ARTIGO: A pirâmide está encolhendo… você está preparado?

Por Túlio Fumis, associate partner na Page Executive e líder para as áreas de serviços financeiros e seguros. Executivo sênior e consultor em seguradoras nacionais e multinacionais há mais de vinte anos.

Este mês começaremos a entender um pouco mais sobre um estudo anual que a Page Executive (Page Group) conduz e está indo para a terceira edição. O estudo aponta os maiores desafios que executivos e líderes estão enfrentando no momento, bem como quais são as prováveis tendências e mudanças que estão ocorrendo em relação a assuntos estratégicos.

Espero que as informações compartilhadas neste artigo e nos próximos sirvam para que vocês, profissionais da área de seguros, tenham mais subsídio nas tomadas de decisões, antecipem potenciais oportunidades e preparem um plano de ação para se prepararem de maneira adequada para os desafios que estão surgindo.

O primeiro tópico do estudo, e que exploraremos hoje, fala do “achatamento” da pirâmide de gestão (Flattening the Management Pyramid), como as novas gerações estão contribuindo para uma liderança horizontal e o surgimento de uma nova posição no ambiente organizacional.

De acordo com um recente estudo sobre millennials (geração que se tornou adulta na virada do século), 83% destes profissionais preferem um ambiente com pouquíssima hierarquia, transparente e flexível para trabalharem. A média de idade em empresas como Facebook, Apple e Google é de 28, 30 e 31 anos respectivamente, ou seja, a maioria é de millennials que, como comentado acima, estão confortáveis com estruturas pouco rígidas e ferramentas digitais.

Gestão horizontal não é um novo fenômeno. Desde o século dezessete que os piratas escolhiam o seu Capitão e escreviam seus “códigos de conduta” de forma coletiva. O que tem mudado é que empresas, lideradas pelas de tecnologia, começam a introduzir o conceito de liderança horizontal como um atrativo para os potenciais candidatos a serem recrutados. Uma das razões mais importantes para isto foi o déficit de talentos digitais que viram neste modelo, um atrativo adicional para juntarem-se à empresas que adotam esta prática.

Para empresas de outros setores, como o de seguros, por exemplo, não é o caso. Porém, com o crescente impacto da tecnologia dentro das companhias e natural renovação das gerações na liderança, rapidamente a tendência das empresas tecnológicas irá se espalhar. Não haverá retorno!

Na verdade, o desafio de qualquer empresa, em qualquer setor, é criar um ambiente saudável para todos os colaboradores e não somente para a liderança. Cabe a cada setor entender o que faz sentido para sua cultura e quando é hora de mudar. Várias ferramentas digitais estão sendo usadas para dar suporte a este novo tipo de gestão. Algumas ferramentas permitem que qualquer pessoa faça perguntas durante uma reunião mundial de resultados, por exemplo, e todos os colaboradores podem votar em quais perguntas serão respondidas.

Certamente que para cada história de sucesso dentro deste modelo, há casos de empresas que não se adaptam e retornam para estruturas mais hierárquicas. De qualquer modo, mais e mais empresas estão migrando para este tipo de gestão principalmente por que já se comprovou que os ganhos em inovação e agilidade dentro da organização são enormes. Com a crescente competitividade, quem conseguir engajar os colaboradores para desenvolver novos produtos e melhores serviços, terá uma vantagem competitiva importante e necessária.

Basicamente há quatro tipos de estruturas horizontais (estruturas mais planas) e que podem se adequar à maioria das empresas. Algumas não abandonam completamente a hierarquia tradicional.

Os líderes precisam encontrar o equilíbrio entre as várias gerações dentro de um mesmo local de trabalho, cada uma com suas preferências e “maneiras” de trabalhar. As gerações mais velhas, por exemplo, ao contrário dos millennials, se sentem mais à vontade com estruturas hierarquizadas e menos abertas ao uso de ferramentas digitais.

Outro aspecto importante, principalmente no que se refere à multinacionais, é que a percepção de autoridade e hierarquia, tem uma forte conexão com o tipo de cultura que prevalece no ambiente ou seja, brasileiros pensam de maneira diferente dos suecos que pensam de maneira diferente dos japoneses e por aí vai. Mais um pouco de gasolina na fogueira dos líderes…

Baseado nos desafios mencionados acima, um novo personagem começa a aparecer com mais frequência em empresas pouco hierarquizadas, o CCO – Chief Culture Officer. O aumento do número de CCOs, sugere uma mudança na maneira de pensar de algumas empresas em relação a recursos humanos. Ao invés de continuarem com o tradicional papel do RH, os CCOs focam em como “vender” as organizações de modo a atrair pessoas adequadas.

No início, algumas empresas questionaram o quanto de valor um CCO poderia agregar para o negócio, porém, atualmente, estes profissionais estão se tornando figura chave no sentido de criarem uma força de trabalho colaborativa e inclusiva. Já existe um senso comum de que uma cultura harmônica dentro de uma companhia é um fator muito importante para o sucesso e minimiza o risco de turnover alto ou da presença de muitos colaboradores pouco engajados.

Importante mencionar que a criação desta nova posição necessita de total apoio do CEO porém, este profissional deve estar em contato muito próximo com todos os colaboradores. Ao contrário da visão tradicional, a cultura nestes ambientes cresce da base para o nível superior. O desafio do CCO é exatamente influenciar esta evolução de maneira orgânica.

Em resumo:

Millennials preferem menos hierarquia e ambientes transparentes e flexíveis;
Uma estrutura mais plana suporta melhor inovação e agilidade;
Foram definidos quatro tipos de estrutura horizontal, sendo que a estrutura “plana” é a mais pragmática;

Diferentes gerações e expectativas culturais podem ser um obstáculo na criação de organizações mais planas;

De maneira crescente, o surgimento do Chief Culture Officer tem como objetivo estimular a força de trabalho colaborativa.

Atualmente liderando a área de serviços financeiros e seguros na Page Executive (Page Group), compartilharei mensalmente com o blog dicas sobre carreira, CVs, entrevistas e outros assuntos relacionados a recrutamento e seleção, voltados para empresas e profissionais de seguros.

Até breve!

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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