Vida e Previdência

Pesquisa FenaPrevi-Ipsos aponta que 43% dos brasileiros veem necessidade de reforma da previdência

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

A poucos meses da eleição presidencial, 43% dos brasileiros dizem que será necessário fazer uma reforma da previdência no futuro contra 38% que consideram que o sistema não precisa ser reestruturado. 19% não têm opinião formada sobre o assunto.

Os dados constam de pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos a pedido da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), entidade querepresenta 67 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no país. O estudo ouviu 1200 indivíduos em 72 municípios no mês de abril, com idades entre 16 anos e 60 anos ou mais. A margem de erro é de três pontos percentuais.

De acordo com o levantamento, 49% dizem que o tema deve ser tratado pelo novo presidente, contra 33% que acham que o assunto não deve constar da agenda do novo mandatário. 18% não responderam.

O reconhecimento de que a reforma da previdência deve estar na agenda do novo presidente é majoritária entre os indivíduos entre 16 e 24 anos (51%) e no estrato de 45 e 59 anos. Para os indivíduos com 60 anos ou mais o índice é de 50%. O menor percentual de concordância está entre os indivíduos entre 25 e 34 anos (46%), seguidos pelos de 35 a 44 anos (47%).

O Sul do país é a região com maior percentual de indivíduos que vê necessidade de reforma na previdência (58%), seguido pelo Sudeste (46%), Nordeste (36%), Centro-Oeste (35%) e Norte (31%).

A necessidade de reformas é mais aderente entre os homens: 46% dos indivíduos do sexo masculino veem a necessidade de reformas na previdência no futuro. Entre as mulheres o índice é de 40%.

De acordo com a pesquisa, nas classes AB, 48% dos indivíduos acreditam que a reforma será necessária. Na classe C, o índice de concordância é de 46% e na DE, 29%.

A despeito dos números que mostram forte desequilíbrio das contas do INSS, rápido envelhecimento da população e comprometimento do orçamento público, 51% da população ainda avalia que o sistema previdenciário brasileiro é sustentável. Apenas 28% consideram que o modelo vigente não se sustenta ao longo do tempo e 21% não têm opinião formada sobre o assunto.

A percepção de que o sistema é sustentável predomina até mesmo entre os indivíduos com maior escolaridade. Entre os respondentes com formação superior, 52% afirmaram que o sistema é sustentável, contra 41% deste estrato, que dizem o contrário. Já entre os indivíduos sem nenhum grau de instrução, o índice dos que declaram que o sistema é sustentável é menor:  30%, embora  48% deste estrato declarem não conhecer o assunto.

O levantamento mostrou também que as causas dos desequilíbrios estruturais da previdência social não foram corretamente compreendidos pelos brasileiros. Para 53% dos entrevistados, a previdência deve se manter apenas com as verbas arrecadas pelo INSS para este fim. “O índice demonstra que os indivíduos não compreenderam que o sistema já gasta mais do que arrecada e que está em desequilíbrio”, avalia Edson Franco, presidente da FenaPrevi.

Para 31% dos entrevistados, o INSS deve ser mantido também com verbas reservadas para outras áreas do orçamento do governo, o que comprometeria a disponibilidade de recursos para setores como saúde e educação, entre outros.

O estudo FenaPrevi-Ipsos também avaliou o entendimento dos brasileiros sobre a origem dos problemas da previdência. Apenas 15% dos entrevistados apontaram o modelo atual das aposentadorias e o envelhecimento da população como principais causas dos problemas do INSS.

Para 75% dos respondentes, o maior problema do sistema é a corrupção e o desvio de verbas. Esta percepção é mais arraigada entre os indivíduos das classes C (77%), seguida por AB (75%). Entre os respondentes da classe DE, a corrupção é apontada por 69% da amostra. “Mesmo entre os indivíduos de maior renda, percebe-se o desconhecimento do tema, o que dificulta o avanço do debate”, avalia Franco.

 

 

INSS é apontado como principal fonte de renda na fase de aposentadoria por 76% dos brasileiros

Pesquisa FenaPrevi-Ipsos mostra que 43% dos indivíduos planejam seguir trabalhando para garantir o sustento. Gastos com remédios e plano de saúde são principais fontes de preocupação para o futuro.

Mesmo acumulando déficts sucessivos e estando sob ameaça de colapso, a previdência social é apontada pelos brasileiros como principal fonte de renda na aposentadoria. Segundo a pesquisa FenaPrevi Ipsos, 76% dos entrevistados declaram que dependeriam do INSS para se sustentar na fase de pós-laboral.

