O Brasil tem sido um Porto Seguro para pop stars, como Paul McCartney, que chega ao Brasil novamente no segundo semestre deste ano, junto com ColdPlay e vários outros. Marisa Monte já começou a vender ingressos para a temporada de novembro do show com Paulinho da Viola. O Lolapaluza anunciou nesta semana que o evento terá três dias, um a mais do que as edições anteriores. E tudo isso precisa de seguro. Seguro que cobre vários tipos de perdas financeiras dos produtores.
O seguro, aliás, tem sido uma exigência dos investidores, que querem a garantia da realização do show e de que terão seu lucro mesmo na ocorrência de uma desistência do pop Star, como fez recentemente Justin Beber, que cancelou a turnê alegando cansaço físico. Enfim, imprevistos acontecem e se estiverem mensurados e com garantias, ok.
Vale lembrar o filme Jurassic Park. Como muitos são jovens e não assistiram o episódio inicial, vou contar. A trama começa com o dono do parque recebendo os inspetores de riscos das seguradoras. Ele tinha de fazer isso para conseguir abrir o parque e também por exigência dos investidores, que não permitem que o parque comece a operar sem um seguro que garanta danos causados a terceiros.
O Brasil chega nesse patamar de sustentabilidade um dia. Tenho certeza. Esta caminhando para isso. Uma prova é o cinema. Em julho entrou em cartaz nos cinemas brasileiros o novo filme protagonizado por Selton Mello: Soundtrack. A obra tem o apoio da consultoria e corretora de seguros Aon. Ciente do seu papel junto as comunidades e no desenvolvimento sustentável dos negócios, ao invés de oferecer apenas um apoio financeiro para a realização do filme, a Aon fez um estudo dos riscos envolvidos nas etapas de pré-produção, produção e pós-produção e desenhou o pacote de seguros. A seguradora escolhida foi a Chubb, uma das pioneiras no segmento.
A produção cinematográfica é exposta a muitos riscos. É fundamental chamar a atenção dessa indústria para a existência de pacotes de seguros que compreendem essas possibilidades e mitigam eventuais problemas. Dessa forma, o cinema brasileiro terá exibições melhores e mais seguras. “Nossa primeira preocupação foi entender, em termos gerais, como os diretores pretendiam executar o filme. Precisávamos conhecer o cenário de riscos, a equipe envolvida, equipamentos, objetos cenográficos, condições e locações onde as cenas seriam filmadas. Todo o briefing da produção, desde a pré-produção até a pós-produção”, comenta Midiã Borges, Especialista em Riscos e Seguros para Entretenimento e Eventos na Aon Brasil, em nota divulgada à imprensa.
O desenho do pacote de seguros do filme reuniu coberturas como seguro de acidentes pessoais para a equipe e os prestadores de serviço, morte acidental e por qualquer causa, invalidez permanente total ou parcial, além de assistência médica e odontológica. “Essas coberturas ajudam a formalizar as relações de trabalho. A indústria cinematográfica ainda tem muita informalidade e os seguros oferecem apoio para esses trabalhadores, contribuindo com a profissionalização do setor”, defende Midiã.
“Diante de um projeto cinematográfico, do seu gênesis até seu último momento, que é após o seu lançamento, nós estamos sempre administrando riscos”, analisa Julio Uchoa, produtor executivo do SoundTrack.
Com o objetivo de dar tranquilidade aos produtores, também foram consideradas outras coberturas importantes que muitos não se atentam na hora da contratação como: o seguro de responsabilidade civil, que cobre reembolso por danos involuntários, materiais e corporais, causados a terceiros, decorrentes de acidentes relacionados com as atividades exercidas para produção e realização da filmagem; o seguro de não comparecimento, que serve para reembolsar os custos de produção caso um artista fundamental, ou até mesmo o diretor do filme, não possa comparecer à gravação em um determinado dia; o seguro designado como suporte, para indenizar o segurado caso algum acidente provoque a perda do HD onde o filme está armazenado; e proteção de equipamentos cinematográficos, para ressarcir o valor de equipamentos de gravação, sonorização e projeção, objetos cenográficos, figurinos ou veículos de cena que por algum motivo sejam danificados durante as filmagens ou até mesmo roubados.
“Proporcionalmente, o custo do seguro é tão barato comparado ao custo da produção cinematográfica, que a exposição aos riscos não compensa, mas ainda é preciso quebrar alguns paradigmas e desenvolver uma cultura de seguros no segmento audiovisual brasileiro. Esse é o nosso papel como consultoria: analisar e cuidar dos riscos dando tranquilidade para os produtores realizarem sua arte”, acredita Midiã.
Curiosidades: acidentes durante gravações resultam no pagamento de grandes indenizações
Infelizmente, acidentes no estúdio são relativamente comuns e podem resultar em ferimentos e fatalidades, multas e indenizações. “Nos Estados Unidos e Europa, poucas produtoras se arriscam a iniciar projetos sem coberturas completas para as mais variadas situações. Com o amadurecimento do cinema nacional, essa percepção também está se desenvolvendo no Brasil”, afirma a especialista em Riscos e Seguros para Entretenimento e Eventos da Aon Brasil.
Algumas das principais empresas cinematográficas do mundo compilaram dados de acidentes em estúdios desde o ano 2.000 até hoje. Ao todo, foram registradas 37 mortes. “Mesmo que a produção seja muito cuidadosa e os riscos extremamente bem gerenciados, acidentes acontecem”, diz Midiã Borges.
De fato, existem diversas histórias públicas de acidentes em grandes produções. Durante a filmagem de Guerra nas Estrelas: O despertar da Força, uma porta hidráulica da nave espacial Millenium Falcon foi fechada no momento errado e quebrou a perna esquerda do ator Harrison Ford. O evento desencadeou uma investigação do departamento de Saúde e Segurança do Reino Unido, que aplicou uma multa de £ 1,6 milhão na produtora do filme. Na época, o responsável pela apuração disse que havia “risco de morte”. Felizmente, Harrison Ford sobreviveu.
O ator britânico Roy Kinnear não teve a mesma sorte na filmagem de O retorno dos Mosqueteiros. Ao filmar uma cena com um cavalo, ele sofreu uma queda, quebrou a bacia, teve uma hemorragia interna e morreu no dia seguinte em um hospital em Madri. A família do ator processou a produtora e recebeu £ 650 mil de indenização.
Durante a gravação de uma sequência de ação para o filme Cyborg, de 1989, o ator Jean-Claude Van Damme acidentalmente acertou o colega Jason Rock Pinckney no olho esquerdo. Pinckney perdeu a visão daquele olho e Van Damme teve que pagar uma indenização de quase US$ 500 mil.
“Na medida em que a indústria amadurece, seus riscos vão se tornando mais complexos. A produção audiovisual brasileira está em transformação e agora precisa desenvolver um olhar de gerenciamento de riscos”, conclui Midiã.



















Excelente!!! Parabéns pela excelente reportagem!!!! Abraços Midiã Borges