Todo fim de ano é a mesma coisa. Além das conclusões de fusões e aquisições que se tornaram mais presentes na mídia nos últimos dois meses (Bradesco e Swiss Re, Prudential e carteira de vida do Itaú, Porto levanto auto da Chubb e da AIG), várias companhias começam a implementar a estratégia traçada para o ano seguinte. Ontem foi a vez da Generali anunciar a saída de Hyung Mo Sung da presidência da Generali Brasil. Entra o italiano Andrea Crisanaz.
Semana passada, ficou pública, mas ainda não divulgada oficialmente, a aposentadoria de João Francisco Borges da HDI, com o vice-presidente Murilo Riedel assumindo o comando da subsidiária do grupo alemão no Brasil. Temos também a já anunciada troca no comando da BB Mapfre Auto, Seguros Gerais e Affinities. O atual Marcos Eduardo Ferreira passa a ser CEO da Mapfre para a área Regional LATAM Sul. Em seu lugar, assume Luis Gutiérrez Mateo, atualmente à frente da MAPFRE BHDL na República Dominicana. Outros anúncios estão previstos até o fim do ano.
Outro ponto importante é o aporte de capital. Ainda mais agora com o ciclo que se inicia de queda das taxas de juros. Ontem o Copom anunciou o primeiro corte da taxa Selic em quatro anos, de 0,25 ponto porcentual, levando a Selic para 14% ao ano. As seguradoras, que tem suas reservas aplicadas em títulos de renda fixa, terão de ajustar a carteira de investimentos, fazer cortes em despesas e reajustes em tarifas para manter o capital em linha com a regulamentação se não quiserem aportar mais capital. O mais sensível a preços é o seguro de automóvel, que traz à seguradora um volume relevante de receita.
A Susep definiu, no fim de 2014, critérios para estabelecer o capital a ser constituído pelas seguradoras, entidades abertas de previdência complementar, empresas de títulos de capitalização e resseguradoras locais. A exigência para os riscos de subscrição, de crédito e operacional foi definida num processo que levou quarto anos (2010 a 2014), mas que pode ter mudanças em razão dos efeitos da crise macroeconômica que o Brasil atravessa.
O risco de mercado, que visa gerenciar a possibilidade de ocorrência de perdas resultantes de flutuações dos mercados financeiros, que causam mudanças na avaliação econômica de ativos e passivos das sociedades supervisionadas, é o que mais tem estado na pauta das companhias. Até dezembro de 2016, elas precisam ter 50% do capital requerido e têm até o fim de 2017 para constituir os outros 50%.
Neste mês, algumas publicações da Susep já dão conta de que muitas mudanças ainda devem vier nas seguradoras. As já publicadas envolvem desde aumento de capital a mudança de diretoria. A notícia do dia hoje no portal da Susep é que a Porto Seguro elevará o capital em R$ 131 milhões, para R$ 1,5 bilhão, informa a Susep. A QBE aportará R$ 9,9 milhões, elevano o capital total para R$ 117 milhões. Já a Mapfre Vida aportará R$ 29 milhões, totalizando capital de R$ 439 milhões.
Tem também mudanças em áreas geográficas e de mix de produtos. Um mundo novo a cada ano neste mercado que segue buscando as imensas oportunidades que o Brasil oferece, seja na alegria do crescimento ou na tristeza da perda da previsibilidade momentânea.

















