O Valor Econômico publica hoje um especial de seguros com 23 matérias sobre diversos temas do setor. As matérias podem ser lidas por assinantes no portal. Não assinantes tem a opção de comprar a edição do jornal nas bancas, que traz o especial encartado.
Desafios e Estratégias – As seguradoras enfrentaram desafio semelhante ao dos bancos no período em que a inflação e os juros começaram a cair.Márcio Coriolano, presidente da CNseg, afirma que a mudança estrutural do setor começou na década de 90, quando detinha participação inferior a 1% no Produto Interno Bruto (PIB), com reservas técnicas em torno de R$ 3 bilhões. “Hoje o mercado contabiliza mais de R$ 1,2 trilhão em ativos, que são equivalentes a mais de 25% da dívida pública brasileira”, destaca. “As seguradoras foram obrigadas a se reestruturar, investir em tecnologia, criar facilidades e uma comunicação com mais empatia com o consumidor para manter a lucratividade”, sintetiza Edson Franco, CEO da Zurich.
Previdência – O tema traz quatros matérias no especial de hoje. A participação dos títulos públicos nas carteiras dos fundos de previdência privada – cujo patrimônio líquido somava R$ 765,61 bilhões em janeiro – bateu recorde naquele mês: respondiam por 85% dos portfólios, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). As novidades, que constam de resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) publicada em setembro de 2017, atenderam um antigo desejo do mercado de flexibilizar as regras de investimento e prometem trazer maior atratividade aos fundos de previdência complementar abertos a partir deste ano. “A partir de agora, será possível para a indústria desenhar produtos de previdência em que o investidor capture os retornos da renda variável”, explica o diretor do grupo Bradesco Seguros, Vinicius Cruz. Outra reportagem aborda que a pauta da reforma da Previdência Social, que permeou a agenda política de Brasília em 2017, deve passar ao largo das discussões dos candidatos no pleito eleitoral deste ano. “O desafio este ano é extraordinário. Temos cada vez mais que entender as necessidades do cliente e trabalhar com conceito de inovação digital. Utilizar as ferramentas de mídias sociais para treinar e fomentar a discussão”, diz Marco Barros, presidente recém-empossado da Brasilprev. A concorrência dos fundos também é tema do especial. A possibilidade de cobrança de taxa de performance pelos fundos de previdência, prática que aproximará esse instrumento a outras categorias de fundos, como os de ações ou multimercados, é outra mudança relevante introduzida pela resolução do CNSP. “A cobrança da taxa de performance deverá atrair para o mercado de previdência um número relevante de gestores independentes e qualificados”, diz o vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello. Também é citado que a mudança no patamar de juro no país e a aprovação de regras mais flexíveis para os planos de previdência têm sacudido o setor desde o fim do ano passado. “Ela é importante, pois permitir a criação de novos produtos tanto para clientes do varejo, que poderá ter até 70% (dos recursos aplicados) em renda variável, quanto para o investidor qualificado, em até 100%”, explica Edson Franco, presidente da Fenaprevi. A legislação, até então, proibia mais do que 49% de ativos de renda variável nos planos.
Saúde – Depois de perder quase três milhões de beneficiários nos últimos três anos, o setor de saúde suplementar espera pequena melhora em 2018 e conta com a retomada do emprego para isso, já que os contratos coletivos firmados por empresas somam 67% do total. Segundo a presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, 85% dos custos das operadoras são “não gerenciáveis”, ou seja, de difícil previsão. Ela coloca nessa conta tanto custos ligados aos serviços assistenciais, como de judicialização, desperdício e fraudes. “Temos que avaliar esses fatores que impulsionam a elevação dos custos. A solução depende de todos os players do setor, e não apenas das operadoras”, diz ela.
Capitalização – A Superintendência de Seguros Privados (Susep) vai anunciar na segunda quinzena de abril o novo marco regulatório do ramo de capitalização, que passará das atuais quatro modalidades (tradicional, popular, incentivo e compra programada) para seis categorias, com a regulamentação das modalidades instrumento de garantia e filantropia premiável.
Resseguro – O mercado de resseguros mostrou resiliência para enfrentar os anos de recessão. Com aposta na pulverização de linhas de negócios e maior interesse em assumir riscos do exterior, o volume de resseguros atingiu R$ 7,97 bilhões em 2017, alta de 7,9% sobre 2016 – considerando apenas os prêmios cedidos pelas seguradoras brasileiras. No mesmo período, segundo aponta relatório da T erra Brasis Resseguros, as resseguradoras locais também aceitaram mais riscos do exterior – foram R$ 2,26 bilhões em 2017, um avanço de 57% sobre 2016.
Corretores – A atividade de corretagem de seguros está em plena transformação no país, migrando cada vez mais para o digital. Embora ainda existam poucas iniciativas, as insurtechs – startups que aplicam tecnologias inovadoras para melhorar a experiência dos consumidores no setor de seguros -, vêm apresentando crescimento significativo depois de receberem aportes de grandes fundos de venture capital.
