Emissões e captações no mercado acionário movimentam seguradoras

POSI e D&O registraram vendas de R$ 192 milhões em prêmios diretos de janeiro a maio deste ano, acima dos R$ 136 milhões do mesmo período do ano anterior. Pedidos de indenizações saltaram de R$ 36 milhões para R$ 149,9 milhões

Eis uma boa noticia para o mercado segurador. O volume de novas emissões de renda variável no primeiro semestre de 2019 foi o maior da série histórica da Anbima, iniciada em 2002. Os R$ 29,3 bilhões emitidos de janeiro a junho deste ano representam crescimento de 324,6%, quando comparados aos R$ 6,9 bilhões ofertados no mesmo período anterior.

Em captações, de janeiro a junho, as empresas brasileiras levantaram um total de R$ 212,6 bilhões nos mercados doméstico e internacional. No próprio mercado de seguros tem o caso da saída de acionistas do IRB Brasil Re, que pode movimentar R$ 8,5 bilhões. No primeiro semestre, a Caixa Economica Federal vendeu a sua participação no IRB e movimentou R$ 2,5 bilhões.

A expectativa é de que esse cenário siga positivo, com novas ofertas. “Esse cenário pode elevar a exposição das empresas e dos executivos a riscos. Para evitar perdas, o seguro Public Offering Securities Insurance (POSI) tem sido um instrumento muito usado para proteger os executivos e empresas de demandas judiciais de acionistas que se sintam lesados pelas emissões”, segundo explica Flavio Sá, executivo da AIG especializado em seguros financeiros.  

Apesar do POSI ser um seguro especifico para emissões, muitas empresas acabam contratando uma cobertura acessória no seguro Diretors & Officers para ter proteção para emissões no mercado de capitais. Segundo dados da Susep, de janeiro a maio deste ano, esses dois produtos movimentaram R$ 192 milhões em prêmios diretos, acima dos R$ 136 milhões do mesmo período do ano anterior, e R$ 149,9 milhões em sinistros ocorridos, acima dos R$ 36 milhões de janeiro a maio de 2018.

A Chubb é a maior do setor, com R$ 49 milhões em prêmios, abaixo dos 51 milhões em mesmo período do ano anterior, seguida pela Zurich com R$ 42 milhões (15 milhões) e pela AIG com R$ 40 milhões (R$ 35 milhões). Em sinistros, a Chubb segue na liderança, com R$ 116,2 milhões (R$ 7 milhões), seguida pela AIG com R$ 16,7 milhões (R$ 11 milhões) e pela Zurich com R$ 6,7 milhões (R$ 13 milhões).

As apólices de POSI protegem os emissores de eventuais prejuízos por erros nos prospectos, informações imprecisas ou incompletas e até mesmo se algum dado indevido for apresentado em reuniões de executivos nas reuniões conhecidas como roadshows. A cobertura pode ser acionada para amparar processos contra a empresa e seus administradores, os conselheiros, os acionistas controladores e ainda os que pretendem vender suas participações no caso de uma emissão de ações.

Segundo Sá, os contratos geralmente têm cobertura pelo prazo de cinco anos, sendo que boa parte dos avisos de pedidos de indenizações ocorre no primeiro ano. Sá não cita o valor de apólices de POSI, mas segundo informações de bastidores ela pode chegar a custar até 10% do valor da emissão.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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