Zumpy é o vencedor do 2o Prêmio Sinal Livre de Mobilidade Urbana promovido pela Liberty Seguros

liberty vencedor 2015O projeto Zumpy – Caronas de Verdade foi o vencedor do 2o Prêmio Sinal Livre de Mobilidade Urbana, que aconteceu pela manhã desta quarta-feira na esquina da Paulista com a Consolação, símbolo da cidade de São Paulo em termos de mobilidade, com ciclovias, ônibus, estacões de metro e anel viário que interliga o centro a diversos bairros. A segunda edição do premio Sinal Livre 59 projetos inscritos. Foram avaliados o tema, originalidade, multiplicação, inovação e impacto. Desses todos, cinco finalistas foram eleitos pelo voto popular.

O projeto Sinal Livre tem quatro pilares, explica a gerente de comunicação. Nos três anos, o Sinal Livre conseguiu influenciar a sociedade. Jovens podem ser os grandes protagonistas e os treinados dentro do projeto se tornaram verdadeiros porta-vozes. “O primeiro é Agentes da Mobilidade, que envolve o treinamento de multiplicadores, como professores das escolas públicas, Rede Sinal Livre, para conectar tudo; Pro Sinal Livre, que visa contagiar funcionários e simpatizantes para o tema, e Sinal Livre Mobiliza, que tem conseguido impactar grande parte da sociedade sobre a importância de educar, engajar e sensibilizar a população em relação ao ir e vir”, sintetiza Larissa Vecchi, gerente de Comunicação e Marca Institucional da Liberty Seguros.

Wal Flor, diretora de planejamento da Lynx Consultoria, parceira no projeto, elogiou a qualidade dos projetos que incentivam que a população seja a mudança na construção de uma cidade mais pura, mais viva e mais humana. “São todos projetos que com certeza terão investimentos pois muitos investidores buscam iniciativas que visam transformar a vida da cidade em mais convivência. Todos precisam de recursos financeiros e humanos que viabilizem a mobilidade urbana”.

O Projeto Multa Moral, que distribui advertências com o intuito de conscientizar os motoristas que estacionam indevidamente em vagas para pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida, recebeu o prêmio de menção honrosa, definido pelos presentes no evento.

André Andrade, arquiteto urbanista, fala um pouco do quinto e último projeto finalista apresentado no 2o. Premio de Mobilidade promovido pela Liberty Seguros. O Zumpy, projeto que nasceu em 2013 mas lançado neste ano, percebeu que 60% dos automóveis se deslocam apenas com uma pessoa. Todos vão na mesma direção e todos parados juntos no caótico trânsito. “Isso me incomodava profundamente e dai surgiu o Zumpy, que visa conectar as pessoas para que elas compartilhem o carro”, contou. E ai começou o projeto com a pergunta básica: Como achar alguém que faz uma rota como a minha, levando em conta a segurança e incentivo para dar carona. Criou então o aplicativo da carona solidária para reduzir o número de veículos nas ruas de Belo Horizonte, com mais de 1 mil pessoas já impactadas. O programa tem filtros para as pessoas escolherem caronas com referência, ou de amigos de redes sociais, como Facebook, ou mesmo da empresa ou da faculdade. O aplicativo também aumenta a margem de caronas ao incluir os amigos dos amigos nas redes sociais, explica. Para evitar cair numa roubada de ir de carona com um doido, que atende o celular e dirige só com uma mão, o aplicativo tem o sistema de avaliação do carona. Quem usa o programa ganha uma moeda virtual, que pode ser usado em descontos em vários estabelecimentos, como postos de gasolina, por exemplo. “Todos ganham nos pontos do Zumpy”, diz ele, que já tem 1 milhão de rotas cadastradas e 65% de crescimento ao mês desde o lançamento em agosto. São mais de 22 mil pessoas usando o aplicativo. Ele destacou também a interação social das pessoas, que acabam ficando amigas com o compartilhamento do veículo. Já foram realizadas mais de 17 mil caronas e mais de 5 mil rodízios de carro. “Agora, com a premiação, R$ 10 mil, começará o desenvolvimento de uma interface do Zumpy com novas funcionalidades”, disse ele ao blog Sonho Seguro.

