ARTIGO: Exportar pode ser o caminho em momentos de crise

por Marcele Lemos, presidente da Coface no Brasil

Algumas turbulências tendem a demorar um pouco mais a passar do que outras. Em outros casos, juntam-se a um cenário já não muito favorável, outras complicações. É esta a atual situação do Brasil, no qual havia um crise econômica e que agora ‘ganhou’ de presente uma crise política. No entanto, a roda precisa continuar girando, as empresas necessitam dar continuidade aos seus negócios, independentemente do seu core business.

A crise pode ser bem severa para as organizações, inclusive limitando-as a linhas de crédito para investimento e deixando-as mais suscetíveis ao default. É preciso uma estratégia de desenvolvimento de novos produtos, aperfeiçoamento do que já tem ou, ainda, a exploração de novos mercados, inclusive fora do país de origem da empresa.

Exportar pode ser uma saída. Falando sobre o âmbito macroeconômico, a exportação de produtos e serviços é bem positiva para a balança comercial, a conta corrente e os pagamentos de qualquer país, além de um multiplicador das receitas da economia, em geral, e dos agentes que participam, em particular. No aspecto microeconômico, exportar permite que as empresas diversifiquem os riscos diante de mercados internos instáveis e façam frente a eventuais altos e baixos na economia nacional, regional ou internacional. É fundamental compreender a importância da internacionalização para a abertura de novos mercados.

No entanto, sempre há riscos. Por isso, uma ferramenta que pode tranquilizar gestores das empresas é o seguro de crédito à exportação. Ele garante ao exportador a indenização por perdas líquidas definitivas, em consequência do não recebimento de crédito concedido a cliente no exterior. Além disso, funciona como instrumento de prevenção e ferramenta de cobrança. Entre as garantias vinculadas às vendas externas, esta modalidade de seguro é a que apresenta o menor custo.

Na medida em que o seguro de crédito à exportação pode ser aceito como garantia pelas instituições financeiras, ele facilita o acesso a financiamentos. Ele garante os financiamentos de crédito à exportação contra: risco comercial, quando o financiador não recebe seus créditos concedidos ao Importador; risco político, mora, rescisão arbitrária, moratória geral decretada pelas autoridades do país devedor; e riscos extraordinários que impeçam o pagamento da dívida financiada, como guerras, revoluções, catástrofes naturais. O seguro de crédito à exportação cobre os percentuais de 95% em caso de risco comercial e 100% em risco político e risco extraordinário.

Sendo assim, é importante que as organizações se valham desta ferramenta que é muito importante para o desenvolvimento do comércio internacional brasileiro e para a conquista de novos mercados, sem que o exportador precise incorrer em riscos significativos. Para que possa se prevenir adequadamente dos riscos, o exportador deve, antes de mais nada, se aplicar em definir claramente no contrato de seguro suas obrigações a serem cumpridas antes, durante e depois da realização das exportações. Isso evita problemas futuros e facilita a negociação no momento de um eventual sinistro.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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