CONSEGURO: Especialista em envelhecimento quebra paradigmas da longevidade

dividendo_intFonte: CNseg

Desde que a humanidade conseguiu vencer algumas doenças, como as infecções, evitadas por gestos simples, como lavar as mãos com água e sabão, que o ser humano sonha em viver mais e, por que não, com a imortalidade. Nos últimos anos, em razão do aumento da expectativa de vida em todo o mundo, inclusive nos países emergentes, surgiram previsões de todos os lados afirmando que o ser humano viverá 140, 150 ou mais anos. “Tudo bobagem”, disse S. Jay Olshansky, professor na Universidade de Chicago e pesquisador do Centro de Estudos sobre o Envelhecimento. Ele apresentou a palestra “O dividendo da longevidade: alterando o curso da saúde e da longevidade”, durante o 4º Encontro Nacional de Atuários (ENA), evento que acontece simultaneamente à 7ª Conseguro, que está em seu segundo dia, em São Paulo (SP).

Olshansky tem motivos para não acreditar que os seres humanos viverão mais que cem anos, em média. Ele estudou o assunto sob o âmbito da biologia e descobriu que o corpo humano não foi feito para durar tanto tempo. “O ser humano é uma máquina super eficiente que, com o tempo, acaba como as demais, no ferro-velho”, disse. Ele apresentou alguns números, apenas para efeito de comparação, do tempo de vida estimada para algumas espécies, medidos em dias: os ratos vivem 1 mil dias; os cachorros, 5 mil; o elefante, 26 mil; os humanos, 29 mil dias; a tartaruga, 55 mil; e a baleia, 77 mil. Fora as exceções de pessoas que viveram mais de cem anos – o recorde é 142, segundo o professor – , “o corpo humano não aguenta”, disse.

De acordo com Olshansky, o envelhecimento é um acidente de percurso, já que a vida é calibrada biologicamente para cumprir a janela reprodutiva da espécie. Tanto que a menopausa nas mulheres marca bem o início dessa fase de envelhecimento, quando começam a surgir as doenças degenerativas. Aliás, as doenças são o preço, ou o dividendo, da longevidade. “Querem viver mais? Mas a que preço?”, questiona. Segundo o professor, viver muito não é uma tarefa fácil, pois, com a velhice, o ser humano perde musculatura e neurônios. “Esses são os nossos pontos fracos e não há muito que possamos fazer contra isso”, disse. Ele ressalva, entretanto, que se descobrirem a cura para doenças, como câncer ou cardiopatias, então será menos penoso viver mais.

Olshansk também questiona os modelos atuariais que estimam o tempo de vida de segurados de seguro de vida e previdência. Segundo ele, o erro está em usar modelos concebidos no passado, quando a realidade era outra, o modo de vida era outro e as doenças idem. “Não dá para fazer a extrapolação linear de um fenômeno que é biológico”, disse. Respondendo à pergunta do debatedor do painel, Cassio Turra, da Cedepar, ele disse que o modelo linear do passado não serve porque aquela geração em que foi baseado não existe mais. “Se quiserem saber quanto tempo vão viver, olhem para os vivos!”, disse.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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