FenaPrevi divulga pesquisa com o tema: o que os brasileiros pensam sobre aposentadoria

aposentadoria 3Fonte: CNseg

No momento em que o país se lança em uma nova discussão em torno da reforma da Previdência Social, a maioria dos brasileiros declara ter pouca ou nenhuma informação a respeito do funcionamento do sistema público de aposentadoria. Apenas 11% dos brasileiros consideram que sabe muito ou o suficiente a respeito do tema. Os dados constam na pesquisa nacional realizada pela FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), entidade que representa 70 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no país, em parceria com a Ipsos, uma das maiores empresas de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo.

O levantamento, que ouviu 1.500 indivíduos com mais de 23 anos, de todas as classes sociais, em todas as regiões do país, entre os dias 21 de julho e 4 de agosto, revela que 86% da população sabem pouco, não sabem nada ou desconhecem completamente o assunto. Três por cento (3%) da amostra não souberam responder.

O percentual dos que não ouviram falar sobre a reforma do sistema também é alto. Cerca de 44% dos indivíduos entrevistados declaram não ter conhecimento da discussão das reformas que estão em curso, 54% disseram ter ouvido falar de propostas para mudanças nas regras de aposentadoria, e 2% não souberam responder.

Dos 54% que ouviram falar sobre o assunto, 45% estão cientes de que há discussões em torno do aumento da idade da aposentadoria e 17% sabem que há debate em torno do aumento das contribuições. A fração dos indivíduos que ouviu falar dos dois temas anteriores combinados cai para 7%. Os que ouviram falar sobre cortes nos valores das aposentadorias somam 5%, e 7% não souberam identificar nenhum ponto específico da reforma.

“Os dados mostram que é grande o desconhecimento sobre a Previdência Social”, diz Edson Franco, presidente da FenaPrevi. “Temos que fazer um esforço para ampliar o debate em torno deste tema fundamental para todos os brasileiros”.

Idade de aposentadoria

O levantamento mostrou que a maior parcela da população (42%) acredita que os homens deveriam se aposentar aos 60 anos. Somente 15% apontaram 65 anos como a idade ideal para a aposentadoria masculina. 28% indicaram idades inferiores a 60 anos (45, 50 e 55 anos). 15% da amostra indicaram outras idades não enquadradas nos critérios anteriores e 4% não souberam responder.

No que toca à aposentadoria das mulheres, 58% disseram que este grupo da população deveria se aposentar com menos de 55 anos. Outros 22% da amostra indicaram os 60 anos como a idade ideal para a aposentadoria feminina. Três por cento (3%) da amostra considera que as mulheres deveriam passar a receber aposentadoria aos 65 anos. 13% apontaram outras idades e três por cento da mostra não souberem responder.

Tempo de contribuição

A pesquisa também identificou grande divergência quando o assunto é tempo de contribuição antes da aposentadoria: 57% dos indivíduos entrevistados acreditam que o tempo de contribuição para os homens deveria ser inferior a 30 anos (20, 25 e 30 anos – ver detalhamento no gráfico). Apenas 15% da população deveria se aposentar após 40 anos de contribuição para o sistema.

Sobre o tempo de contribuição das mulheres, 69% da amostra considera que o tempo de contribuição deveria ser igual ou inferior a 30 anos. Outra parcela (5%) da amostra aponta 35 anos de contribuição como ideal, 2% apontam 40 anos e 17% não souberam responder.

“Os dados mostram que a sociedade ainda não compreende com clareza como se dá o equilíbrio financeiro da Previdência e os critérios técnicos que deveriam nortear o tempo de contribuição e outros quesitos do sistema”, analisa Franco.
Brasileiros querem regras iguais de aposentadoria para servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada.

O estudo FenaPrevi/Ipsos também investigou a percepção dos brasileiros sobre a reforma da Previdência social que começa a ser debatida pelo governo Temer. Para 64% da amostra, caso seja estabelecida uma idade mínima para a aposentadoria, ela deveria ser igual para homens e mulheres.

