Vai financiar grandes obras, com riscos especiais como túneis, ferrovias, portos ou rodovias? Se preocupa com processos nos quais tenha de indenizar terceiros que te acusam de poluição ambiental, má gestão ou perdas operacionais? Tem medo da conta que pode ter de pagar por um recall de produto ou pelo pedido de um sequestrador? Esses são alguns dos riscos que a Liberty International Underwriters (LIU), divisão de riscos especiais do Grupo Liberty Mutual, se especializou mundo afora e trouxe para o Brasil.
“2014 foi um ano de reorganização da operação da LIU, constituída nos Estados Unidos em 1999 e que começou a operar no Brasil em 2008”, conta Ronald Bolaños (foto), diretor da LIU. Além de comemorar o incremento de 44% no volume de vendas de janeiro a novembro sobre os R$ 44 milhões registrados no ano anterior, a equipe comemora a redução do custo operacional em 10% e a melhora da subscrição dos riscos, o que refletiu em uma queda de cinco pontos percentuais no índice de sinistralidade (volume de indenizações pagas em relação ao valor recebido do cliente no contrato das garantias do programa de seguros), para 43%. “Diante de uma economia que praticamente não cresceu, atingir a meta traçada no ano foi uma conquista e tanto”, comemora Bolaños e seus principais executivos.
Em 2014, a equipe de profissionais especializados em riscos responsável pela América Latina, sendo o Brasil o maior mercado, fez diversas apresentações para clientes e corretores. “Fizemos vários road shows em 2014 para divulgar os diferenciais dos produtos da LIU e a especialização de nossos profissionais em cada ramo. Isso atraiu corretores e clientes preocupados com gestão de riscos e nos ajudou a manter as vendas e a rentabilidade da operação num cenário de economia fraca e grande concorrência no mercado de seguros”, acrescentou o responsável pela divisão de riscos especiais.
De acordo com André Guidetti, superintendente de Engenharia da LIU, os bons resultados obtidos são consequentes da melhora na gestão de riscos dos clientes brasileiros, que, segundo ele, estão compatíveis com os níveis internacionais de segurança e serviços adotados por grandes multinacionais. “Hoje os prazos para executar obras são menores e por isso a gestão de risco se tornou uma prioridade para as empresas. Inclusive, o gerenciamento de riscos é um item determinante na composição do custos e condições do financiamento e do seguro”, argumenta Guidetti.
O modelo implementado no Brasil , que difere da atuação do grupo mundialmente — enquanto aqui a LIU atua como seguradora, internacionalmente opera como resseguradora — deu tão certo que agora será levado a outras unidades do grupo na América Latina, como Colômbia, Chile e Equador, mercados nos quais atua como resseguradora e seguradora de varejo. Segundo ranking elaborado pela Fundación Mapfre, a Liberty é a oitava maior da região, atuando com seguros e resseguros. Segundo Bolaños, a contribuição dos profissionais brasileiros, que já estão em cursos avançados de espanhol, é estratégica para o grupo mundialmente. O modelo começará a ser replicado em 2015 e tem dois anos para ser concluído.
Além da atuação regional para manter o faturamento da região em ritmo ascendente, a LIU conta com novos produtos para diversificar a carteira de clientes. Entre as principais novidades estão o seguro para recall, para sequestro e extorsão, para riscos ambientais e bem como coberturas diferenciadas em seguros já consolidados no mercado segurador brasileiro como D&O (seguro de responsabilidade civil de administradores), E&O (proteção de responsabilidade civil para vários tipos de categorias profissionais), plataformas de petróleo e riscos do embarcador.
Apesar das novidades, o crescimento estimado para 2015 é entre 8% e 10%, menor do que o conquistado em 2014. “Nosso foco está no crescimento orgânico e não via aquisições de carteiras”, disse Bolaños, após ser questionado por jornalistas sobre o interesse em adquirir a carteira de grandes riscos da SulAmérica, que está em processo de vendas, mesma estratégia adotada pelo Itaú Unibanco, que vendeu em outubro a carteira de grandes riscos para a ACE.
“O crescimento será fruto dos contratos de obras de infraestrutura já licitados pelo governo, uma vez que novas obras só são esperadas para o final de 2015, quando a nova equipe do governo eleito em outubro passado já estará com as prioridades de investimentos traçadas”, disse Guidetti.
Antonio Lleyda (foto), superintendente de Marine da seguradora, busca consolidar novidades do mundo para o Brasil, como coberturas abrangentes para plataformas de petróleo, assim que esse segmento estiver em um cenário mais favorável do que o atual.
Em riscos ambientais, Luiz Oliveira, superintendente de RC Ambiental e E&O da LIU, vê um mercado para ser explorado. “Nas apresentações que temos feito, os corretores e clientes se mostram mais conhecedores das novas leis, que penalizam severamente os prejuízos por poluição ambiental”, comentou. Oliveira ressaltou a a importância da prevenção, a preocupação com o descarte correto de resíduos perigosos e a necessidade de contratar uma apólice com coberturas sob medida para esse tipo de risco, que, apesar de grande, ainda é substimado pelas empresas brasileiras.
Klaus Baretta, superintendente de D&O K&R e Recall de Produtos da LIU, está otimista. “Segundo a Anvisa, o número de recall aumentou 60% no ultimo ano e isso sinaliza um mercado potencial para nós”. Sem atuar com recall de montadoras, que concentra o maior número de chamados, a LIU preparou coberturas para as indústrias de alimentos, bebidas e farmacêutica. Trabalhar em conjunto com a empresa no gerenciamento de crise, com coberturas acessórias como RV para perdas com recall insatisfatório e perdas com a retirada do produto do mercado estão entre as coberturas básicas.


















