Todos parecem cansados da forma como a política é feita no Brasil. Até a morte é usada como moeda de troca. Há tempos temos boatos de que Roberto Westenberg, titular da Superintendência de Seguros Gerais (Susep), pode ser tirado do cargo. Ele diz desconhecer a mais recente tentativa e fofocas, que tem invadido as redações de jornais, revistas e portais. Mas tem consciência de que se trata de um cargo político, porém blindado recentemente a técnicos. A própria presidente Dilma chegou a declarar que quer técnicos.
Obviamente que divulgar nota negando não estanca o que há meses se comenta no meio político. É público que o PTB tem a expectativa de voltar a ocupar o comando da Susep e da Casa da Moeda, mas o ministro Joaquim Levy resiste. E resiste por que? Por que o cara é técnico, faz o seu trabalho mesmo com todas as limitações que tem, como recursos financeiros, tecnológicos e de pessoas.
O assédio ao cargo da autarquia que regula o mercado segurador brasileiro, com vendas de R$ 200 bilhões em 2014 e que deve crescer 10% neste ano, voltou com a morte de Marco Antonio Rossi, em 10 de novembro. Rossi, como presidente do maior grupo segurador e também da CNseg, tinha grande poder de influência nas decisões. Técnicas e políticas. No setor, no governo, na Bradesco. A pressão dos políticos de plantão é testar para saber se o mercado segurador já tem um homem forte para substituir Rossi e blindar o setor de aventureiros ou pessoas que não sejam técnicas.
Eu diria que mesmo com a popularidade em baixa, a presidente Dilma tem olhado com bons olhos para o mercado segurador. O ministro Joaquim Levy, mesmo com tanta pressão e boatos de que está de saída, busca sedimentar o caminho para que investidores, dentro e fora do país, se animem para tirar projetos de infra-estrutura do papel e impulsionar o crescimento do país. Por essas e outras, acredito que o trabalho feito por Rossi à frente do setor, tornando-se o principal porta voz da história da indústria de seguros por suas atitudes nos pelos menos 10 últimos anos, o setor, se não tem alguém que assuste gente interesseira e oportunista, tem muitos técnicos de plantão e receptividade no planalto.
Obviamente não é um trabalho fácil lidar com políticos e empresários do calibre daqueles envolvidos na Lava Jato e que foram presos com denúncias como a gravação divulgada ontem e que culminou na prisão do senador Delcídio Amaral, inédita na história do país, e do banqueiro André Esteves, um dos homens mais rico do país. Mas é válido lutar pelo que acreditam e ver o mercado crescer mesmo com o descompasso da economia. Além de crescer, as empresas do setor vendem proteção. Paga indenizações de vidas perdidas brutalmente em assassinatos, dívidas de pessoas que pegaram empréstimos para comprar a casa própria e agora estão desempregadas e também permite que milhões de pessoas sejam atendidas em hospitais por administrar planos de saúde mesmo com todo o nó que está a legislação de saúde suplementar.
Roberto Westenberger assumiu o comando do órgão regulador do mercado segurador em fevereiro de 2014. Formado em ciências atuariais, pela UFRJ, e em engenharia elétrica, pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), Westenberger é mestre em estatística aplicada, pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Especialista em gestão de riscos, ele também é Ph.D. pela City University, de Londres. Ele assumiu a Susep no lugar de Luciano Portal Santanna, que ficou no comando da autarquia por dois anos e meio e também era ligado ao PTB.Tem feito um trabalho respeitado dentro e fora do Brasil.
Um dos nomes cotados para para assumir o comando da Susep, segundo fontes que pediram anonimato, é de Igor Barenboim, Secretário-Adjunto de Política Microeconômicas do Ministério da Fazenda. É bacharel em economia pela Pontificia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), mestre e Ph.D. em economia pela Universidade de Harvard. Foi membro da equipe fundadora da Gávea Investimentos. Em 2002, foi interno, pela Organização das Nações Unidas (ONU), na Comissão Econômica para a América Latina (Washington D.C.).
Ambos são qualificados. Mas a pergunta que fica é: por que mudar? Quem ganha e quem perde o que?
Importante pensar a respeito. Importante se comprometer em construir um país melhor. Importante lutar por algo que acreditem. Afinal, Deus está vendo tudo. E no final de tudo será só entre Ele e nós. Pensem nisso.

















