O mercado segurador, incluindo seguros gerais, capitalização, vida e previdência bem como saúde suplementar, deverá crescer 11% em 2014. Em 2013, o setor registrou receita de vendas próxima de R$ 300 bilhões. A previsão é de Marco Antonio Rossi, presidente da Cnseg. O executivo, que preside a Bradesco Seguros, justifica o crescimento de dois dígitos do setor — mesmo diante da queda de expectativa do PIB brasileiro de 3,5% no início do ano para uma previsão de 0,5% nas últimas pesquisas realizadas com profissionais do mercado financeiro — pela baixa penetração de seguros na sociedade brasileira e consequente aumento das vendas pelo varejo, pela recuperação do ritmo de arrecadação nos planos de previdência aberta e pela indústria já ter absorvido os impactos das novas regulamentações implementadas no início do ano. Apesar de manter os dois dígitos, o percentual é inferior aos 15,6% estimados para 2014 no início do ano.
As reservas do setor superaram R$ 500 bilhões no primeiro semestre deste ano, avanço de 13,9% em comparação ao mesmo período anterior, informa Rossi. O setor arrecadou R$ 89 bilhões no primeiro semestre deste ano, alta de 5%, sem considerar saúde suplementar. “A penetração destes produtos ainda é muito baixa nas classes C e D, por exemplo”, apontou o presidente da Cnseg. “São consumidores em potencial, que podem alavancar a expansão do setor”. De acordo com os números da entidade, atualmente no País existem 140 milhões de pessoas sem seguro de vida ou plano de saúde, 35 milhões de carros sem seguros, 170 milhões de pessoas sem seguro dental, 50 milhões de residências sem seguro contra roubo ou incêndio e 3 milhões de empresas sem seguro empresarial. “Há dez anos estávamos na 21ª posição no ranking de prêmios gerais do setor. Atualmente estamos na 12ª e podemos avançar muito considerando que estamos entre as cinco maiores economias do mundo, afirmou.
A mudança no cenário das eleições para presidente da República, com o crescimento de Marina Silva diante de Dilma Rousseff nas últimas pesquisas divulgadas, não altera a estratégia da CNseg, que congrega as mais de 100 seguradoras do Brasil. “Todos os candidatos demonstram valorização do setor. Isso já é um ganho das iniciativas e investimentos que fizemos na comunicação com toda a sociedade. Já está claro para todos que a indústria de seguros gera poupança de longo prazo e oferece proteções importantes para riscos imprevistos e isso já passou a fazer parte na rotina da visão das pessoas que estão envolvidas em política no Pais”, afirma o presidente da Cnseg durante encontro com jornalistas, realizado hoje em São Paulo.
Qualquer que seja o novo presidente do País, Rossi afirma que a CNseg manterá seu papel de promover as posições do setor por meio de sólido conhecimento e do debate técnico; de estimular o desenvolvimento do mercado de seguros, a promoção dos interesses dos consumidores e implementar ações para ampliar o acesso da população ao produto seguro. Em transparência, Rossi destaca que a Confederação está investindo fortemente na divulgação e aprimoramento da imagem do setor por meio da manutenção e ampliação dos canais de diálogo com os públicos prioritários, como governo, judiciário e imprensa. O terceiro setor também está nas prioridades da CNseg, com o incentivo as boas práticas entre todas as associadas.
Educação financeira – Para que esse crescimento seja sustentável, as seguradoras têm um papel primordial na educação financeira para que a venda de seguros no varejo possa atingir seu potencial, afirma Luciene Magalhães, sócia da KPMG especializada em seguros. “Apesar de ter ganho relevância no PIB, a participação de seguros ainda é pouco representativa comparado a economias mais maduras”, destaca ela em sua palestra no encontro com jornalistas promovido pela CNseg sobre “Vendas de Seguros no Varejo”.
Entre as principais redes de varejo no foco das companhias de seguros estão supermercados, lojas de departamento, materiais de construção entre outros. Os principais produtos comercializados são o de garantia estendida e de proteção financeira. Entretanto, diz ela, os produtos estão em redes ligadas a eletroeletrônico e móveis, cujo faturamento supera R$ 120 bilhões. Ou seja, há um grande potencial para aumentar o mix de produtos nessas redes e implementar o processo de vendas em redes pequenas e médias de todo o Brasil. Segundo dados da KPMG, o maior número de redes de varejo está nas regiões Sudeste e Sul, responsáveis por cerca de 80% das vendas.
