Caixa decide adiar abertura de capital da Caixa Seguridade

Fonte: Estado de S.Paulo, por Fernanda Guimarães, Aline Bronzati, Murilo Rodrigues Alves

O governo desistiu de abrir neste ano o capital da Caixa Seguridade Participações, nova empresa que foi criada para reunir todas as companhias de seguro do banco estatal. A decisão foi tomada oficialmente ontem em reunião do conselho de administração da Caixa, da qual participam representantes do banco estatal e dos ministérios da Fazenda e do Planejamento.

A expectativa anterior era que a operação poderia ser feita ainda neste ano, mas agora a previsão é que só se dará em 2016. A decisão, segundo o banco, está ancorada no “momento atual do mercado”. A abertura de capital da Caixa Seguradora é uma das receitas extras que o governo contava para fechar as contas deste ano com superávit. A estimativa era arrecadar, no mínimo, R$ 4 bilhões em impostos com a operação.

Os bancos envolvidos na operação já haviam sugerido o adiamento com o respaldo de que uma oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) neste momento, de forte aversão ao risco, significaria, na prática, um grande desconto no valor da companhia. A previsão inicial era de que o IPO ocorresse no fim de outubro e movimentasse R$ 10 bilhões, segundo fontes. No entanto, se a oferta fosse levada adiante, no atual ambiente, a cifra poderia cair para menos da metade, conforme as mesmas fontes.

Antes mesmo da piora no cenário, com a perda de selo de bom pagador do Brasil pela Standard & Poor’s (S&P), o IPO da Caixa Seguridade em outubro já estava em xeque visto que um atraso nas negociações para renovação antecipada do contrato de exclusividade para a venda de seguros com os sócios que controlam a companhia, a CNP Assurances, havia comprometido a realização da operação nessa janela.

Os franceses chegaram a ofertar R$ 10 bilhões para renovar o contrato de forma antecipada, mas, não atingiram um consenso com o banco público na forma de pagamento.

IRB Brasil. No momento, há dois IPOs em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Além de Caixa Seguridade, o ressegurador IRB Brasil Re também planejava sua oferta para este mês, mas a emissão também foi adiada, segundo fontes. Neste caso, se o mercado tiver uma melhora, a oferta pode acontecer em dezembro, última janela possível neste ano.

As duas operações foram lançadas no contexto do ajuste fiscal proposto pelo governo e, com as postergações, são duas receitas anteriormente contabilizadas para 2015 que podem não se concretizar. O governo conta com R$5 bilhões em concessões e permissões neste ano. A meta de superávit para a União é de R$ 5,8 bilhões.

Os IPOs no Brasil são muito dependentes de estrangeiros, que na média histórica acabam ficando com cerca de 70% das ações ofertadas. No entanto, como muitos players já dão como certo a perda de mais um selo de bom pagador pelo Brasil, muitos investidores com mandatos que restringem investimentos nessa situação já começam a se posicionar para essa realidade.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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