Valor Econômico: Dinâmica digital

O Suplemento de Seguros do Valor Econômico traz um raio X da inovação que seguradoras, resseguradoras, corretores e prestadores de serviços ligados ao setor vem promovendo no último ano. As ações vão desde uma simples mudança no canal de atendimento incluindo WhatsApp até a implementação do cartório digital, conhecido como Blockchain.

O especial circula na edição de hoje do jornal e está disponível no portal para assinantes

Inovação – O uso da tecnologia chega aos poucos ao conservador mercado de seguros e começa a promover uma verdadeira revolução digital. Em julho, o mundo contava com mais de 1,6 mil insurtechs, empresas de tecnologia para seguros, segundo a consultoria CB Insights.

Estatísticas – A Confederação Nacional das Seguradoras, a CNseg, que reúne as federações de seguros gerais, vida e previdência, capitalização, além de saúde, reduziu a projeção de crescimento do mercado para 2017 depois de analisar os resultados de julho. A estimativa no inicio do ano era de crescimento entre 8% a 10%, agora está entre 6% e 7,5%. Em 2016 o setor chegou próximo de R$ 392 bilhões, considerando-se os R$ 156 bilhões da saúde suplementar.

Previdência – O cenário de juro baixo, comemorado por boa parte dos agentes econômicos, tem incomodado o investidor de longo prazo. Os produtos de previdência, que historicamente ficavam estacionados em títulos do Tesouro atrelados à inflação, e que pagavam prêmios de 7% ao ano, estão tendo que se mexer.

Vida – O seguro de vida individual registrou de janeiro a julho deste ano alta de 26%. Edson Franco, presidente da FenaPrevi, credita o crescimento a uma maior conscientização da população sobre os benefícios dos produtos disponíveis.

Saúde – O número de beneficiários de planos de saúde vem caindo de forma expressiva nos últimos anos, em consequência do desemprego e da recessão. Desde 2014, quando o setor alcançou o maior total de usuários ao longo do tempo, 50,4 milhões, mais de 3 milhões deixaram o sistema, cerca de metade deles em 2016.

Saúde 2 – Se depender da avaliação da maior parte das entidades e instâncias a que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) submeteu a proposta de planos de saúde acessíveis do Ministério da Saúde, ela será rejeitada ou modificada de modo profundo.

Capitalização – A Superintendência de Seguros Privados (Susep) reavalia a regulamentação do segmento de títulos de capitalização para torná-lo mais atraente do ponto de vista do consumidor.

Atendimento Digital – Melhorar a experiência do cliente, acompanhar a jornada do consumidor ou simplesmente atingir melhores índices de qualidade no atendimento. Seja qual for o nome que se dá para o conjunto de iniciativas que buscam aperfeiçoar a relação das seguradoras com seu público, há uma importante aliada que promete importantes contribuições: a base de celulares no mercado brasileiro.

Grandes Riscos – O mercado brasileiro de seguros para as empresas cresceu 6,4%, para R$ 8,2 bilhões, no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2016, de acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), em levantamento divulgado pelo portal Risco Seguro, que analisa 39 linhas de seguros voltadas para empresas.

Infraestrutura – Apesar do cenário político incerto, o mercado de seguro e resseguro aguarda com ansiedade o deslanchar do Programa de Parcerias em Investimentos (PPI) do governo federal. A expectativa é que as obras possam reanimar os contratos em um segmento que vem sofrendo nos últimos anos com a crise econômica e falta de grandes projetos.

Transporte – A diminuição no volume de mercadoria transportada e o aumento da incidência de roubos impuseram uma nova realidade para seguradoras e transportadoras no país. Nos dois últimos anos, o setor vem enfrentando aumento de custos com práticas de prevenção, gerenciamento de risco e seguro.

Drones – Parecem aviões de brinquedo, mas, na verdade, são máquinas poderosas que conseguem chegar, com precisão, em áreas inacessíveis. No Brasil, o uso das aeronaves remotamente tripuladas, mais conhecidas como drones, foi regulamentado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em maio. Entre as regras está o seguro obrigatório com cobertura contra danos a terceiros nas operações de drones com mais de 250 gramas.

Estilo de Vida – Para a advogada Érika Scudeler Paulino, fazer um seguro residencial não foi uma escolha, mas uma exigência da imobiliária. Para ela, o importante era encontrar um produto com o melhor custo benefício. Depois de analisar três orçamentos, optou por um seguro que, além do melhor preço, oferecia serviço de chaveiro, hidráulica, entre outros pequenos reparos.

