Juiz condena mineradora em processo contra seguradora

Uma sentença que pode trazer importantes desdobramentos para todo o mercado de seguros foi prolatada pelo juiz Arthur Eduardo Magalhaes Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no julgamento de disputa milionária, que se arrasta por mais de quatro anos, envolvendo a mineradora Anglo American e a Chubb Seguros.

Na sentença, anunciada no início de outubro, o magistrado deu ganho de causa à seguradora, defendida pelos escritórios dos advogados Fábio Torres e Sérgio Bermudes, e apontou negligência gravíssima por parte da Anglo American, informa comunicado divulgado pelos advogados. A disputa envolve mais de R$ 800 milhões em indenização (com correção e juros legais) e as seguradoras envolvidas ganharam a ação e não terão que pagar nada para a Anglo American.

A Anglo American, no entendimento do juiz, descumpriu várias situações previstas e estabelecidas no contrato do seguro e, dessa forma, contribuiu para o acidente ocorrido no Porto de Santana (Amapá) em março de 2013. Naquela ocasião, o porto se quebrou e correu para o leito do rio Amazonas, causando enormes prejuízos materiais, além da morte de seis trabalhadores.

“O Código Civil é bem claro e categórico: o segurado abster-se-á de tudo quanto possa aumentar os riscos, isto é, da prática de qualquer ato ou fato que importe modificação agravante do estado de perigo, previsto ao tempo da estipulação. O que se justifica, precisamente porque, de outra forma, estaria destruída a equi valência objetiva da prestação, que deveria subsistir pelo prazo integral da duração do contrato, não se tornando nunca que possa estar no arbítrio de uma parte contratante agravar a situação da outra”, acentua, na sentença.

Na decisão, o juiz declara ainda a inexistência da relação jurídica consubstanciada na obrigação de indenizar ou pagar qualquer valor, a título de danos materiais, lucros cessantes, despesas de salvamento ou outras verbas de natureza contratual ou extracontratual, relativamente ao evento ocorrido no Porto de Santana, objeto de negativa de pedido de indenização securitária.

Vale lembrar ainda que a Itaú Seguros era a seguradora do porto, mas se recusou a pagar a cobertura do sinistro. No final de 2014, a carteira e grandes riscos da Itaú foi comprada pela Chubb.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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