Apólice de seguro da cervejaria Backer “é ínfima”

Isso [contaminação de dietilenoglicol na produção de cervejas] nunca aconteceu no mundo e a gente nunca imaginou que isso poderia acontecer logo com a nossa empresa”, a sócia e CEO da companhia, Paula Lebbos

O caso da cervejaria Backer é um daqueles que ilustram a importância de um seguro bem feito, pois se for feito de qualquer jeito, melhor nem ter. Em entrevista ao Valor, a sócia e CEO da cervejaria Backer, Paula Lebbos, disse que tem apólice de seguro de lucros cessantes mas que o valor contratado é ínfimo para cobrir os prejuízos. Interditada desde 10 de janeiro por ordem do Ministério da Agricultura após casos de intoxicação e mortes de pessoas que afirmam ter consumido sua cerveja, a cervejaria Backer, de Belo Horizonte, está com o caixa zerado, renegociando dívidas e demitindo funcionários.

A empresária afirmou ao jornal que considera várias hipóteses. Uma delas, erro interno. Outra, que o fornecedor do monoetileno tenha vendido à cervejaria um produto misturado com o dietileno. Outra hipótese ainda, sabotagem.

Segundo a reportagem, a empresa tem uma apólice de seguros de lucros cessantes, mas o valor da cobertura se mostrou pequeno para o tamanho da crise. “Nosso seguro é ínfimo porque isso [contaminação de dietilenoglicol na produção de cervejas] nunca aconteceu no mundo e a gente nunca imaginou que isso poderia acontecer logo com a nossa empresa”, a sócia e CEO da companhia, Paula Lebbos.

Além da apólice de lucro cessantes, que indeniza o prejuízo pelo tempo em que está parada, já se foram dois meses, a empresa pode ser responsável por 30 casos de intoxicações e por seis mortes.

Ontem, o Ministério da Justiça, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor, instaurou processo administrativo contra a Backer. A secretaria diz que empresa decidiu recolher lotes que poderiam ser nocivos à saúde somente depois de ter sido notificada, e não logo após tomar conhecimento dos problemas. Se condenada, a empresa pode ter de pagar multa de R$ 10 milhões.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

2 COMENTÁRIOS

  1. Boa Tarde.
    Quando você comenta o seguro de lucro cessante e bom verificar para qual evento e esta cobertura.( na grande maioria e para incêndio somente)
    Atenciosamente

  2. Só para lembrar que o seguro de lucro cessantes só cobre a perda de lucro em decorrência de um sinistro coberto na apolice e neste caso os seguros que deveria ter sido contratados seriam de Tampering e RC Produtos com extensão de recall

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