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Swiss Re Corporate Solutions busca insurtechs e fintechs para parcerias

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Nem chegou o natal e eis um presente para empreendedores. A Swiss Re Corporate Solutions, seguradora controlada pela maior resseguradora do mundo e pelo Bradesco, obteve o aval da matriz para encontrar soluções tecnológicas no Brasil, mesmo que não sejam adotadas mundialmente. “Depois de quase um ano e meio de integração da base Bradesco com a Swiss Re Corporate Solutions, 2019 é o ano de produtos, de processos e da tecnologia”, contou Guilherme Perondi, Chief Commercial Officer (CCO) no Brasil da Swiss Re.

A prioridade do grupo está em insurtechs e fintechs com soluções inovadoras para otimizar os benefícios no atendimento aos corretores e clientes, bem como para potencializar a venda dos produtos com o uso de inteligência na oferta assertiva aos clientes do canal de distribuição do Bradesco, um dos maiores do país no segmento de pequenas e médias empresas. Na semana passada, o banco divulgou balanço do terceiro trimestre, no qual informou que o portfólio de pessoas jurídicas cresceu 1,3% em relação a junho e 7,2% na comparação com um ano antes, chegando a R$ 337,2 bilhões no fim do terceiro trimestre de 2018.

Outro dado que potencializa o desafio de Perondi é que o Bradesco tem investido muito em tecnologia e no segmento de médias e pequenas empresas. Em setembro último, por exemplo, o banco anunciou que assinou um convênio com o Sebrae para apoiar pequenas e médias empresas, com expectativa de atender 20 mil micro e pequenos negócios em quatro anos, sendo 5 mil microempreendedores individuais (MEIs). “Queremos soluções que nos ajudem a cruzar dados e a detectar a necessidade de proteção dos clientes para que os profissionais de vendas façam uma proposta diferenciada e assertiva”, comentou ele durante almoço com o blog Sonho Seguro.

Apesar do ambiente político e econômico com significativas mudanças na equipe do governo pelo novo presidente do Brasil eleito em outubro, Jair Bolsonaro, Perondi está otimista com o próximo ano. “Temos muito mercado para conquistar dentro do grupo. A parceria com o Bradesco nos abriu um grande leque de segmentos, do agronegócios aos MEIs. Certamente o crescimento da economia alavancará nosso crescimento ainda mais”, afirmou ele animado com o desafio que tem pela frente.

Realmente são muitas as frentes de negócios para uma parceria que une uma das melhores especialistas em riscos com um dos maiores canais de distribuição do Brasil. “Em reuniões internas, detectamos infinitas possibilidade de risco para ofertar garantia de safra, garantia para obras de construção, riscos de engenharia, responsabilidade civil de executivos e de empresas, para equipamentos, para garantir parte dos financiamentos dos mais diversos setores com os quais o banco atua”, disse.

Perondi também ressalta a importância de duas frentes: agro e infraestrutura, que dependem de definições do novo governo no segmento de seguro garantia e subsídios ao setor agrícola.”Ambas aguardam novas regras, que se bem desenhadas, contribuirão bastante para o crescimento do mercado segurador no próximo ano”. O plano da equipe de governo Bolsonaro baseia-se em expandir ferrovias, rodovias e aeroportos quase que exclusivamente com recursos privados. O objetivo do novo governo é investir R$ 180 bilhões em infraestrutura em 2019.

O seguro de garantia de obras, um dos carros chefes da Swiss Re, é o mais beneficiado se essa previsão realmente virar realidade. Para tanto, será preciso primeiro definir o destino do seguro. Hoje, a Lei de Licitações permite a contratação de seguros em obras públicas, que cobrem, em média, 5% do valor da obra. A proposta do setor, que consta do Projeto de Lei 6814/2017 que tramita na Câmara dos Deputados, garante a cobertura de até 30% para obras com orçamento acima dos R$ 100 milhões.

Já em seguro rural, onde o grupo figura entre os líderes, a expectativa é de que o governo atenda aos apelos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A entidade encaminhou ao Ministério da Agricultura uma série de propostas de ajustes para o Plano Trienal do Seguro Rural 2019/2021, sendo uma delas a previsão orçamentária de R$ 1,2 bilhão e aumento da cobertura mínima do seguro agrícola de 60% para 65% e níveis maiores de subvenção para culturas com maior risco de produção, como milho safrinha, trigo e frutas. O valor é o dobro dos recursos destinados ao seguro agrícola no Plano Agrícola e Pecuário 2018/19.

A tecnologia vem impondo um ritmo de mudança sistemática na forma de negociar das seguradoras, desde a subscrição do risco até o pagamento de indenizações. Boa parte dos investimentos tem sido no atendimento ao cliente e em plataformas de vendas. As parcerias visam redução de custos, alívio da dependência de sistemas legados, aumento da base de clientes por ofertas assertivas numa abrangência geográfica ampla e sistemas que melhorem a experiência do cliente com soluções centradas no usuário. “Vemos a entrada no ambiente de start-ups de tecnologia como uma oportunidade de criar parcerias e construir estratégias focadas em fornecer valor a esse ecossistema financeiro cada vez mais digitalizado”, finaliza Perondi.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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