BrasilPrev foca educação e consultoria para crescer em 2017

ATUALIZADA AS 10:22 DO DIA 9 DE DEZEMBRO

2016 foi um ano difícil, mas trouxe ganhos para a Brasilprev, afirma Paulo Valle, presidente da companhia de previdência aberta do Banco do Brasil em sociedade com a americana Principal. “Apesar da crise, o setor de previdência contou com novas regulamentações que colocam o Brasil no mesmo patamar dos países mais avançados do mundo neste tema, além da discussão em torno da reforma da Previdência ter despertado o interesse de um grande número de pessoas preocupadas com o futuro da aposentadoria”.

A companhia lidera o ranking de captação líquido, totalizando R$ 20,8 bilhões em outubro de 2016, 14% acima do resultado de outubro passado. Os ativos sob gestão da BrasilPrev totalizaram R$ 188,3 bilhões, 32% acima do mesmo período do ano passado. A arrecadação acumulada somou R$ 35,9 bilhões, alta de 20,5%. São 1,9 milhão de clientes na empresa com planos abertos. Pouco perto dos 64,6 milhões de clientes que se relacionam com o Banco do Brasil, o que demostra um potencial e tanto para ser explorado nos próximos anos.

Diante disso, a BrasilPrev investe pesado em pesquisas de mercado para buscar oportunidades. Uma delas foi: quanto guardar para a aposentadoria? A referência do estudo é de poupar 17% para aqueles que não tenham outra renda alguma na aposentadoria, considerando-se o aporte desde o primeiro emprego até a aposentadoria, com taxa de investimento de 5%. Tal contribuição considerando o prazo de 40 anos, significaria ter capital para comprar renda vitalícia equivalente a 100% do salário até o último dia de vida. A responsabilidade da BrasilPrev, segundo ele, é orientar o cliente a ajustar esse percentual ao longo do ciclo de vida de cada um. “Pode cair para 15% ou subir para 19% dependendo do cenário econômico do país. Tem de acompanhar o investimento para ter certeza de que o sonho será realizado”, afirma Valle em

A meta ideal difere muito da realidade detectada pela BrasilPrev. A média de contribuição é de R$ 400 por mês e com início dos aportes aos 41 anos. Eis aqui mais um desafio. Levar educação financeira a toda a base da sociedade. Com base na pesquisa sobre quem poupa e quem não pouca e quais os motivos, a BrasilPrev criou o ABC da previdência, um programa que visa a educação financeira com base na aposentadoria. As iniciativas incluem ações nos canais digitais, na consultoria por meio do treinamento de gerentes e também apoio a publicações que esclarecem o que é a previdência.

Os que já se preocupam em poupar também precisam de uma consultoria financeira, pois tendem a aplicar em ativos de curto prazo, tendo como referência o CDI. Para Valle, ficar focado na aplicação da reserva previdenciária em CDI é um erro. “Quem investe em previdência, que é um ativo de longo prazo, não tem de ficar de olho na volatilidade diária”, opina. Em um exercício apresentado levando-se em conta os últimos cinco anos, o cliente que aplicou em CDI de curto prazo obteve 67% em rendimento. Já o que aplicou em títulos de longo prazo obteve rendimento de 80%.
O setor aguarda a regulamentação pela Susep da Resolução do Conselho Monetário Nacional 4.444, que possibilita maior diversificação dos fundos bem como amplia o limite de investimentos em renda variável de 49% para 70%, sendo que deste limite 10% podem ser aplicados em ativos no exterior. “Essa mudança está aproximando o mercado de previdência brasileiro ao patamar dos mercados mais desenvolvidos”, afirma Valle.

Para 2017, além dos desafios da macroeconomia e também da educação, trazer as pequenas e médias empresas para o setor, com benefícios do governo, está na pauta do setor. “Certamente isso ajudaria muito a popularizar a previdência”, afirma. Atualmente somente as empresas tributadas com base no lucro real podem deduzir integralmente da base de cálculo do IRPJ, até o limite de 20% da folha de salários dos participantes do plano, as contribuições que fazem para planos de previdência em nome de seus colaboradores e dirigentes.

“Em síntese, para a maioria das empresas, significa dizer que algo em torno de 34% (25% IRPJ e 9% CSLL) do valor da contribuição que a empresa faz ao plano de previdência são provenientes dos tributos que deveriam ser recolhidos por ela ao fisco, e os restantes 66% saem efetivamente do caixa da empresa”, explica Nelson Ignacio Katz, diretor de planejamento e controle da empresa.

Quanto a estar enquadrada nas regras de capital de risco (mercado, crédito, subscrição e operacional) determinadas pela Susep, a BrasilPrev já está de acordo com todos eles, inclusive com a exigência do risco de mercado, que tem de ser concluído uma parte em dezembro de 2016 e outro em 2017. “Já foram feitos testes e a capitalização da BrasilPrev foi feita com a retenção de ganhos de anos anteriores”, diz Katz.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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