Retração do PIB já chega em seguros

alexandre camilloO cenário político-econômico permanece desfavorável e isso chega no mercado de seguros, na edição da Carta de Conjuntura do Setor de Seguros produzida por Francisco Galiza para o Sindicato dos Corretores de São Paulo (Sincor-SP). Com retração de 3% no PIB fica claro que 2015 será um ano marcado por indicadores gerais em baixa, quando não negativos, e a indústria de seguros sente, sim, os reflexos da conjuntura.

O estudo mostra que o VGBL seguirá como destaque em faturamento e expansão, mas é bom ressaltar que não se trata de carteira que tem o corretor de seguros como principal canal de distribuição e, além disso, é um produto de acumulação. Os seguros típicos, como automóvel, residência, pessoas e empresarial, enfrentam ambiente bem complicado e devem crescer apenas 7%, em média. Diante da inflação do período, em cerca de 9%, esse porcentual pode ser visto como negativo.
É assim que os agentes da cadeira produtiva e, sobretudo, os corretores de seguros, que compõem a mais eficaz e robusta força de vendas da nossa indústria, devem ter em mente que o exercício da resiliência, com foco na superação, precisa ser diário, visando posicionamento vencedor em breve futuro.

“Acreditamos que a recessão tem prazo de validade e a economia do País vai se recuperar, mesmo que tenhamos de vivenciar um período ainda longo de turbulências políticas e financeiras. E o mercado de seguros também voltará a apresentar o vigor de sempre, com base no esforço e poder de reação dos corretores de seguros”, afirma Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP, no estudo.

VGBL eleva crescimento do setor

Em termos econômicos, a situação do País continua complicada. Por exemplo, segundo as previsões atuais, o PIB em 2015 deve cair quase 3%, um número expressivo e inimaginável há alguns meses. Essa mudança de cenários trouxe consequências diretas para o setor de seguros no Brasil. Tudo indica que o segmento das operações específicas de seguros e saúde (automóvel, vida, saúde suplementar etc) terá uma variação nominal de 10% em 2015. Ou seja, número praticamente idêntico às taxas inflacionárias desse período, sem nenhum ganho real, como vinha ocorrendo nos últimos anos.

Mesmo ressaltando que esse não é um produto usualmente comercializado por corretores, o que devem elevar as estatísticas do ano são as vendas do VGBL, com variações estimadas acima de 20% em 2015.

Todas essas estimativas de crescimento estão se mantendo nos últimos meses, o que sinalizaria estabilidade, sem novas pioras. Outro ponto positivo é a boa rentabilidade das seguradoras, beneficiada, entre outros fatores, pela trajetória mais elevada da taxa de juros. Isso é favorável para o setor, em uma época em que muitas empresas do País (sobretudo de outros setores) passam por problemas.

No curto prazo, porém, a análise final continua a mesma para o setor de seguros. Para enfrentar esse momento mais delicado, é preciso dedicação e muita determinação de todos os profissionais envolvidos com essa indústria.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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