Estadão traz especial Finanças Mais, com destaque para mercado segurador

O mercado segurador ganha destaque na mídia nacional. Depois do Suplemento Seguros e Resseguros divulgado pelo Valor Econômico, hoje foi a vez do jornal Estado de São Paulo (Estadão) divulgar o especial Finanças Mais, numa apresentação que acontece nesta manhã, em São Paulo, com a presença do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

A Austin Rating, em parceria com o Estadão, analisou os principais indicadores de 360 instituições do Sistema Financeiro Nacional, como bancos, corretoras, distribuidoras, financeiras, empresas de leasing e seguradoras. Juntas, essas companhias somaram R$ 8,5 trilhões em ativos, R$ 671,8 bilhões em patrimônio líquido e R$ 342,2 bilhões em lucro líquido em 2016.

O especial afirma que o setor financeiro conta com segmentos que avançam e conseguem ter desempenho bem superior ao da economia. Um caso clássico dessa resiliência pode ser notado com seguros e previdência. Dados da CNSeg apontam que o conjunto global (que inclui ramos elementares de seguros, planos de risco e de acumulação, capitalização e saúde suplementar) pulou de 2% para 6% de participação no PIB na última década.

Para especialistas, o avanço mesmo diante da crise é sustentado por dois fatores principais: a maior conscientização/educação financeira por parte da população, que passou a buscar pr odutos de seguros e previdência para proteger patrimônio e renda para a aposentadoria, e um mercado que ainda tem muito espaço a ser explorado.

Contudo, Márcio Coriolano, presidente da CNSeg, alerta: para desenvolver ainda mais o mercado, o governo, precisa usar a regulação para atrair e não inibir a entrada de novos consumidores. Nesse sentido, o País carece, segundo o especialista, de uma regulamentação mais adequada para que os microsseguros — que têm como foco produtos direcionados aos mais pobres — possam se desenvolver no País. Fomentar esse segmento, dessa forma, seria uma maneira de auxiliar a população mais vulnerável, num mercado potencial estimado em cerca de 100 milhões de consumidores.

O especial pode ser visto aqui

Previdência – O Bradesco Vida e Previdência lidera o ranking da categoria previdência de Finanças Mais. Com uma carteira de 2,6 milhões de participantes, a instituição viu sua receita em previdência aumentar 8% em 2016 na comparação com 2015, atingindo faturamento de R$ 36,4 bilhões. A expectativa para 2017, diz o CEO Jorge Nasser, é manter a taxa de crescimento dos anos anteriores, que variou entre 8% e 10%. Para o executivo, com menos pessoas nascendo e menos pessoas entrando no mercado de trabalho, há, portanto, menos profissionais na ativa para financiar a aposentadoria pública. E a tendência é que a busca por previdência privada aumente ainda mais nos próx imos anos.

Vida – O grupo segurador Banco do Brasil e Mapfre liderou o ranking na categoria seguradoras/vida de Finanças Mais, seguido por Kirton e Itau. A instituição fechou 2016 com 9,7 milhões de vidas seguradas, ramo responsável por 33,5% dos negócios do conglomerado. Em segundo lugar no ranking de Finanças Mais está a Kirton Seguros, que teve lucro líquido de R$ 259,57 milhões em 2016. A companhia pertencia ao Banco HSBC e se encontra em transição para o Bradesco, que concluiu a aquisição das operações do HSBC no Brasil em julho de 2016, por R$ 16 bilhões.

Rural – O produto não contemplam nem metade da necessidade. Neste cenário, o Fundo de Catástrofe – lei complementar de agosto de 2010, que aguarda regulamentação – surge como uma ferramenta para alavancar o seguro rural no País ao substituir Fundo de Estabilidade do Seguro Rural (FESR). “O mecanismo (FESR) sofre com dificuldades de acesso aos recursos do orçamento da União e uma das críticas do mercado a ele é o fato de não ter recursos suficientes para garantir a estabilidade do seguro rural”, diz Wady Cury, diretor geral do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre.

Auto – O setor automotivo amargou queda de 20% nas vendas de veículos novos em 2016. Para driblar esse cenário, seguradoras que comercializam coberturas para automóveis adotaram estratégias diferenciadas e fecharam o ano com redução de apenas 2,5% no prêmio total. Algumas conseguiram até registrar expansão. É o caso da Tokio Marine, que apresentou crescimento de 7% no número de prêmios, e ocupa a primeira colocação do ranking, seguida por Indiana (Liberty) e Itaú.

Riscos Financeiros – O volume de prêmios emitidos pela seguradora em 2016 R$ 450 milhões, alta de 20% sobre 2015, resistindo à piora do cenário econômico que impactou no volume de obras demandantes do produto. O seguro garantia, incluso no ramo de riscos financeiros e que assegura o cumprimento de obrigações contratuais, responde por 98% das vendas da J. Malucelli, que também emite fianças locatícias, na liderança do ranking, seguida por Pottencial e Austral.

Seguros Gerais – “Mesmo com cenário de retração no Brasil, o mercado de seguros em geral resistiu e cresceu em torno de 10% em 2016”, diz Gabriela Ortiz, diretora-presidente da Caixa Seguradora, primeira do ranking. “Nós investimos bastante em inovação de processos e no lançamento de produtos, principalmente nas linhas de serviços financeiros.” A Fairfax Brasil Seguros Corporativos, segunda no ranking, contabilizou em 2016 ativo total no montante de R$ 1,49 bilhão. A Pan Seguros aparece em terceiro lugar no ranking, com R$ 2,32 bilhões de ativo total em 2016. No mesmo período, a companhia apresentou lucro de R$ 50,6 milhões.

Seguro Patrimonial – A Zurich Santander Brasil Seguros conquistou a liderança no ranking da categoria seguradoras/patrimonial de Finanças Mais, seguida por BB Mapfre e Safra. Na avaliação de Glaucia Smithson, diretora de seguros empresarias e de vida e previdência corporativos, e de Fábio Tullman, superintendente de grandes riscos, a posição está amparada na especialização que o grupo trouxe para o Brasil em diferenciais como atendimento personalizado. “Conseguimos trazer para o cliente a solução que ele precisa. Pode parecer simplista esse conceito, mas faz toda a diferença no negócio”, comenta Tullman. “Cuidar do cliente não é só olhar a situação específica, mas fazer uma análise profunda para a proteção global”, complementa Glaucia.

Saúde – Bradesco, SulAmérica e Unimed lideram o ranking. “Estamos trabalhando para contribuir com as empresas no redimensionamento de planos e em esforços para reduzir os custos administrativos e de rede”, explica Manoel Peres, diretor geral da Bradesco Saúde, primeira no ranking, e da Mediservice, adquirida pelo Bradesco em 2017 e voltada para grandes corporações. Peres afirma que, mesmo com o redesenho, as coberturas seguem as mesmas, mas há mudanças no patamar de reembolso e de rede credenciada.

Capitalização – Falar em queda no faturamento sugere piora no quadro geral dos negócios. Mas esse não é o caso da Brasilcap, primeira no ranking de seu segmento em Finanças Mais, seguida por Bradesco e Satander. O faturamento, em 2016, recuou 13%, para R$ 5,6 bilhões. Nos demais indicadores, no entanto, só boas notícias, com lucro líquido de R$ 439,2 milhões, 15,9% superior a 2015, e uma base de clientes avançando 23%, a 3,9 milhões de pessoas. Diversificação nos canais de distribuição do produto, foco nos títulos de capitalização mais populares e boa ge stão dos ativos explicam o desempenho da instituição.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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