Apesar da demissão de executivos do IRB Brasil Re, o CEO José Carlos Cardoso e Fernando Passos, ex-diretor financeiro, da contratação de Werner Suffert, que chegou da BB Seguridade, e da teleconferência com analistas, as acoes do maior ressegurador do Brasil recuaram 16% na quinta-feira, com perda de mais R$ 2,8 bilhões em valor de mercado. Na semana, encolheu R$ 13,4 bilhões. “Uma pena que o CFO novo entrou ratificando o passado ao invés de se posicionar como um reformador”, comentou um especialista.
Além da queda na bolsa, clientes estão preocupados com seus contratos de resseguros e já começam a questionar a nova direção e também buscar cotações nos concorrentes para uma possível troca de fornecedor de resseguros. “Ainda não houve procuras formais nesse sentido, apenas a expressão de uma preocupação. O cenário ficará mais claro à medida que os contratos forem renovados ao longo do ano. Alguns contratos preveem o direito da seguradora de rompê-los em situações específicas. Mas não saberíamos dizer se seria o caso dada a complexidade envolvida”, informou um executivo que pediu anonimato.
A advogada Marcia Cicarelli, indicada para o conselho fiscal do IRB, divulgou nota reiterando que seu convite para o cargo partiu do própria empresa e não foi uma indicação da Berkshire Hathaway, como chegou a ser comentado.
A vaga da presidência do Conselho do IRB, ocupada interinamente por Pedro Guimaraes, ainda está vaga. Segundo fontes, o nome escolhido deve ser Antonio Cassio, executivo que está deixando a presidência das Américas do Grupo Generali, cargo que ocupa desde abril de 2015. Procurado, ele não confirmou a noticia. Nem para o blog Sonho Seguro e nem para amigos.
Veja os principais trechos da teleconferência liderada por Pedro Guimaraes, presidente interino do conselho do IRB e também presidente da Caixa Econômica Federal:
Quanto aos questionamentos da gestora Squadra: “Os números foram auditados por duas auditorias do ‘big four’. Nunca houve um questionamento, uma ressalva ou ênfase. Se fosse preciso contrataríamos a terceira, quarta auditoria. É credibilidade acima de tudo, mas os balanços não têm ressalva, nem ênfase.”
Quanto a transparência: “Um dos trabalhos do IRB a partir de agora será de aumentar o nível de transparência e incluirá a maior abertura de itens recorrentes e não-recorrentes do demonstrativo financeiro. Suffert terá essa missão: conseguir resgatar a credibilidade do mercado”.
Quanto ao guidance: “É pouco provável que mude e, se mudar, é pouco. Mas em nome da transparência não queremos prometer nada. O nome do jogo é prometer e cumprir”.
Quanto ao programa de bônus: “Os executivos que chegarão a partir de agora terão remuneração de acordo com a prática de mercado, com olhar de longo prazo e de governança”.


