Deste universo, 48% disseram que serão totalmente dependentes da aposentadoria oficial e 28% informaram que serão muito dependentes do sistema público. Apenas 18% dos brasileiros ouvidos consideram que dependeriam pouco do INSS e somente 3% informaram que não dependeriam da aposentadoria do governo. Outros 3% não responderam ou não souberam informar.

Entre indivíduos das classes AB (com renda média familiar R$ 8.449,61*) 61% declaram que dependeriam muito ou totalmente da aposentadoria pública. Na classe C (renda média familiar de R$ 2.268,46*) este índice salta para 80% dos indivíduos entrevistados, e na DE (renda média familiar de R$ 708,19*) avança para 82% dos ouvidos pelo levantamento. (*critério classificação ABEP).

Submetidos a questionário de múltipla escolha, além da previdência social, 43% dos indivíduos disseram que pretendem continuar trabalhando para garantir o sustento na aposentadoria e 18% informaram que irão contar com recursos acumulados em poupança, previdência privada e outras fontes de renda.

Já para 5% da amostra, a alternativa será contar com a ajuda de familiares, 4% esperam contar com rendimentos de imóveis e 11% não souberam responder.

De acordo com o levantamento, 63% dos entrevistados declararam que não fazem nenhum investimento para garantir a aposentadoria no futuro. Nas classes AB, 50% estão nessa condição. Na C, o índice salta para 64% e chega a 76% nas Classes DE.

Gastos – O estudo FenaPrevi Ipsos também investigou quais os gastos que mais preocupam os brasileiros na aposentadoria.  De acordo com o levantamento os remédios ocupam o topo da pirâmide, com 57% das menções em uma lista de múltipla escolha.

Os planos de saúde vêm em segundo lugar, com 48% das respostas, seguida por gastos com segurança, mencionados por 36% da amostra. Também preocupam os brasileiros os gastos com a educação dos filhos (26%), moradia e aluguel (24%), lazer (55%) e vestuário (2%).

Os gastos com remédios estão topo da pirâmide de preocupação dos indivíduos das classes DE (39% de menções neste estrato) e da Classe C (33% de menções).

Para os indivíduos das Classes AB, os planos de saúde são mencionados como principal fonte de gastos por 38% dos indivíduos de segmento social.

51% dos brasileiros esperam se aposentar antes dos 65 anos e 48% não sabem que valor receberão no futuro.

Resistência à aposentadoria aos 65 anos é maior entre mais ricos. Sul é o Estado mais aderente à aposentadoria mais tardia.

Entreos brasileiros entrevistados pela pesquisa FenaPrevi-Ipsos 51% esperam se aposentar antes dos 65 anos. Deste grupo, 9% gostariam de se aposentar com 50 anos ou menos, 11% têm a expectativa de se aposentar entre os 51 e 59 anos e 28% esperam se aposentar aos 60 anos.

Apenas 3% dos entrevistados pretendem se aposentar entre 61 e 64 anos e 15% esperam se aposentar aos 65 anos. O grupo que pensa em se aposentar aos 66 anos ou mais perfaz 5% dos entrevistados no levantamento e 2% não pretendem se aposentar. 17% não souberam responder ou admitem não ter pensado ainda sobre o assunto.

O levantamento mostra que quanto maior o grau de instrução dos entrevistados, maior a resistência em se aposentar aos 65 anos. Segundo o levantamento, 19% dos indivíduos com apenas o Fundamental I dizem que pretendem se aposentar aos 65 anos. O índice cai  15% entre os indivíduos com instrução até o Fundamental II, 13% para os que completaram o ensino médio e chega aos 9% entre os entrevistados com ensino superior.

Examinando a amostra por regiões, o Sul do país e a área geográfica mais propensa a aceitar a aposentadoria aos 65 anos, com 20% dos entrevistados aderentes a esta faixa etária. No Sudeste, 16% dos respondentes pensam em se aposentar nesta faixa etária e o índice é de 15% no Centro-Oeste.  Norte (12%) e Nordeste (10%) são os menos aderentes à aposentadoria aos 65 anos.

Idade Ideal – Os entrevistados foram questionados sobre qual seria a idade ideal para aquisição de direito de aposentadoria. Para as mulheres, 31% apontaram os 60 anos como idade ideal para adquirir a aposentadoria. 29% indicaram 55 anos. E 21% afirmaram ser os 50 anos.

Já os homens deveriam se aposentar aos 60 anos, segundo 47% dos entrevistados. Para 24% da amostra, a aposentadoria masculina deveria ocorrer aos 65 anos, 10% apontaram os 55 anos, 7% disseram 50 anos e 5% não souberam responder.

