Seguradoras poderão sofrer impacto reputacional caso o volume de pedidos de indenização cresça em proporção do número de tomadores de seguro não esclarecidos sobre a exclusão do risco de pandemia
Fonte: Blog Sonho Seguro com agências internacionais e locais
Dois sérios impactos da pandemia do novo coronavírus no mercado segurador preocupam investidores e órgãos reguladores: mortes e o impacto nas reservas técnicas com a queda das bolsas e das taxas de juros. Além desses dois pontos, obviamente todos buscam avaliar os impactos da recessão da economia, do desemprego, dos saques em planos de previdência, tanto por investidores assustados com a queda da rentabilidade por conta do derretimento das bolsas como para fazer frente às necessidades dos investidores. A preocupação com a queda das vendas de seguros pela perda de renda da população também consta na lista das questões debatidas por executivos nas telas do app Zoom, utilizado para fazer reuniões a distância em tempos de #ficaemcasa.
O presidente da corretora XP, principal marketplace de investimentos do Brasil, Guilherme Benchimol, comentou em reunião com empresários no último domingo, projetar 40 milhões de desempregados em todo o Brasil em decorrência da pandemia. Ele defendeu a criação de um “plano Marshall”, aos moldes do pacote de reconstrução da Europa depois da Segunda Guerra. Ou seja, a situação e séria e afeta a todos. Na corretora XP, que administra cerca de R$ 22 bilhões em reservas de previdência, o comportamento dos clientes tem sido positivo até a última sexta-feira, 20 de marco. Praticamente sem saques, segundo informou uma fonte.
As agências de classificação financeira chamam atenção para as seguradoras que atuam no segmento de vida, de saúde, de eventos e de interrupção de negócios. Basicamente a totalidade dos contratos tem exclusão para pandemias. Ou seja, as seguradoras não são obrigadas a pagar danos causados por pandemias. Um comunicado da Moody’ s Investors Services salienta que, embora com exposição limitada em termos de indemnizações diretas, as seguradoras poderão sofrer impacto reputacional caso o volume de pedidos de indenização cresça em proporção do número de tomadores de seguro não esclarecidos sobre a exclusão do risco de pandemia.
Por outro lado, as agencias afirmam que a desvalorização de ativos aplicados na bolsa e os recentes cortes nas taxas de juros vão pressionar rentabilidades de investimento, reservas e capital das seguradoras de vida, destaca a Fitch Ratings, antecipando ainda que o ramo Vida deverá enfrentar um potencial pico de mortes causadas pela pandemia.
As agências de crédito AM Best e Fitch Ratings rebaixaram as perspetivas para as seguradoras de vida dos EUA de estável para negativas. Na Suíça, a “susep local”, conhecida como Finma, chamou Zurich Insurance, Swiss Life e Swiss Re com o objetivo de garantir monitorização conjunta da evolução nos mercados financeiros. As agências de crédito também pedem às companhias avaliadas para anunciar aos investidores de que a pandemia terá impacto limitado no negócio.
No Brasil, Marcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg), ao comentar os resultados do setor de seguros no mês de janeiro, afirmou que não se pode esperar bons resultados do setor no ano de 2020. “Os efeitos negativos do novo coronavírus para a economia e sociedade brasileiras são evidentes. E afetarão fortemente o setor de seguros após o ciclo de contratações de 2019”, disse. Ele prevê que a restrição da circulação geral para a prevenção do COVID 19 afetará os seguros com efeitos visíveis no segundo semestre de 2020.
A Superintendência de Seguros Privados (Susep) ainda não se pronunciou ao pedido de entrevista feito na quinta-feira passada. Com base nas entrevistas sobre o resultado financeiro de 2019, algumas companhias citaram que conseguiram reduzir a queda do ganho financeiro com a redução da taxa Selic ao criarem um portfólio mais dinâmico, com ações e outros papeis no mercado de capitais.
A SulAmérica se antecipou e na semana passada comunicou o mercado que a partir de consequências diretas e indiretas da pandemia, notadamente em função da restrição de demanda, dos cenários macroeconômicos incertos e de uma expectativa de desaceleração econômica global e local, a companhia poderá ter impactos negativos em suas receitas e/ou em seus custos.
A pandemia já acumula mais de 150 mil mortes em todo o mundo. No Brasil, o impacto ainda é pequeno. Ontem à tarde o Brasil registrava 25 mortes causadas pelo novo coronavírus. De acordo com o Ministério da Saúde, havia 1.546 casos confirmados de contaminação, um aumento de 37% em relação a sábado.
Via de regra, pandemias são excluídas de pagamentos de indenização nos contratos de seguros. No entanto, algumas seguradoras locais afirmam que por ora vão manter o pagamento, como a Previsul, do grupo Caixa Seguros, informou em nota na semana passada. Segundo noticiou o Valor, a seguradora francesa CNP e a Caixa Econômica Federal, vai liberar indenizações no caso de morte causada pelo coronavírus, medida que deve ser seguida por concorrentes do mercado.“Mesmo não tendo a obrigação legal, pagaremos as indenizações”, disse Laurent Jumelle, presidente da Caixa Seguradora.
A MAG Seguros também está estudando incluir as coberturas nas apólices em que ela não está prevista, no caso dos seguros de vida. “Uma parte significativa do nosso portfólio garante eventos decorrentes de pandemia. Para os demais, estamos em tratativas junto aos nossos resseguradores e ao mercado a fim de encontrar uma solução”, disse Nuno Pedro David, diretor de marketing da MAG Seguros, ao Valor.
Homeoffice – O ministro Dias Toffoli, em entrevista na semana passada, levantou a bola sobre o grande número de acoes judiciais que podem vir a tona com a pandemia. Diante disso, o especialista Aparecido Rocha faz alguns alertas importantes. Em artigo ele cita que na hipótese da ocorrência de acidentes em home office, a seguradora estará isenta de responsabilidade por eventuais pedidos de indenização. Para que haja cobertura de seguro, as empresas precisam documentar a decisão de colocar os funcionários em home office e solicitar às seguradoras endossar as apólices com garantia também para acidentes em locais de terceiros, no caso a residência de seus empregados.
Para cobrir perdas e danos dos equipamentos da empresa utilizados por funcionários em regime de trabalho em home office, será preciso endossar a apólice do seguro empresarial com a inclusão de cobertura para bens em locais de terceiros. Caso a empresa queira também cobertura para os equipamentos de seus próprios funcionários em uso a serviço da empresa, como aparelhos de comunicação, telefones, celulares, computadores e notebooks, deverá negociar uma cláusula particular indicando os endereços de seus funcionários, descrição dos equipamentos e valores. “O seguro não é a cura para os problemas sociais, mas é um remédio poderoso para manter uma empresa viva e gerando empregos”, finaliza.


