Bento Zanzini, representante da CNseg e vice-presidente da BB e Mapfre, comenta que 2013 e 2014 foram anos de grandes discussões sobre como aprimorar a venda de seguro no varejo. A Susep publicou basicamente cinco medidas, sendo quatro resoluções (294, 295, 296 e 297), e a circular 480, que define como deve a comercialização do seguro pelas redes varejistas. Em abril de 2014 veio uma nova resolução para deixar claro o conceito de organização varejista. “Praticamente todo tipo de organização está dentro deste normativo”, diz, inclusive concessionárias de veículos.
Desta forma, as redes varejistas passam a ser enquadradas como representantes de seguros, assumindo as responsabilidades com a seguradora nos contratos de seguros. O seguro de garantia estendida, principal alvo das normas, só pode ser vendido por meio de apólice individual ou de bilhete de seguro, ficando vedada a contratação por meio de apólice coletiva. É obrigatório que a venda seja feita por um profissional treinado e a rede tem de fornecer informações claras aos consumidores, inclusive com fixação de cartazes nos locais de venda. Ficou proibida a venda ou o desconto de bens à contratação de seguros, conhecido como venda casada, e o consumidor tem o direito de arrependimento, sendo permitida a desistência da contratação em até sete dias corridos.
Vários tipos de seguros foram citados pelos normativos, como seguro para animais, microsseguros de pessoas, de danos e de previdência, como também funeral, viagem entre outros. “A abrangência é muito positiva por permitir que as companhias possam traçar suas estratégias de negócios na ampliação deste importante canal de distribuição”, afirma. Em uma amostra, 49% comercializavam seguros e 51%, com quase 200 estabelecimentos ouvidos na pesquisa, sendo os supermercados com 41% da amostra, 23% das lojas de departamento, 23% redes de material de construção.
A pesquisa permitirá o desenho de produtos mais adequados a este canal de vendas, afirma Bento Zanzini. Entre os produtos mais comercializados estão acidentes pessoais com diárias de internação hospitalar com indenizações de até R$ 10 mil, com custo anual de R$ 72. Já o seguro de proteção financeira, que cobre o saldo devedor limitado a R$ 1 mil, bem como a perda de renda por desemprego ou incapacidade, tem custo anual de R$ 50. O terceiro produto citado pelo representante da CNseg é de acidentes pessoais com assistência odontológica e com sorteio, como cobertura para morte acidental em até R$ 20 mil, com custo anual de R$ 140. “Ou seja, seguros com preços entre R$ 6 e R$ 8 por mês cabem no bolso das famílias”, destaca. Por isso, é preciso encontrar um canal de conveniência, pois para o corretor de seguros a receita é bem inferior do que outros programas de seguros, como automóvel, residência, saúde, vida, previdência entre outros. “Isso sem deixar o corretor apartado disso, pois todas as operações sempre tem um corretor que funciona como intermediário. Mas é um canal para corretores especializados na venda de varejo”, explica.
Susep – Regina Simões, responsável pela coordenação geral de produtos da autarquia responsável pela fiscalização e regulação do mercado segurador, avisa que muito já se avançou mais ainda há novas normas para serem editadas, como pequenos detalhes, como o segmento de pneus e rodas. Também são avaliados pela Susep argumentos do mercado, como a oferta de seguro pelo caixa do estabelecimento. A nova norma estabelece uma exceção a essa regra, quando houver um treinamento adequado do profissional. “Nossa função é zelar pelo equilíbrio do mercado e proteção do consumidor”, ressalta. Segundo ela, as normas foram elaboradas com todas as partes envolvidas e de desenvolveu num processo longo. “As discussões geraram muitos aprendizados para todos. Tudo começou com o seguro garantia, mas percebemos que o foco era o canal de distribuição de varejo e que o varejo é um grande instrumento de inclusão financeira e que merecia um cunho de educação financeira mais adequado”.
Segundo Regina, a inclusão na norma da possibilidade do consumidor poder se arrepender em sete dias úteis e ter o dinheiro pago pelo seguro garantia de volta é um dos grandes aliados para inibir a venda casada. Outra ressalva da técnica da Susep é quanto a evolução do próprio consumidor. “A partir do momento em que é obrigatório que a varejista e seguradora entreguem ao consumidor uma série de documentos e também é obrigatório a assinatura dele no bilhete de seguro, consequentemente a educação financeira do consumidor é lapidada” .”Esperamos que o conjunto de normas editadas auxiliem no equilíbrio do mercado e, principalmente, na formação de um consumidor mais informado e consciente”, diz. Segundo ela, há uma grande vontade de todos as partes de acertar na regulamentação.


















