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Gestão de risco e disciplina na subscrição mantêm sólidos os balanços das resseguradoras

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Fonte: Reuters

A Moody’s vê com bons olhos o setor de resseguro mundial. A perspectiva da agência para os próximos 12-18 meses é que o setor global permanecerá estável, graças à solidez dos balanços, a consolidação da indústria através de fusões e aquisições e o aumento de lucros, de acordo com o último relatório da empresa.

James Eck, vice-presidente e diretor de crédito da Moody, afirma que “a boa gestão de risco e uma boa disciplina na subscrição fazem com que os balanços das resseguradoras permaneçam sólidos, enquanto que os aumentos modestos de preços, após os graves desastres naturais de 2017 e o aumento das taxas de juros, reforçarão os benefícios”. “Ambos os fatores – diz ele – sustentam a perspectiva estável e contínua do setor em 2019.”

De acordo com o dirigente, “as recentes fusões e aquisições, as iniciativas de diversificação e as mudanças na estratégia corporativa também melhoraram o perfil geral de crédito das resseguradoras”.

Outro dado positivo que o relatório revela é que a demanda de empresas primárias aumentou, o que aliviou em parte o desequilíbrio entre oferta e demanda. No entanto, o escasso poder de fixação de preços durante as renovações de resseguros no meio do ano sugere que pode ser mais difícil manter os ganhos em matéria de preços nas próximas renovações de janeiro.

O QUE ESTÁ POR VIR

A Moody’s enfatiza que a atividade de fusões e aquisições continuará no setor conforme as resseguradoras pressionem para aumentar a diversificação e melhorar a rentabilidade por meio de eficiência de capital e redução de custos. “As resseguradoras restantes são mais fortes e resistentes”, acrescentou a agência. No entanto, as resseguradoras menores, que foram mais afetadas pela evolução do resseguro, sentirão mais pressão para encontrar um sócio maior.

A respeito dos veículos de capital alternativo, espera-se que proporcionem uma vantagem competitiva para as resseguradoras com fortes capacidades de modelagem de riscos e habilidades de subscrição comercializáveis. “Embora o capital alternativo tenha pressionado os preços e a rentabilidade do resseguro durante anos, também permitiu que as resseguradoras reduzissem seu custo total de capital, ajudando-as a gerenciar as exposições máximas ao risco e, por sua vez, melhorar rentabilidade ajustada a esse risco”, informa a Moody’s.

DOIS RISCOS QUE SÃO OPORTUNIDADES

Sobre duas tendências em alta, como as mudanças climáticas e a tecnologia, a Moody’s ressalta que, no caso das questões relacionadas à mudança do clima, estas são cada vez mais importantes para as resseguradoras. “À medida que a aumenta a frequência das catástrofes relacionadas ao clima, é oferecida aos resseguradores a oportunidade de aproveitar o crescimento da demanda associado às estratégias de adaptação ao risco climático”.

Finalmente, em termos de tecnologia e inovação, cabe destacar que elas proporcionam maior eficiência e oportunidades de crescimento, “o que permite se beneficiar de uma administração mais eficiente dos principais fluxos de trabalho”. “Os avanços tecnológicos e as associações com novas empresas tecnológicas permitirão que as resseguradoras acessem mercados inexplorados”, conclui a agência.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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