Especial Valor – Gestão de riscos ganha mais adeptos

Fonte: Valor Econômico – Denise Bueno

O gerenciamento do risco, em momentos de retração do crescimento econômico, ganha dia a dia mais adeptos. Casos recentes como a explosão nos tanques combustíveis da Ultracargo, em Cubatão (SP), que contava com um pool de uma dúzia de seguradoras e resseguradoras, bem como obras paralisadas por uma crise sistêmica, como a do segmento de petróleo, mostram que ter um bom plano de contingência é crucial para manter a empresa no mercado mesmo diante de acidentes graves e sem danos à reputação da marca.

Diante de um mercado mais competitivo e especializado, como é o caso dos grandes riscos, há uma tendência de as seguradoras adotarem uma subscrição mais criteriosa e também de prestarem o serviço de gerenciamento de risco aos seus clientes. Isso é o que vai determinar quem fica e quem sai do mercado. Essa filosofia de perpetuação da companhia e de fidelização do cliente, que vem ao encontro com a gestão de uma cadeia sustentável, tem norteado as seguradoras especializadas em grandes e médios riscos, com ACE, Liberty Seguros, Tokio Marine, Allianz e Lloyd’s Brasil, por exemplo, que desenvolveram áreas de gerenciamento de risco à parte da diretoria de subscrição.

O gerenciamento de risco já foi um assunto delegado à área de seguros das grandes corporações, mas agora é tratado pelos conselheiros e cobrado pelos acionistas, que têm uma visão mais holística, que inclui não só o risco de incêndio ou explosão, mas também riscos como perdas que podem ocorrer por ataques cibernéticos, com as novas tecnologias, riscos políticos e, principalmente, com a cadeia de fornecedores, explica Marco Castro, CEO do Lloyd’s Brasil.

Paulo Umeki, responsável pelas diretorias de operações, subscrição e prevenção de perdas da Liberty Seguros, conta que o resultado de ofertar assistência em gerenciamento aos corretores e clientes tem dado condições à companhia de concorrer com diferenciais. “O apoio do gerenciamento de riscos dos profissionais da Liberty vai desde a telesubscrição, que são entrevistas para melhor gerir a oferta de seguros para doenças graves, como na assessoria logística para mitigar os riscos com transportes de mercadorias”.

O segmento de pequenas e médias empresas tem sido o grande beneficiário da consultoria dos técnicos especializados das seguradoras e corretoras. “Nesse segmento, o gerenciamento é precário e nossa ajuda tem feito muito sucesso”, conta Umeki. A assessoria elétrica é a que mais tem sido demandada. Muitas vezes a pequena empresa cresce e o empreendedor acaba não se dando conta de que é preciso investir nos cabos elétricos e quadros de energia para evitar que se tenha uma sobrecarga e isso gere um acidente grave.

Prestar um serviço de gerenciamento de risco é um dos principais motivos do crescimento de 37,5% da carteira de riscos patrimoniais da Tokio Marine no nicho de médias empresas, segundo o diretor Felipe Smith. “Fazemos dois relatórios de inspeção. Um mais técnico e outro com a visão do clientes, com soluções claras do que ele precisa fazer para tornar sua operação mais segura. E esse relatório está disponível no portal do corretor para ele apresentar ao cliente”, diz.

Antonio Trindade, CEO da ACE, líder do setor de grandes riscos após adquirir a carteira de grandes riscos do Itaú, diz que as técnicas de gerenciamento de riscos evoluem quando episódios como o da Ultracargo ocorrem. “Em sinistros graves, chegamos a montar equipes multidisciplinares, com o envolvimento de diferentes setores da sociedade tais como corpo de bombeiros, fabricantes dos mais diversos materiais e equipamentos e fornecedores de matérias-primas. Com base nesses estudos e na colaboração de todos esses participantes, as técnicas se tornam mais efetivas, as normas mais precisas, acidentes menos frequentes e menos severos e, por fim, o ambiente torna-se mais seguro”, afirma.

Igor Di Beo, diretor executivo de negócios corporativos da Allianz Seguros, afirma que a seguradora entende que mesmo protegido por uma apólice de seguros, um evento inesperado pode causar consequências ruins para os negócios dos segurados, como perda de participação de mercado e riscos reputacionais. “A melhor forma de prevenir que um evento inesperado ocorra é através da engenharia de prevenção de perdas”, diz.

De acordo com Neival Freitas, diretor da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o gerenciamento de risco aumenta as despesas administrativas das seguradoras pelo investimento em sistemas e recursos humanos. Mas, por outro lado, reduz o custo com pagamento de indenizações por mitigar o risco de acidentes nos clientes. A Marsh avaliou a carteira de gerenciamento de risco e as empresas que já têm uma gestão consolidada conseguiram ampliar em 10% os result ados dos negócios. Segundo Roberto Zegara, executivo da corretora, menos de 30% dos riscos das empresas são seguráveis. “Para os riscos que não têm seguros as empresas buscam reduzir e diminuir a frequência de perdas com gerenciamento de risco”, diz.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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