Empresas com melhor gestão de riscos erram menos ao projetar resultados

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A Aon, em parceria com a Universidade Wharton, da Pensilvânia (EUA), divulgou recentemente relatório com novas percepções sobre a importância da maturidade de riscos para as empresas. Realizado no decorrer de 2014, o estudo questionou 50 companhias de capital aberto dos Estados Unidos sobre suas práticas de gerenciamento e seus resultados financeiros. Enquanto as organizações que ficaram no topo da escala em relação ao planejamento estratégico de riscos obtiveram uma redução de 20% nos erros de previsão orçamentários, as piores colocadas registraram aumento de 17,5%.

Segundo Alexandre Botelho, diretor da área de consultoria em gestão de riscos da Aon Brasil, o estudo comprova que cada vez mais a gestão de riscos se torna uma ferramenta indispensável para evitar prejuízos e aproveitar oportunidades de agregar valor à operação. “As empresas que compreendem com muita clareza a complexidade dos riscos diretos e indiretos a que estão expostas tendem a ter uma maior precisão sobre sua margem de lucro e resultado operacional”, argumenta.

O levantamento mostra também que as companhias mais preparadas apresentaram redução de 2,5% na volatilidade no preço dos papéis no mercado financeiro, ao passo que as menos preparadas obtiveram aumento de 2,9%. “Quando o mercado está em alta, empresas com processos menos estruturados também podem ter um bom desempenho. Mas, em um cenário adverso de crise financeira ou catástrofe natural que possa afetar a economia do país, a queda nas ações de companhias mais preparadas chega a ser de 36 a 90% menor em relação às outras”, afirma Botelho.

Esta pesquisa é parte de um levantamento mais amplo de dados globais da Aon em parceria com a Wharton, no qual foram ouvidas 700 companhias de capital aberto. A análise completa da base de informações também evidencia que, quando a alta direção participa ativamente da gestão de riscos e não apenas delega, o engajamento da empresa é significativamente maior. “Consequentemente, a diretoria também consegue empregar uma melhor comunicação com a equipe administrativa encarregada pelas estratégias de gestão de riscos”, acrescenta o executivo.

Empresas com alto índice de maturidade de riscos apresentam, entre outras características, uma cultura de riscos que envolva todos os níveis da organização. “O entendimento e comprometimento com o gerenciamento de riscos no patamar da diretoria é um fator crítico para a tomada de decisões e geração de valor”, explica.

De acordo com Botelho, o desafio nos próximos anos para as empresas é incorporar em suas estruturas organizacionais eficientes programas de gestão de riscos, já que a tendência cada vez mais é de que as companhias despreparadas fiquem sujeitas a prejuízos em qualquer intempérie que impacte o negócio. “No atual contexto, em constante mutação, a capacidade para antever oportunidades, compreender e responder eficazmente aos riscos é essencial para o bem-estar operacional e financeiro das companhias. A ausência dessa prática provavelmente fará com que as organizações fiquem para trás em relação as que a aplicam em seu planejamento estratégico”, complementa.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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