais específicos. O BBVA é um dos maiores bancos da Espanha, com cerca de 2,6 mil agências e possui cerca de 11 milhões de clientes de varejo. E agora no Brasil, uma aquisição de R$ 3,2 bilhões que traz impacto por ser uma das principais aquisições que aconteceu na América Latina.
Há interessante para o grupo nos ramos vida e previdência, apostas dos consultores em crescimento de vendas pelo aumento da percepção de risco que a pandemia Covid-19 trouxe?
Sim, o grupo é um dos maiores gestores do mundo por meio da gestora Pimco, com sede nos EUA. São linhas que vemos oportunidades de crescimento. Particularmente na América Latina é um segmento potencial, que num futuro esta na nossa mira, tão logo finalizarmos a integração com a Sulamerica. Com a queda da Selic, agora em 2,25% ao ano, vemos uma oportunidade de agregar nossa expertise a produtos nestes segmentos com produtos competitivos que trazem beneficios para consumidores e corretores.
Além do investimento de R$ 3,2 bilhões na aquisição, há outros investimentos previstos pelo grupo alemão no Brasil?
Sim, temos muitos investimentos no Brasil, como na consolidação da marca e nos produtos e serviços que ofertamos. Também temos investimentos significativos em tecnologia para facilitar a vida dos nossos parceiros corretores e também em ativos, como o investimentos feito no prédio sede da matriz em Sao Paulo, no Rio de Janeiro e nas sucursais em outros estados para abrigar todos os nossos funcionários. Estamos agora num momento ainda da pandemia, mas em breve voltaremos aos escritórios e eles estarão prontos para receber a todos.
Houve revisão nas projeções para 2020 pós-Covid-19?
Sim, revisamos. Os primeiros resultados publicados. Lucro operacional 11.5 12.5 milhoes de euros. Covid todos os grupos fizeram revisões semelhantes. temos impacto, acompanhando como sair da crise, .
E qual a expectativa dos acionistas com esta aquisição?
Juntar o melhor dos dois mundos: conhecimento do mercado local e expertise da SulAmérica e a fortaleza internacional do Grupo Allianz, que pode trazer muitas novidades já testadas fora para o Brasil. Dobrando o tamanho, a Allianz terá acesso a habilidades e dados mais amplos, apoiando o lançamento de novos produtos e serviços digitais para que nossos corretores possam ofertar um leque maior de produtos e serviços aos seus clientes. Há também uma expectativa de que os preços e a eficiência sejam beneficiados. O nosso tamanho, como um dos maiores playeres do mundo, nos da oportunidade de investir em tecnologia, em digitalização, em uma oferta simples, com base em análises de dados e uso de inteligência artificial, que nos permite criar o melhor serviço para nossos corretores e clientes.
Por enquanto temos duas companhias, Allianz e SulAmérica Auto. Quando vira uma só companhia?
Temos um plano de integração. O comitê anunciado, para a direção das duas por um mesmo time, não muda nada para o cliente final e corretor. Sobre ter uma companhia só ainda não temos um prazo para comunicar.


















