Venda de ativos da AIG para Fairfax não inclui Brasil

Atualizada as 15h45 com entrevista com a Fairfax:

Mais um anúncio de fusão e aquisição no mundo de seguros. Mas desta vez o Brasil ficou de fora. A seguradora American International Group (AIG) fechou acordo para vender para a canadense Fairfax Financial Holdings alguns negócios na América Latina e também da Europa Central e Oriental por cerca de US$ 240 milhões em dinheiro.

A AIG, que tem estado sob pressão dos acionistas para enxugar seus custos e divulgou no início do ano um programa de cortes de custos, disse que iria vender operações na Argentina, Chile, Colômbia, Uruguai, Venezuela e Turquia. A Fairfax também vai adquirir operações na Bulgaria, República Tcheca, Hungria, Polonia, Romania and Slovakia.

Na América Latina, a Fairfax não levou as operações do Brasil, México Porto Rico e Equador da AIG. Brasil, México e Porto Rico se reportam ao CEO da unidade brasileira, Paride Della Rosa. “Esses países são considerados mercados estratégicos, com projeções de crescimento de vendas e de rentaiblidade promissoras”, explicou o executivo ao blog Sonho Seguro. Segundo ele, México e Porto Rico não tiveram mudanças como a que vimos no Brasil, que teve a operação repaginada neste ano.

Segundo Jacques Bergman, chairman da Fairfax para a América Latina, sediado no Brasil, o grupo amplia sua atuação na região com a compra anunciada hoje pela matriz. “Cada país tem o seu CEO e todos terão apoio da unidade de Miami para a integração assim que as autoridades regulatórias aprovarem as negociações”, comentou ele ao blog Sonho Seguro.

A Fairfax começou do zero no Brasil em 2010 para atuar em grandes riscos e com a mudança de cenário do Brasil a partir do final de 2014 passou a atuar em novos nichos para compensar a paralisação dos investimentos corporativos. A perspectiva é de que 2016 seja o primeiro ano de lucro para o grupo. Entre as carteiras com maior destaque neste ano, Bergman cita responsabilidade civil, garantia judicial e rural, que contribuíram para a companhia exibir índice combinado de 101% até setembro deste ano.

Quanto a AIG e Fairfax atuarem como joint venture, assim como acontece em outros países, ambos executivos desconhecem qualquer iniciativa das matrizes a este respeito no Brasil. “O Brasil ficou fora do pacote negociado por ser um país estratégico dentro das metas traçadas pelos acionistas”, enfatizou Paride Della Rosa.

Em agosto, a AIG vendeu sua unidade de hipotecas de garantia para o Arch Capital Group Ltd por cerca de US$ 3,4 bilhões. No mês passado, vendeu seu sindicato do Lloyd’s of London o Ascot, para o Canada Pension Plan Investment Board em um negócio avaliado em cerca de US $ 1,1 bilhão.

Prem Watsa, que comanda a Fairfax, tem sido comparado pela mídia internacional a Warren Buffett, por formar um conglomerado com empresas de diversos segmentos, que em 2015 reportou ativos de US$ 27,8 bilhões. Comprou a unidade da Ucrânia da QBE no ano passado e a Brit por cerca de US$ 1,88 bilhão para se tornar uma das cinco maiores subscritoras do Lloyd’s of London.

AIG no Brasil – Recentemente, o grupo vendeu para a Porto Seguro a carteira de seguro de carro, iniciada há três anos, e que contava com cerca de 25 mil apólices. “A operação de automóvel exigia muitos investimentos para se consolidar, o que ia contra a estratégia mundial de focar a operação em nichos já rentáveis para o grupo”, comentou Paride.

Segundo ele, neste cenário de instabilidade econômica e desaceleração de investimentos, as empresas precisam ser criativas e buscar alternativas para continuarem competitivas. Uma das estratégicas da AIG é focar na constante melhoria operacional para se destacar no mercado e mostrar aos corretores parceiros e clientes as facilidades e agilidade em trabalhar com a companhia.

O grupo amarga prejuízo por conta de alguns sinistro de grande porte e também pelo investimento pesado na plataforma digital, na qual os corretores fazem cotações de maneira rápida e simplificada, acompanhando o status das transações e emitindo as apólices em tempo real, tudo 100% online, além de poder buscar informações sobre produtos e treinamentos.

Segundo a AIG, o portal foi desenvolvido com o objetivo de ser um facilitador dos negócios do corretor e já tem disponível os seguros empresarial, Responsabilidade civil (RC) profissional e outros gêneros de RC, gestão protegida/D&O, modalidades de seguro transporte, ambiental, property e Cyber Edge®. Além dos produtos para pequenas e médias empresas, como o Gestão Protegida 360º e Responsabilidade Civil, a AIG no Brasil está focada no segmento corporativo, incluindo: aeronáutico, seguro ambiental, linhas financeiras, transportes, patrimonial, PME, garantia e crédito. A AIG também continua com todos os produtos para clientes multinacionais e os seguros de garantia estendida e viagem.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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