Insurtechs – Não há dúvidas de que a tecnologia invadiu o mercado segurador brasileiro. De um lado, observa-se uma corrida de grandes seguradoras para aprimorar a experiência dos clientes. De outro, o movimento crescente das startups no setor. Em fevereiro deste ano, existiam 55 insurtechs no Brasil, quantidade três vezes maior que um ano atrás, conforme levantamento feito pela Conexão Fintech a pedido do Valor.
Educação Financeira – A pauta educação financeira pode não ser nova para o setor de seguros, mas ganhou relevância e peso de dois anos para cá. Com a utilização mais agressiva de canais de comunicação, as seguradoras tentam chegar próximo de quem desconhece a funcionalidade ou a importância dos produtos que oferecem.
Fusões e Aquisições – Não existe um mês sequer em que o mercado segurador mundial deixe de anunciar negócios envolvendo fusões e aquisições (M&A). Segundo relatório do escritório de advogacia inglês Clyde & Co divulgado no início de março, 350 aquisições foram concluídas no setor de seguros em 2017 – em 2016 foram 387.
Vai e Vem – Desde 2017, a troca de executivos no mercado de seguros tem sido intensa. Parte desse movimento é consequência das fusões e aquisições, parte vem da aposentadoria de alguns profissionais. Mas a grande maioria delas decorre de mudanças das estratégias das empresas para enfrentar o futuro.
Seguro Garantia – Enquanto aguardam o destravamento da agenda de concessões e privatizações do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), cujos aportes em obras de infraestrutura podem chegar a R$ 132,7 bilhões, os players que operam com seguro garantia de grandes obras estão em compasso de espera pela aprovação, ainda em 2018, do Projeto de Lei (PL) 6814/2017.
Seguro Auto – O seguro para automóveis, por décadas, apresentou crescimento do volume de prêmios em torno de dois dígitos. Com a retração econômica a partir de 2014, o setor de seguro auto sofreu com o minguado incremento de 3,5% em 2015, queda de 2,4% em 2016 e aumento de 6,7% no ano passado. Em 2018, segundo os profissionais consultados, o prêmio do seguro auto vai ser mantido na casa de um dígito.
Seguro Rural – Após ver as apólices contratadas aumentarem 86,7% de 2015 para 2016, os cortes no orçamento do programa de subvenção do seguro rural levaram esse número a uma queda de quase 10% em 2017, na comparação com o ano anterior. O principal motivo foi a redução do valor destinado ao programa de subvenção do seguro rural, que passou de R$ 387 milhões em 2016 para R$ 368 m ilhões no ano passado, uma contração de quase 5%, explica Vitor Ozaki, diretor do departamento de gestão de riscos do Ministério da Agricultura.
Seguro Vida – O seguro que protege a vida das pessoas deve registrar, neste ano, crescimento parecido com os 10% observados no ano passado, quando começou a retomada da economia. O potencial é grande, avalia o presidente da CNseg, Marcio Coriolano. Segundo dados da FenaPrevi, o mercado de seguros para a proteção das pessoas – que in o mercado de seguros para a proteção das pessoas – que inclui as modalidades vida, acidente s pessoais, viagem, educacional, financiamentos, doenças -, fechou 2017 com R$ 34,53 bilhões em prêmios, valor 10,9 % superior aos R$ 31,13 bilhões de 2016.
Seguro Transporte – A vertiginosa escalada de roubos de cargas nos últimos anos alterou a relação entre as seguradoras, embarcadores e transportadoras. Em razão do alto risco de determinadas cargas e das falhas dos planos de gerenciamento de risco (PGR), algumas das mais importantes companhias deixaram de operar no ramo transportes e as que permaneceram aumentaram o seu rigor nas exigências, provocando um aumento médio nos pr&# 234;mios que pode chegar a 30%, principalmente nos trajetos que incluem as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Seguro Riscos Cibernéticos – A seguradora inglesa Lloyd’s prevê que os ataques de hackers causarão US$ 2 trilhões em prejuízos no mundo todo em 2020. Com isso, o crescimento do mercado de seguros para riscos cibernéticos é exponencial. Em 2017, o segmento gerou US$ 4 bilhões em prêmios nos EUA. O volume cresceu quatro vezes em apenas dois anos e deve chegar a US$ 10 bilhões em 2020.
Seguro D&O – O reaquecimento da economia, a retomada dos processos de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês), o maior rigor de órgãos reguladores e a aprovação das novas regras introduzidas pela Circular 553/2017 da Superintendência de Seguros Privados (Susep) que permite a contratação de cobertura para multas e penalidades devem fazer com que a arrecadação da carteira do D&O, o seguro de responsabilidade civil de executivos, avance dois dígitos em 2018.
Seguro Crédito – Pode-se dizer que períodos de crise econômica ajudam a alavancar algumas modalidades de seguro, como o de crédito. E o motivo é simples. Os calotes e as incertezas de fluxo de caixa e pagamentos entre empresas e seus fornecedores levam a busca por este tipo de proteção.


