Valor de aposentadoria – A pesquisa FenaPrevi-Ipsos também verificou a expectativa de renda dos brasileiros na fase de aposentadoria. O resultado revela que grande parte dos brasileiros não faz ideia de quanto receberá na aposentadoria. O levantamento mostra que 48% dos entrevistados não sabem ou não responderam ao questionamento.

De acordo com a pesquisa, 13% da população brasileira alimenta a expectativa de chegar à aposentadoria com renda superior à verificada na fase laboral. Para 22% dos entrevistados, a expectativa é se aposentar com rendimentos entre 100% e 80% do obtido na ativa, 10% imaginam que receberão entre 79% e 60% dos rendimentos e 7% esperam receber menos de 60% dos rendimentos alcançados antes da aposentadoria.

As mulheres são as que apresentam mais dúvidas sobre os rendimentos na aposentadoria. 55% delas declararam não saber. No caso dos homens que não souberam dizer, o índice foi de 40%.

Já na avaliação por regiões a dúvida sobre quanto receberá na fase de aposentadoria é homogênea no país. 49% dos respondentes das regiões Nordeste, Sudeste e Sul declaram não ter a resposta para esta questão. No Norte do Brasil o índice é de 51%, e no Centro-oeste, 36%.

A incerteza sobre os rendimentos a serem recebidos na aposentadoria aumenta entre as classes mais baixas.  Entre os indivíduos das classes DE, 58% declaram não saber quanto receberão na fase de aposentadoria. Na classe C, o índice é de 47% e no AB, cai para 45%.

Pesquisa mostra que 38% dos brasileiros estão dispostos a guardar para o futuro

O levantamento FenaPrevi-Ipsos mostra que apenas 38% dos brasileiros estão dispostos ou têm recursos para fazer uma reserva para complementar os rendimentos na aposentadoria. 7% dizem não ter recursos para guardar e 55% não souberam responder.

De acordo com a amostra, 20% dos entrevistados pretendem aguardar até 10% dos rendimentos.  11% declaram estar dispostos a guardar entre 11% e 20% dos rendimentos presentes para construir reservas para a aposentadoria e 7% guardariam entre 21% e 40% das receitas atuais.

O grupo dos indivíduos entre 25 e 34 anos é o mais propenso a fazer reservas. 46% deste estrato estaria disposto a fazer reservas, seguido pelo estrato de 33 a 44 anos (38%) e dos mais maduros, de 45 a 59 anos (37%).

Os homens se mostram mais propensos a fazer reservas que as mulheres. Cerca de 44% deles declaram que estão dispostos a separar parte dos rendimentos para a aposentadoria ao passo que o índice é de 31% entre as mulheres.

Por análise geográfica, o Sul aparece como a região mais propensa a fazer reservas para o futuro: 53% dos declarantes. O Centro-oeste vem em segundo lugar, com 45%, seguido pelo Nordeste, com 40% e Sudeste, 34%. A região Norte é menos aderente a estratégia de fazer reservas no país (22%).

Previdência Privada – A pesquisa também mostrou que hoje 60% dos brasileiros já acham necessário ter um plano de previdência complementar para se preparar para a aposentadoria. De acordo com o levantamento 29% acham muito necessário, e 31% declaram necessário investir neste tipo de produto. Os que acham desnecessário e totalmente desnecessário somaram apenas 10% da amostra e 30% não souberam dizer ou não responderam.

A preocupação em ter um plano de previdência complementar é maior entre os jovens adultos. 63% dos indivíduos entre 25 e 34 anos declaram ser totalmente necessário ou necessário ter um plano de previdência complementar, mesmo índice entre os entrevistados de 35 a 44 anos.  Já entre os jovens de 16 a 24 anos e os adultos de 45 a 59, o índice é de 60%. Entre os maduros de 60 a 65 anos, 47% consideram relevante ter planos de previdência para complementar a renda na aposentadoria. E até mesmo os mais maduros, com 66 ou mais apostaram nesta modalidade de reserva: 52%.

As classes AB são as mais aderentes à ideia de fazer reservas por meio de planos de previdência complementar (71%). Na classe C o índice é de 61%, e na DE alcança 44%. Entre os homens, a previdência e uma alternativa relevante para 62%. Entre as mulheres, o índice é de 58%.

O Sul lidera o número de respondentes que classificam os planos de previdência como importantes ou muito importantes como estratégia de poupança de longo prazo: 78%. No Centro-oeste o índice é de 77%, no Sudeste chega 57% e Nordeste a 52%. A região Norte é a menos aderente, com 43%.

 

 

 

 

 

 

 

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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