Alguns executivos estão se divertindo em homeoffice. É o caso da Elisabete Prado, da Delphos. Veja um dos relatos dela sobre esta nova experiência que a pandemia do coronavírus impôs ao mundo:
Semana passada escrevi sobre os preparativos do ambiente e início do trabalho no tal do “home office”. Com um fim de semana já decorrido, tenho agora as impressões sobre os primeiros dias de “Escritório em casa” somado aos “Trabalho da casa”.
Citando um colega muito querido (ACGS), em alguns casos “não se tem tempo nem para respirar, pois, com vídeo conferência, não há como fugir do assento do quarto,…, e é uma atrás da outra e de longa duração. Acaba sendo um regime escravagista que vai gerar muitas baixas e insanidades, e, pior, pode virar usual e só haverá escritórios caseiros”.
Bem, eu torço para que isso não aconteça, pois, por mais que eu me sinta segura e confortável em meu ambiente doméstico, sou daquele tipo (confesso: antigo) que gosta de gente ! E falar por uma tela pode ser muito moderno mas não substitui a energia que emana da proximidade física.
Além disso, tenho os meus senões. Definitivamente, eu não sou uma pessoa “do lar”.
Quando eu era “criança pequena lá em Ibitinga”, eu tinha uma infância muito feliz, mas havia uma rotina da qual eu não podia fugir: limpar a casa, encerar o chão de vermelhão e passar escovão (ahaaaa…duvido que todos saibam o que é isso), lavar a louça (mais panelas do que louça), recolher a roupa do varal (de uma família de 9 pessoas), ajudar a arrancar matos dos canteiros de verduras e legumes (meu pai era agricultor “plantador” e feirante), …, e tudo sem perder de vista que tinha horário da escola e da lição de casa. Era bom … porque eu tinha 10 anos de idade!!!.
Eis que de repente me vejo com uma dinâmica parecida. Coloquei Lourdes, minha fiel escudeira há mais de 30 anos, em quarentena. O “home office” dela virou meu pesadelo. Sábado, 9 da manhã, munida de balde, vassoura, aspirador de pó e outros apetrechos, fui para o “selviço”. Meia hora depois ainda estava no primeiro cômodo … e isso foi até as 5 horas da tarde. No domingo, 9 da manhã, munida de rastelo, tesoura de poda e escada, fui para a labuta de jardim … e isso foi até as 4 horas da tarde. Já escrevi antes que gosto de jardinagem, mas, convenhamos, rastelar folhas, limpar limo de vasos, arrancar mato da grama, …, ah isso não é jardinar !!! Também já escrevi que marido assumiu a cozinha, mas e o que sobra depois do “ato bacana e nobre de cozinhar” ??? limpar fogão engordurado, lavar louça (…mais panela do que louça). Mas, calma, ele assumiu também essa tarefa (ufa!!!), além de operar a máquina de lavar roupa.
Mas prossigo firme no tal do exercício físico no fim do dia (diferente do ESM que corre as 5:30 da manhã mas não tem que ser “domestico”, eu vou para o esforço as 6 da tarde). O resumo disso é que, na sagrada hora de deitar para dormir, um dorflex tem que vir primeiro! Não sem antes, é claro, uma boa taça de vinho porque, afinal, também sou filha de Deus.
Decidi: Lourdes terá um aumento quando retornar. O jardineiro, por sua vez, vai tomar uma “advertência”, porque nunca vi tanta coisa camuflada e escondidinha. Conhecem aquele provérbio “Por fora boa viola, por dentro pão bolorento” ? Pois é !
Falando sério (… não que não estivesse!), acredito que estamos sendo testados. Está difícil e é nessa hora que as pessoas se revelam. Cada ser humano é um universo diferente e peculiar.
Tenho percebido que as atitudes de alguns mudam radicalmente na adversidade. Uns, protegidos pela distância, explodem em egoísmo e egocentrismo – escondidos em seus confortos, acham que a vida dos seus servidores deve seguir normal, como se esses fossem imunes ao perigo. Outros, céticos (por escolha ou por natureza), seguem contrariando tudo e, quiçá, buscando seguidores. Outros, ainda, alienados dos acidentes de percurso, preferem passar ao largo das evidencias, querem tudo a tempo e a hora porque o mundo gira (os terraplanistas não estão nesse grupo).
Mas, enfim, tudo é possível quando a gente tem força de vontade, disciplina e resiliência. Descobri que tenho e que estou rodeada de gente que também tem. Nós da Delphos somos guerreiros e especiais. Vamos superar essa fase. Boa semana à todos.
E, FIQUEM EM CASA.



















Muito boa a materia da Elizabete Prado.