Com a queda de 76% na venda de carros novos, companhias passam a olhar para proprietários de veículos com mais de 5 anos de uso
É praticamente uma unanimidade entre os executivos de seguros que o segmento de automóvel vai sofrer perdas mais acentuadas em 2020 do que já vinha registrando nos últimos anos. Boa parte, até então, justificada pela queda de vendas de carros novos. A partir de agora há mais um ingrediente para acirrar a concorrência: a crise trazida pelo Covid-19.
Segundo a Fenabrave, as concessionárias registraram apenas 55,7 mil veículos novos vendidos em abril, número considerado o pior resultado mensal para o setor desde fevereiro de 1999. O número do mes mostra uma queda de 76% em relação a abril do ano passado e 66% ante março, quando começaram as restrições para abertura da indústria e do comércio. E era aqui, na venda de novos, que se concentrava boa parte dos clientes das seguradoras e também a disputa mais acirrada entre elas. Afinal, um carro zero é menos visado pelas quadrilhas de roubo e também tem um índice de colisões bem inferior comparado aos carros com mais de 5 anos de uso.
A disputa trouxe mudanças no ranking de auto do setor, segundo dados da consultoria Siscorp elaborados a partir do banco de dados estatísticos da Superintendência de Seguros Privados (Susep). A Porto Seguros segue na liderança absoluta, com R$ 1,5 bilhão em vendas no primeiro bimestre de 2020. O que lhe confere 28% de participação dos R$ 5,5 bilhões em prêmios arrecadados neste segmento. No mesmo período ao ano passado foram R$ 5,6 bilhões.
A Tokio Marine galgou duas posições, saindo do quarto lugar para figurar logo abaixo da Porto Seguro, com R$ 564 milhões em vendas nos dois primeiros meses deste ano, com 10% de market share. Apenas R$ 13 milhões a separaram da terceira colocada, a Bradesco, com R$ 551 milhões neste período, que manteve a mesma colocação do ano passado.
A Mapfre, que ocupava a segunda colocação do ranking de auto em 2019, agora está em quarto lugar, com R$ 509 milhões em vendas. A Liberty Seguros saltou da sétima em 2019 para a quinta colocação em 2020, com prêmios passando de R$ 449 milhões para R$ 492 milhões .
Segundo especialistas, tanto Tokio como Liberty foram beneficiadas pela agilidade em colocar no mercado produtos mas acessíveis para a sociedade cada dia com orçamento mais apertado com a crise econômica que se arrasta desde 2014 e agora agravada com as consequências da pandemia Covid-19 que assola o mundo. A previsão de analistas é de queda de 5% no Produto Interno Bruto (PIB). O Bank of America revisou de 12,6% para 14% a estimativa para a taxa média de desemprego neste ano, devido a evidências de impacto negativo na economia brasileira.
Entre as 10 maiores de auto, seis registraram queda nas vendas no primeiro bimestre. Tem alguns pontos fora da curva, como o crescimento de 234% da Cardif e a queda de 40% da Assurant, ambas com forte atuação em carteiras de varejo e afinidades. Ou ponto fora da curva é da Allianz, que registra alta de 42%. Além de ter investido forte em publicidade no início deste ano, está previsto para agosto o fechamento da aquisição da carteira da SulAmerica, anunciado no ano passado.
A Suhai avançou 43% no primeiro bimestre deste ano. A seguradora tem carteira com 300 mil clientes e oferece “seguros compactos”, só para roubo e furto, o que permite preço inferior ao de companhias que só oferecem cobertura total. Essa estratégia tem atraído entregadores e motoristas de serviços de aplicativos que tiveram demanda ampliada com a epidemia da covid-19, informou a companhia em recente entrevista.
Outras companhias tem se beneficiado de vender apenas o serviço de prestação de assistência 24 horas, como serviços de guincho, por exemplo. Tal estratégia é vista como uma tendencia para atender aqueles que não tem orçamento para o seguro, mas querem garantir a remoção do veiculo em caso de pane ou quebra. O produto tem sido usado pelas varejistas como uma solução aos clientes de menor poder aquisitivo.
Os dados do primeiro trimestre das vendas de seguro de carro ainda não foram divulgados pela Susep. Tomando-se por base a Porto Seguro, que divulgou neste mês o balanço dos três primeiro meses do ano, o impacto do confinamento social para conter a pandemia já dá sinais claros. O seguro auto recuou 2,8% justificado principalmente pela intensificação do ambiente competitivo, mas espera-se um impacto significante pela medidas de quadrante e isolamento social pelo coronavírus.
Outra discussão no setor está em curso é se as companhias seguiram o exemplo de outros países no tocante a devolver aos clientes parte do valor pago pelo seguro, uma vez que as pessoas ficaram impossibilitadas de usar o carro neste período de quarentena, o que reduziu muito o risco para as seguradoras. Nos EUA, as líderes de mercado já adotaram algumas políticas de agradar clientes, como devolver parte do valor pago, dar desconto em renovação ou outros serviços como uma forma de compensar a situação.
No Brasil, apesar de os clientes estarem atentos, nenhuma companhia ainda se manifestou neste assunto. O que se vê por aqui é apenas uma significativa queda do índice de sinistralidade — indicador sempre citado para justificar aumento de preço — , sem a contrapartida da redução do valor do seguro. Várias seguradoras anunciaram, como uma excelente notícia, a manutenção do preço do seguro na renovação para aqueles que não tiveram acidentes no ano anterior e algumas vantagens para estimular os corretores, como pagamento da comissão em um prazo bem curto.
No entanto, o cliente já tem à sua disposição várias plataformas para comparar preços. E certamente, quem não tiver um produto acessível ao bolso dos que ainda tem carro e emprego, certamente sofrerão mais do que as que já se adaptaram. Ganha o cliente que tiver um bom corretor para saber diferenciar aquela companhia que baixou o preço para ganhar mercado, sem a contrapartida de melhores serviços e atendimento, e aquela que baixou o preço como uma consequência de ter investido em tecnologia e processos que geraram condições de aprimorar o serviço prestado pelo ganho de produtividade trazido pela inovação e modernização.
2020 será um ano e tanto. Ganhará quem souber conquistar clientes com produtos acessíveis. Se aprovados pelo consumidor, também será pelos corretores.
A primeira tabela se refere ao primeiro bimestre de 2020 e a segunda ao primeiro bimestre de 2019:





















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Gostei muito do conteúdo! Aproveitando a oportunidade, gostaria de deixar uma leitura complementar sobre como fazer vendas de seguro de carro, caso tenha interesse em saber mais: https://bannet.com.br/blog/fazendo-diferenca-nas-vendas-de-seguro-de-carro/