Liberty compra Penta Security no Chile e descarta compra da RSA

Pablo_Barahona_LibertyO grupo Liberty Mutual comprou, em julho, uma das principais seguradoras do Chile, a Penta Security, por US$ 162 milhões, passando a ter 20% de market share no segmento de seguros gerais no país. Segundo comunicado,a Penta oferece uma oportunidade sólida para o crescimento da Liberty Mutual Insurance no mercado de seguros não vida do Chile, que movimenta cerca de US$ 3 bilhões, bem como fortalece a expansão do grupo na América Latina.

“A Liberty Mutual tem registrado resultados consistentes no Chile, e acreditamos no crescimento futuro da região”, disse Luis Bonell, presidente da Liberty International. “O mercado chileno de seguros gerais registrou uma taxa de crescimento anual de 9,3% nos últimos cinco anos”, acrescentou Pablo Barahona, líder das operações do grupo na América Latina e Europa Continental. “A força do mercado chileno nos dá força para o crescimento na América Latina.”

Veja abaixo a entrevista publicada pelo jornal Diario Financeiro com Pablo Barahona, que comandou a subsidiária brasileira até o ano passado,passando o cargo para Carlos Magnarelli. Na conversa, Barahona descartou, segundo o jornal, interesse na compra da inglesa RSA diante do desafio da integração das operações com a Penta assim que acordo for aprovado pelos órgãos reguladores.

O grupo já tinha adquirido a Allianz, em 2003, e a carteira de seguros da ING no Chile, em 2004. Esta é a compra mais importante?

Eu diria que é um investimento maior do que os anteriores em quota de mercado e também em preço.

Como ficam em participação de mercado?

Há que distinguir entre prêmios diretos -inclui os resseguros- e os retidos. Trabalhamos mais com este último, onde em 2014 tínhamos uma quota de mercado de 9,2% e a Penta Security de 9%. Somos duas empresas praticamente do mesmo tamanho. Quanto aos prêmios brutos ou diretos, eles terminaram o ano passado com 10,7% e nós próximos de 10%. Consolidando as operações passamos a ter a liderança do mercado.

O grupo tinha em mente ser líder em seguros gerais?

Não, não é uma meta, nem obsessão, nem ambição. Embora, obviamente, ter escala nos dê mais vantagens e eficiências.

Há sinergia entre Liberty e Penta?

São semelhantes. Em relação a canais de distribuição, as duas trabalham com corretores. Oferecemos produtos semelhantes, que são linhas pessoais (veículo, residência, acidentes pessoais) e produtos para empresas (incêndio, terremoto, responsabilidade civil, transporte).

Quais são os principais objetivos do plano de negócios e crescimento com esta aquisição?

É uma promessa de compra e venda que deve passar pelas aprovações regulamentares antes de lançar a OPA. Portanto, não há planos de curto prazo. O que vem agora para nós é o entendimento do que é a Penta; compreender qual a cultura, estilo de gestão, pontos fortes e áreas de oportunidades. Com calma, vamos analisar e desenhar o melhor plano de negócios para a consolidação das operações.

O que se passa com a marca Penta e sua baixa reputação?

Estou ciente da exposição que a marca tem tido nos últimos tempos. Certamente é do nosso interesse mudar a marca o mais rapidamente possível. Mas temos que recorrer às normas para fazer este trâmite, mas a rapidez depende do regulador.

E quanto à infraestrutura e o pessoal da Penta Security?

Seguirá tudo igual até que tenhamos claro o plano de integração, o que ainda levará tempo.

Terão um edifício corporativo único?

Temos muitas coisas pela frente. Esta é uma delas, mas por agora não temos nada em vista.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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