Especialistas debatem impeachment e guerra política provocada por fragmentação partidária

Fernando-SchulerFonte: CNseg

O fato de o País conviver numa zona do imponderável no plano político atualmente fez com que os dois especialistas convidados para discutir os desdobramentos da crise política brasileira adotassem um tom cauteloso nas palestras proferidas no 5° Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro. No painel Panorama da Política Atual no Brasil, o cientista político Fernando Schuler, do Insper, e Cristiano Noronha, sócio da Arko Advice, os dois palestrantes, ao lado de Marcelo Haddad, da banca Mattos Filho, reconheceram que o atual ainda é muito nebuloso para ter uma resposta pronta do provável desfecho do impasse político.

O cientista político Fernando Schuler, do Insper, afirmou que, mais do que crise, existe um vácuo político nesse momento, tornando difícil qualquer prognóstico mais assertivo.
E cada mexida nesse jogo de xadrez político pode produzir situações inesperadas. Não há certeza por exemplo se o processo de impeachment será aprovado, tendo em vista a ação do governo de assediar parlamentares indecisos com a oferta de cargos nos órgãos públicos federais. E mesmo se confirmado o afastamento, existe a possibilidade de judicialização da matéria, já que a AGU poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A posse do vice-presidente também não está assegurada. O processo que visa a anular o resultado da eleição presidencial de 2014 ainda tramita no TSE, sem contar a ordem do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, para que seja aberto também processo de impeachment contra Michel Temer, lembrou ele. A crise parece não ter solução, chegou a dizer, lembrando não haver consenso para encerrá-la.

Acrescente-se ao turbilhão a proposta de renúncia coletiva e convocação imediata de eleições presidenciais e no Legislativo. Independente dos próximos capítulos, está claro que a guerra política vai se prolongar e não há garantias de que Lula e o PT, os mais desgastados nesta crise ética, estarão mortos nas próximas eleições, assinala Noronha. Para ele, a proibição de financiamento as campanhas políticas e o risco do uso e máquina pública pelo atual governo podem fazer a diferença nas próximas eleições.

Até lá, as reformas estruturantes necessárias para o crescimento sustentado, como reforma da Previdência, continuarão sendo jogadas para debaixo do tapete. Em risco, conquistas caras para a população brasileira, como a estabilidade econômica, a responsabilidade fiscal e o combate à pobreza.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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