A maioria dos entrevistados, 66%, também concorda que o governo deveria fixar uma idade mínima para a aposentadoria dos indivíduos, uma vez que os brasileiros estão vivendo mais tempo. Já a ideia de pagar aposentadorias menores para quem se aposentar mais cedo, encontra amparo apenas em 30% da amostra e rejeição de 66% dos entrevistados.

A maiorias dos brasileiros (85%) também acredita que o valor de pensão por morte pago aos cônjuges de aposentados falecidos deveria corresponder ao valor integral da aposentadoria. Mas a ideia de limitar o pagamento de pensão apenas aos cônjuges sobreviventes com mais de 40 anos, encontra rejeição da maioria (61%).

A pesquisa revelou também que os brasileiros defendem um sistema que dê proteção ao menos favorecidos: 87% dos entrevistados, por exemplo, defendem que idosos e deficientes de baixa renda deveriam receber um salário mínimo do INSS.

A maioria (69%) também defende regras iguais de aposentadoria para todos os indivíduos (tempo de contribuição, mesma idade e mesmo valor máximo de aposentadoria).

Sobre o modelo de reajuste das aposentadorias, os brasileiros estão divididos: 49% da amostra defendem o reajuste pela inflação e desvinculação do salário mínimo. E 42% rejeitam a desvinculação.

Sobre a paridade dos modelos de aposentadoria, 83% dos entrevistados disseram que os servidores públicos deveriam estar sujeitos às mesmas regras de aposentadoria dos demais trabalhadores.

Os brasileiros em sua maioria, em torno de 70% da amostra, são contrários a aposentadorias especiais para categorias específicas, como as concedidas a pescadores artesanais e trabalhadores do campo.

O aumento de impostos também encontra resistência no país, 68% rejeita a ideia de aumentar impostos para manter as atuais regras de aposentadoria. Neste grupo, o maior percentual de entrevistados que não quer aumento de impostos (75%) é constituído por indivíduos com formação universitária.

No capítulo referente ao alcance das novas regras ainda não há consenso. Para 28% dos entrevistados, a mudança de regras deve atingir apenas quem ainda não contribui para a Previdência. Para 24% as novas regras devem atingir a todos que já contribuem, mas não se aposentaram ainda. Outros 16% julgam que as novas regras deveriam enquadrar os trabalhadores que ainda precisarão contribuir por 15 anos ou mais. Outros 10% declararam que as regras devem ser mantidas e dinheiro vir de impostos. Outros 21% dos entrevistados não souberam responder.

Falta de informação gera expectativa negativa quanto à perda de direitos
Outro ponto levantado pela pesquisa FenaPrevi/Ipsos diz respeito à expectativa de impactos da reforma sobre o direito à aposentadoria. Para 62% dos entrevistados, a reforma na previdência deve dificultar muito ou dificultar um pouco a aprovação dos pedidos de aposentadoria.

Os indivíduos que acreditam que as mudanças de regras podem facilitar o acesso ao benefício somam 23% da amostra. A maioria, 57% tem a expectativa de que haverá uma diminuição dos direitos dos trabalhadores, contra 32% que acredita que haverá melhora ou não haverá alterações.

A falta de informação é uma das razões para o pessimismo dos brasileiros com a reforma da previdência. O índice daqueles que acham que ficará mais difícil se aposentar é maior (69%) entre os que não ouviram falar nada sobre a reforma da Previdência do que entre aqueles que declararam ter ouvido algo a respeito (58%).

As diferenças no indicador se repetem quanto ao impacto sobre os direitos dos trabalhadores. O índice dos que consideram que a reforma irá diminuir direitos é menor (50%) entre os que ouviram falar algo sobre a reforma, enquanto os que não ouviram nada se mostram mais pessimistas (64%).

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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