Economista Paulo Rabello de Castro leva otimismo aos clientes da Zurich

IMG_0164A 5a Zurich Corporate Conference 2014 acontece a poucos dias da eleição presidencial. Um momento de grande expectativa, pois as pesquisas revelam praticamente um empate técnico entre os dois candidatos, a atual presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador do PSDB Aécio Neves. “Qualquer um deles que ganhe vai ter muito trabalho”, diz Paulo Rabello de Castro, em sua palestra “Cenário Macro Econômico, Social e Político no Brasil, proferida nesta manhã no Guarujá (SP).

“O governo tem de gastar o que pode e não o que quer. Isso é que tem de ser discutido pelos candidatos. O que não aconteceu. Não está no programa dos candidatos quanto eles projetam para o crescimento do Brasil. E isso é preocupante, pois mostra que os candidatos não têm planejamento para amparar o crescimento da economia. Porém, nem tudo está perdido. Estamos diante de um drama político e nem tanto econômico”, afirmou aos 140 executivos presentes.

O economista, que acaba de lançar o livro “O Mito do Governo Grátis”, no qual defende que o baixo crescimento da economia é fruto de um governo que promete vantagens para todos, aparentemente sem custo para ninguém, defende reformas para amparar o desenvolvimento econômico e social. “Governo grátis? Não. Isso não existe. É muito custoso. São mais de 60 milhões de contra cheques, considerando benefícios como bolsa família e pensionistas do INSS, entre os principais. “Isso faz com que todos queiram ficar na fila para receber algum benefício para tentar tomar de volta parte do imposto já pagou”.

Ele acrescenta que todo esse assistencialismo não deveria ser motivo de orgulho e sim um problema a ser resolvido, algo não comentado nos programas de governo dos candidatos. De acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria do economista, 77% dos brasileiros preferem mais infraestrutura do que assistencialismo, acham que os governos gastam mal o dinheiro que arrecadam, 74% afirmam que os impostos pesam mais no bolso do que há três anos e, finalmente, os brasileiros se sentem muito mal representados pelos políticos.

No cenário apresentado por Rabello, se Dilma ganhar vai acenar com melhoras nos fundamentos para reverter o sentimento negativo do mercado, que tem ditado a queda da bolsa de valores nas últimas semanas com o crescimento da presidente nas intenções de voto. Já Aécio, se ganhar, pode trazer um sentimento ainda mais positivo do que o detectado na bolsa quando ele fica na liderança dos votos. No entanto, quem deverá decidir essa corrida são os eleitores sem opinião, que representam mais de 20% do público votante.

Para ele, o ponto nefrálgico é aumentar a taxa de investimento. Deixar mais dinheiro na mão do empresário para que ele faça o seu próprio investimento. “É preciso lançar um novo governo, com simplificação fiscal, contenção do gasto corrente e capitalização popular, com revolução no mercado de capitais, “pois nós somos os credores da União. Achamos que o governo do futuro vai pagar nossa aposentadoria. Isso é genial, mas não é original. Por que não partimos para o que já dá certo em outros países como o que já há nos EUA, como o 401K. Estamos perdendo nosso tempo de não fazermos isso aqui”, diz o consultor da Zurich para cenários macroeconômicos.

Uma das sugestões do economista para a simplificação fiscal é empacotar os impostos em cinco pacotes: Fundo do trabalhador (financia a nova previdência), ICMS nacional (financia a união, estado e municípios) IR, financia a previdência atual, Impostos locais (financia estados e municípios), e regulatórios ( que financiam a União). “Isso, por si, já daria ao Brasil até dois pontos percentuais no crescimento do PIB”, afirma.

O crescimento projetado para o Brasil em 2015 é pífio, considerando-se os diversos estudos já divulgados, tanto localmente como internacionalmente. O novo gestor do Brasil terá de lidar com um cenário internacional difícil e que influencia a economia brasileira. “A configuração comercial do Brasil, com grande participação das commodities, nos distancia das cadeias globais. Entretanto, a retomada das cadeias globais, revalorização da indústria, dos serviços de infraestrutura, vai se tornar crucial em 2015 pelo grande ciclo da safra agrícola”, comenta.

Apesar dos esforços internos para melhorar, 2015 é um ano projetado como complicado. A economia alemã que poderia dar uma contribuição maior sofre pois o governo e as empresas não conseguem convencer os alemães a gastarem, o que seria importante para alavancar a economia periférica da Europa. A China guarda a sete chaves o que está acontecendo. “O mercado teme uma bolha do setor imobiliário, com aumento do estoque de crédito em mais de US$ 1 trilhão no pós bolha”. Nos EUA, queda dos juros, um sinal de fraqueza de demanda. Se ela está fraca, tem de correr atrás do cliente com mais dificuldade.

Já as economias emergentes apresentam declínio de 5% para 4%, com o Brasil não saindo fora, com 0,4% em 2014 e 1,3% para 2015. “Esse percentual pode ser otimista diante das bobagens que o PT possa vir a fazer, aumentando o sentimento de negatividade do mercado, ou pessimista, diante da euforia do mercado com Aécio”. Porém, o mais provável é de que qualquer um deles que vença no domingo fará o possível para recuperar a economia brasileira, finaliza.

Uma pesquisa feita pela organização do evento com a plateia mostrou que 53% dos executivos se sentiram mais otimistas em relação a retomada da economia brasileira para 2015 após a palestra de Rabello. No início da apresentação, a pergunta foi: Considerando-se a eleição de Aécio Neves na Previdência, sua empresa revisará o plano de investimento? A maioria afirmou que sim.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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