ABGR: Solange Vieira concede entrevista coletiva sobre DPVAT e corretores. Leia:

Certamente as seguradoras que vivem de DPVAT atuam com seguro de auto e responsabilidade civil. Acreditamos que elas vão continuar a atuar nesses nichos, que as pessoas vão contratar esse tipo de proteção e a concorrência vai aumentar

A superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Solange Vieira, concedeu entrevista coletiva na cerimonia de abertura do  XIII Seminário Internacional da ABGR 2019, que começou hoje e termina amanhã, em São Paulo, com a participação de cerca de 3 mil especialistas. Ele afirmou que há um grande potencial de crescimento para o segmento de grandes riscos.

“O projeto de lei sobre obras públicas é o primeiro passo”, afirmou. “Estamos com vários projetos andando ao mesmo tempo no Congresso. Nos faltam braços. Mas estamos caminhando como dá. E com uma diretoria especializada em grandes riscos, como criamos agora, será de grande valia para todo o setor”, afirmou durante a palestra de abertura.

Durante a coletiva de imprensa, ela falou de diversos assuntos, como desregulamentação do corretor de seguros e o fim do DPVAT.

O corretor estão preocupados. O corretor vai acabar?

A autoregulamentação já era um pleito antigo. A Susep não é o órgão de classe que autoriza, credencia e descredencia corretores. Apostamos que o setor tem a capacidade de auto se regular e vamos estabelecer diretrizes para isso. Certamente vão surgir empresas interessadas neste escopo. Já temos uma minuta e vou colocar na reunião do CNSP. O cadastro que temos na Susep está desatualizado. Nao estávamos regulando. Então vamos discutir com o CNSP, entidades de classes como vamos regulamentar.

Como fica o curso?

Vai depender de como os corretores e empresas de apoio a eles vão querer construir conosco essa auto regulamentação.

Por que colocar um fim no DPVAT?

Cheguei em março deste ano na Susep e desde então tive reuniões com pessoas e órgãos apontando problemas sérios com o DPVAT. Ele não funcionava de forma adequada. E por isso acreditamos que esta será a melhor medida. As pessoas menos favorecidas vão continuar tendo assistência do SUS, que receberá recursos por três anos. O sistema é ineficiente, com corrupção enorme, que acaba por prejudicar a própria população. As pessoas, inclusive, vão poder entrar na Justiça contra quem causou o acidente e o DPVAT desmotivava isso. Também acreditamos que as pessoas vão passar a comprar mais seguro de RC, pois elas mesmas são responsáveis pelos danos que causam a outros e por isso devem se preocupar e se proteger. E a aposentadoria por invalidez continua valendo pelo INSS. Temos cobertura para a classe menos favorecido. E a classe média certamente terá interesse em contratar o seguro de responsabilidade civil para se proteger de um dano causado a terceiro.

Algumas seguradoras vivem do DPVAT. Foi feito algum estudo sobre como elas ficarão sem essa receita?

Certamente as seguradoras que vivem do DPVAT atuam com seguro de auto e de responsabilidade civil. Acreditamos que elas vão continuar a atuar nesses nichos e que as pessoas vão contratar esse tipo de proteção. Certamente a concorrência vai aumentar.

Ainda esta na pauta do governo a transferência de riscos publico, ou seguros estatais, do INSS?

Isso é uma importante pauta da minha gestão. Esta na hora de encolher o tamanho do Estado e deixar o setor de seguros prover diversos seguros hoje estatais para a população. E as companhias estão demostrando que têm interesse nisso.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS