Seguradoras britânicas debatem desafios para 2018 e 2019

Fonte: Blog Sonho Seguro com agências internacionais

Três temas preocupam a indústria de seguros britânica no médio e longo prazo: envelhecimento e longevidade; engajamento e digitalização do cliente; e diversidade e inclusão nas empresas de seguros. “Parece-me que nosso mundo continua a mudar cada vez mais rápido em torno de nós. Estamos no meio de uma revolução digital que, na minha opinião, é a maior tendência macro que vimos há muito tempo”, comentou Andy Briggs, presidente da Association of British Insurers (ABI), similar a CNseg no Brasil, em seu discurso durante o evento anual da entidade realizado no último dia 27, em Londres.

Tais temas, pelo jeito, são os que preocupam toda a indústria mundial. Não por acaso esses também são os temas das discussões no 23º Encontro de Líderes do Mercado Segurador, que começa amanhã e termina no dia 4 de março, no Recanto Cataratas Resort, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Como nas edições anteriores, o encontro planeja discutir desafios, tendências e perspectivas em relação a temas como política, economia e inovações tecnológicas. O tema principal do encontro será “A visão de uma agenda para o desenvolvimento”. Márcio Coriolano, pr esidente da CNseg, entidade que reúne as seguradoras, destacará a importância do setor como um dos maiores investidores institucionais do país, ao deter mais de R$ 1,2 trilhão em ativos garantidores.

Andy Briggs, presidente da ABI: “Precisamos nos envolver e nos comunicar mais com os clientes”

Segundo o chairman da ABI, que também é diretor da Aviva, uma das seguradoras britânicas consideradas mais inovadora, a digitalização representa uma grande oportunidade, mas também um grande desafio. “Afetará todos os aspectos do nosso trabalho e todos os pontos de contato, desde relacionamentos de clientes até subscrição com marketing. Nós precisamos entender isso”, assegurou.

Sobre a longevidade, outra grande tendência que merece a atenção do mundo, Briggs afirmou: “Precisamos agir para garantir que os consumidores tenham informações, orientações e conselhos apropriados sobre suas economias e seus investimentos. Isso não é uma tarefa fácil. É um desafio crítico que devemos assumir”.

Ilustrando a tendência de longevidade, ele disse em 1917, quando a monarquia britânica começou a enviar telegramas para centenários, enviou 24 telegramas. Este ano, a Rainha enviará 10 mil cartas. Apesar da automaticidade em incluir as pessoas em planos previdenciários, as pessoas ainda não economizam o suficiente para sua aposentadoria, disse ele, o que deixa claro que é preciso ajudar que a sociedade pense mais na necessidade de poupar para garantir um futuro mais tranquilo e mostrar a ela mais o que o mercado oferece para ajuda-la a ter investimentos que façam frente a tal necessidade. “Precisamos nos envolver e nos comunicar mais com os clientes”, disse ele.

Briggs recomendou que as seguradoras trabalhem com o Financial Conduct Authority (FCA) , órgão responsável por regular e certificar profissionais financeiros no Reino Unido, para descobrir como servir melhor seus clientes. “Nós, como indústria, precisamos conversar com a FCA [para obter respostas às perguntas que recebemos de clientes que simplesmente não podemos responder, coisas simples que farão a diferença para os clientes”, comentou ele durante sua fala no evento.

“2017 não foi fácil e suspeito que 2018 não será mais fácil, mas devemos manter o foco principal da nossa indústria, de proporcionar tranquilidade aos nossos clientes, permitindo que eles invistam, protejam e tenham tranquilidade para viver “.

Flexibilidade versus segurança – Aqui no Reino Unido tem uma questão a mais e de suma importância. os desafios impostos com a saída da Gra-Bretanha da União Europeia, conhecido pela sigla Brexit, a partir de março de 2019. Um dia antes do evento, a ABI realizou um jantar de gala que contou com políticos, membros do governo, especialistas, seguradores entre outros.

“Eu queria abordar três áreas críticas que afetam todas as partes desta indústria, que afetam todos os tipos de clientes, varejo e comercial, e que estão no cerne do que o ABI está trabalhando. O primeiro é o Brexit e o que o segue depois desta medida. O processo de saída da UE e de criação de um novo caminho é inevitavelmente complicado e desafiador para todos os interessados, qualquer que seja a nossa opinião sobre a conveniência do resultado. É urgente a necessidade de um acordo de transição para nos levar além de março de 2019. Precisamos de uma transição direta e nós precisamos disso agora para ajudarmos empresas a terem um plano de contingência”, disse Huw Evans, diretor-geral da ABI aos  presentes no jantar.

Ele afirmou que as discussões sobre a transição do Brexit são “excessivamente complicadas” e que deverão durar até dois anos após março do ano que vem. Ele destacou dados da ABI que mostram que a atividade de seguros adiciona £ 40 bilhões por ano à economia e emprega 320 mil pessoas em 145 comunidades em todo o país (dois terços delas fora de Londres), além de ser a terceira maior indústria de exportações do Reino Unido.

“Podemos avaliar a diferença entre o feedback sobre uma falha técnica genuína e o lobby generalizado para uma regulamentação mais leve”, afirmou Woods

No dia seguinte veio a resposta clara e direta do vice-governador Sam Woods, um dos palestrantes. E ele foi enfático: “O Banco da Inglaterra não vai “ficar soft” na aplicação das regras de capital da União Europeia para as seguradoras, mas irá procurar maneiras de facilitar a entrada de novos concorrentes na indústria”. Ou seja, um sinal e tanto para que todos se reinventem diante dos desafios que a economia digital tem trazido para o mundo.

A Prudential Regulation Authority (PRA), órgão regulador de serviços financeiros do Reino Unido formado como um dos sucessores da FSA após a crise financeira de 2008, que Woods também dirige, estuda sobre como aliviar o ônus das regras de Solvência II, que as seguradoras dizem ser excessivamente onerosas. Num jantar realizado um dia antes do evento, no dia 26, as companhias criticaram o excesso de regulação e também os desafios impostos com a saída da Gra-Bretanha da União Europeia, conhecido pela sigla Brexit, a partir de março de 2019.

Woods reagiu as críticas e afirmou que “não mora em uma torre de marfim” e que está disposto a fazer algumas mudanças, mas não seria apressado em fazer grandes alterações. “Podemos avaliar a diferença entre o feedback sobre uma falha técnica genuína e o lobby generalizado para uma regulamentação mais leve”, afirmou Woods. O objetivo da regulação é não deixar a indústria de seguros perder de vista o consumidor, o que compra uma apólice, e evitar problemas como as falhas ocorridas no caso da Equitable Life, que afetou milhares de idosos e levou o grupo a falência.

Segundo Woods, até o momento não há evidência convincente para comprovem que as regras de solvência da União Europeia tenham reduzido a rentabilidade ou o crescimento das seguradoras britânicas. Nem mesmo impulsionado elevação dos prêmios para os segurados. Para a PRA, os principais focos da autarquia estão em manter a segurança e a solidez das seguradoras, bem como tornar o Reino Unido competitivo no cenário global. Sendo assim ser competitivo também significa estimular o mercado na busca por melhores produtos e serviços.

A Grã-Bretanha está deixando a UE no próximo ano, com termos comerciais incertos para as empresas financeiras que podem ter que confiar em um sistema de “equivalência” para acesso ao mercado do bloco. Na verdade, mudar a substância das regras da UE poderia tornar mais difícil para a Grã-Bretanha argumentar a equivalência, disse à Reuters um regulador de seguros de outros países da UE.

 

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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