Fonte: Revista Amanhã – por Conrado Esber
A economista-chefe da Icatu Seguros, Vitória Werneck (foto), é direta e contundente. Para ela, seja quem for o ganhador das eleições presidenciais, vai encontrar o país em uma “encruzilhada”. “Minha projeção é de que teremos um crescimento de 0,27% nesse ano, o que reflete uma economia praticamente estagnada. Estamos crescendo muito pouco e com a inflação alta, e essa é uma situação bastante complicada para se resolver”, declarou em entrevista coletiva que antecedeu a sua palestra para associados da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul, nesta quarta-feira (1º).
A necessidade de realinhar os preços dos combustíveis, energia e transporte urbano, que foram congelados para que a inflação não ultrapassasse o teto da meta, é um dos fatores que mais preocupam a economista. “Os preços foram artificialmente represados pelo governo e talvez não seja possível ajustá-los ao mesmo tempo, para não aumentar muito a inflação, mas isso terá de ser feito o quanto antes”, avisou Vitória
A fórmula para que o país entre novamente nos trilhos, defende, é voltar à política macroeconômica dos governos Lula e FHC. “Eles passavam ao Banco Central o mandato para cumprir a meta de inflação estabelecida pelo próprio governo. E o BC cumpria. A política fiscal do Ministério da Fazenda gerava superávit primário, que funciona como a poupança do governo. Então, tendo esta poupança, não era necessária emissão de dívida pública para financiar gastos”, explicou.
Na visão da economista-chefe da Icatu Seguros, a explicação para o momento difícil da economia brasileira não passa mais pela crise externa, uma vez que os últimos registros sobre a economia americana são bastante positivos e até os países europeus, que enfrentaram recessão, já estão reagindo. “Vai ser duro o ano de 2015, mas se quem ganhar a eleição der um choque de credibilidade duro no começo, e mostrar que vai cumprir o estipulado caso faça chuva ou faça sol, já poderemos esperar novos investimentos. Esse choque vai fazer o investidor estrangeiro pensar no Brasil e o empresário brasileiro voltar a investir”, indicou a economista. E salientou: “Se for a Dilma quem for eleita, ela vai ter que se convencer de que é bom retomar o que o Lula fazia”.


