Riscos Cibernéticos – A cibersegurança chegou ao topo das corporações. Antes um tema debatido apenas com os profissionais de tecnologia das empresas, agora é pauta de reuniões demandadas pelos CEOs e membros dos conselhos de administração de grandes grupos, conta a especialista em riscos cibernéticos da corretora JLT, Marta Helena Schuh: “A demanda pelo produto aumentou 100% neste ano”.

Segurança Cibernética – As elevadas perdas geradas por ataques de hackers tornaram o risco cibernético um tema prioritário nos conselhos de administração de grandes grupos. Fernando Saccon, especialista no assunto da Zurich, que acaba de lançar o produto para a área no Brasil após oito anos de atuação no mercado europeu e americano, afirma que a demanda por informações está muito aquecida no Brasil.

D&O – As seguradoras têm pouco mais de um mês para adaptar e protocolar os planos do “novo” D&O (sigla para Directors and Officers Liability Insurance), o seguro de responsabilidade civil de executivos, administradores e conselheiros de empresas, junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep).

‘Millennials’ – A geração milênio quer todos os benefícios da tecnologia e não tolera esperas nem burocracias. Muitos, na compra de um produto, preferem não se preocupar com manutenções, taxas, impostos, não preenchem papéis e os compromissos que aceitam são todos virtuais. Quando se trata de pagamento, a preferência é pelo maior número de parcelas, sem juros. Uma seguradora de São Paulo testa uma solução que satisfaça a ânsia dessa geração, pelo menos quanto à sua mobilidade.

Carreira – Se os jovens da geração milênio sabem muito bem o que seus colegas buscam e a maneira como gostam de ser tratados, ninguém melhor do que eles para estar do outro lado do balcão. Nascidos após 1982 e conhecidos também como geração , eles têm características de consumo atreladas a atitudes como rapidez e praticidade.

Insurtech – Empresas de tecnologia começam a chacoalhar o mercado de seguros brasileiro. Realidade há mais tempo em outros países, como EUA e Inglaterra, as chamadas insurtechs ganham força por aqui.

Auto – Renovar o seguro de um veículo deixou de ser um gesto automático de pegar o telefone e ligar para o corretor quando se aproxima o vencimento da apólice. Na medida em que o valor do prêmio sobe além do orçamento doméstico, o consumidor tem buscado pesquisar modelos alternativos de manter o seu veículo segurado, mas em condições que não pesem no bolso.

Popular – Regulamentado no ano passado pela Susep, o Seguro Popular (que permite o uso de determinadas peças não originais) ainda é visto com ceticismo pelo mercado segurador. Até o momento, apenas duas seguradoras – Tokio Marine e Azul colocaram seus produtos na praça.

Sob Medida – Aumento da criminalidade nos grandes centros urbanos, queda na taxa de juros com impacto nas margens de lucro das aplicações financeiras das seguradoras, alta no preço das peças de reposição e números da indústria automotiva apontando recuo de 2,99% no volume de emplacamento em relação a agosto de 2016.

Eventos – Bem antes de Pete Townshend e Axl Rose pisarem no palco mundo, um dos quatro da edição de 2017 do Rock in Rio, a Cidade do Rock havia sido minuciosamente “varrida” por especialistas do setor de seguros, cuja atuação começa na avaliação dos riscos.

Viagem – Passagens compradas, hotel reservado, hora de embarcar. Mas e se acontecer algum imprevisto? Embora tenha ganhado força nos últimos anos, o seguro viagem ainda é um item que os brasileiros ignoram ou deixam para contratar na última hora, diz Ana Badaró, diretora de personal lines da corretora BR Insurance.

Viagem 2 – Mesmo com a crise, os brasileiros continuam a viajar, o que serve de combustível para o mercado de seguro viagem manter em 2017 o crescimento vigoroso dos últimos anos. De janeiro a julho, a modalidade atingiu R$ 317,32 milhões em prêmios, montante 55,5% superior ao volume registrado no mesmo intervalo de 2016, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).

Diversidade – A diversidade e a inclusão estão se transformando em temas permanentes na pauta de iniciativas do setor de seguros. Torna-se mais atrativa a perspectiva de que tanto a inovação quanto o entendimento do cliente podem ter como base o trabalho com grupos que permitem capturar mais amplamente as ideias, vivências e origens.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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