Live da Icatu desta quinta-feira traz setor de saúde como tema central

“Como investidor, a gente acredita que, no longo prazo, essas tendências seculares de crescimento do uso do plano de saúde e de planos de saúde que caibam no bolso sejam a melhor forma de investimento em bolsa”, afirma Ricardo

Fonte: Icatu

Nos últimos meses a Icatu tem conversado com gestores e especialistas sobre os impactos da pandemia de Covid-19 na economia e nos preços dos ativos, mas até então pouco se falou sobre o grande vilão do momento, o coronavírus. Por isso, a seguradora reuniu em sua live desta quinta-feira, 18, o médico Fábio Jung, sócio da One Partners e Ricardo Franca, analista de Health Care dos Fundos Atlas One, que apresentaram um resumo das frentes de pesquisas que estão sendo estudadas, os resultados até aqui e a visão sobre o setor de saúde na bolsa de valores.

Para entender os impactos negativos que vêm sendo trazidos pelo coronavírus na saúde, é preciso entender que o setor é altamente complexo e interrelacionado com a economia como um todo. Fabio destacou que, em meio a uma pandemia como essa, é praticamente impossível manter apenas os chamados serviços essenciais com funcionamento adequado. Um estudo do New England Journal realizado na Califórnia mostrou, por exemplo, uma redução de 48% nas internações por infarto e de 39% na testagem para AVC agudo. Ainda segundo a OMS, 117 milhões de crianças podem não ser vacinas para sarampo, um reflexo de como o coronavírus acaba impactando em toda a cadeia e resultando em maiores problemas. 

Entretanto o cenário geral a partir de agora na visão médico não é pessimista. Tendo em vista a elevada taxa de transmissão do vírus, um percentual de assintomáticos entre 30 e 70% que podem transmitir a doença e uma população suscetível, é possível que em vários lugares o Covid-19 continue de forma endêmica até atingirmos a chamada imunidade de rebanho ou surgir uma vacina eficaz. A boa noticia é que vários estudos têm indicado que a imunidade de rebanho pode ser atingida com cerca de 20%, ou até menos, de infectados no total da população. Como existem quatro coronavírus em circulação global e que causam o resfriado comum, o resultado é que até 60% das pessoas já podem ter imunidade prévia cruzada contra o Covid. 

Fabio reforça que com a alta probabilidade de surtos ocasionais que devem continuar ocorrendo em várias partes do Brasil e do mundo, é fundamental que medidas adequadas sejam desenvolvidas para maximizar o controle da doença, como a higiene rotineira das mãos, evitar tocar o rosto e objetos, a correta proteção da boca ao tossir ou espirrar, o distanciamento de pelo menos 1,5 m, evitar viagens desnecessárias, que parecem ser medidas muito simples, mas quando adotadas de forma correta e em massa, podem fazer uma grande diferença. 

“O desenvolvimento de uma vacina pode demorar mais de um ano e até lá devemos adotar maneiras responsáveis e inteligentes para conviver com a doença. Realizar uma quarentena e não adotar as medidas citadas pode não ser eficaz para lidar com o coronavírus ”, afirma Fabio. 

Olhando para o setor na bolsa, Ricardo Franca, analista de Health Care dos Fundos Atlas One, afirma que é possível identificar algumas tendências no país atualmente: o brasileiro procura cada vez mais um plano de saúde, pois não pode contar 100% com o sistema público e ao mesmo tempo as empresas precisam ofertar produtos mais em conta e aí entram empresas como Intermédica e Hapvida, que conseguem controlar bem os seus custos. 

“Como investidor, a gente acredita que, no longo prazo, essas tendências seculares de crescimento do uso do plano de saúde e de planos de saúde que caibam no bolso sejam a melhor forma de investimento em bolsa”, afirma Ricardo. 

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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