Marcos Bueno contou um pouco sobre o projeto Bike Anjo, que surgiu em 2010, para conectar as pessoas que já pedalavam e as interessadas em pedalar, bem como ensinar como as pessoas devem se comportar no trânsito da cidade em cima da magrela. Quem quer ser bike anjo e quem precisa de um se cadastra no sistema, que conecta os dois. A demanda foi grande, principalmente por quem sequer sabia andar de bicicleta. Com isso, foi criado uma oficina, que já treinou mais de 1,3 mil em três anos e conta hoje com 2,5 mil voluntários. O projeto foi crescendo, com solicitações de palestras e apoio em campanhas institucionais, e hoje está consolidado como uma referencia em estimular o uso da bicicleta nos milhares de quilômetros de ciclovias em vários estados do Brasil. Quando o Bike Anjo foi criado não havia muitos sonhos, pois o projeto foi acontecendo sem ter sido elaborado. “Ele simplesmente foi crescendo e quando chegou a 1 mil voluntários a meta foi estar em todas as capitais do Brasil. Agora é estar em todos os continentes do mundo. Só falta a Ásia”, diz Bueno, com muita empolgação.

Luiza Pacheco, uma das criadoras do projeto finalista do 2o. Premio Sinal Livre da Liberty Seguros, conta que o Bike It, um site de mapeamento que referencia locais amigos dos ciclistas, conta com avaliações dos usuários positivas ou negativas de suas experiências nas cidades, tanto do ponto de vista de acesso como de gentileza no tratamento aos ciclistas. O projeto foi crescendo para promover a cultura da bike e promover a interação entre ciclistas e estabelecimentos. Hoje esta em 14 cidades no Brasil com uma plataforma tecnológica pronta para receber investimentos. O portal renunciou a investimentos públicos e privados para manter a credibilidade do conteúdo, que é alimentado pelos usuários.

Rodrigo Bottini, conta um pouco do finalista do prêmio da Liberty Seguros “Multa Moral”. Trata-se de um projeto que teve inicio em agosto e está sendo implementado. Ele surgiu com Rodirgo, deficiente fisico há 17 anos, contando sua história em uma rede de tevê. Ele distribuia bloquinhos para as pessoas colocarem nos carros de quem estacionava indevidamente em vagas de deficientes. Algo similar ao talão zona Azul, porém com formato amarelo e sinalizado com um cadeirante. A ideia pegou surgiu o projeto Multa Moral, que tem neste momento mais de 1,5 mil blocos para serem colados em veículos de quem despereita as vagas especiais. Ele usou os financiamentos coletivos disponíveis hoje para ideais inovadoras e rapidamente obteve verba para lançar o projeto em várias cidades do Brasil. Segundo ele, 90% das vezes que vai estacionar a vaga está ocupada por um carro sem o cartão de identificação. “Muitas pessoas justificam que é por apenas 5 minutos. E isso gera uma revolta e para evitar tal constrangimento pensamamos neste projeto, que é um leve puxão de orelha que visa educar a sociedade em relação a consciencia da necessidade de ir e vir dos deficientes”, conta. “Precisamos que as pessoas entendam que temos necessidades especiais, espaço para sair do carro com a cadeira. Estou feliz de estar conseguindo isso e ganhar o prêmio pode nos ajudar muito nesta luta de garantir a sensibilidade da população”.

“Nos acreditamos que uma cidade melhor, que possibilite a mobilidade”, diz Leonardo Boel, “Que ônibus passa aqui”, de Porto Alegre. O projeto visa espalhar adesivos pelos pontos de ônibus da cidade para que qualquer pessoa anote as linhas que passam no local para ajudar outros passageiros. Com o sucesso do projeto, a EPTC, empresas de transporte público da prefeitura de Porto Alegre, quis assumir financeiramente e viabilizar a ideia. Mas acabou não dando certo em razão da forma colaborativa adotada e o projeto foi abandonado pelo poder público. “A sinalização adotada não tem apelo eas informações foram colocadas em uma altura ruim para as pessoas, tornando o projeto desqualificado e sem adesão do público”, contou. Com a grande demanda da população solicitando a volta do projeto de forma privada, uma vez que o poder público se mostrou ineficiente em algo tão importante, Boel voltou a tocar o projeto e já conta com mais de 1 mil pessoas impactadas e alguns patronos sem ligação com o poder público. As pessoas agora tem de entrar no site e imprimir a etiqueta para colar nos pontos de ônibus. Se vencer o prêmio, com R$ 10 mil, consegue avançar com o projeto de forma independente.

Também estiveram presentes na entrega do prêmio, para debater os projetos finalistas, José Mello, superintendente de Inteligência de Marketing e Inovação da Liberty Seguros, Ana Carla Fonseca, especialista em economia criativa e fundadora do Garimpo de Soluções, Pedro Somma, Diretor de Operações da 99Taxis e Wal Flor, Diretora da Lynx. O Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, Nabil Bonduki, participou como mediador do debate.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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