Especial Valor Econômico – Mercado procura diversificar clientes e ramos de atuação

foto-2Por Denise Bueno | Para o Valor, de São Paulo

A economia brasileira reduziu o ritmo de crescimento, mas o setor de seguros continua aquecido. O crescimento em 2013 manteve os dois dígitos da última década. Segundo projeções da Confederação Nacional das Seguradoras, a CNseg, o faturamento estimado para o ano passado é de R$ 290,6 bilhões, 14% acima do registrado em 2012. Os números oficiais devem ser divulgados neste mês pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

A contabilidade do setor inclui as vendas de seguros, previdência, capitalização e saúde. O volume chega a representar 6% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual é menor do que os 17% projetados no início de 2013, revisados em função da previdência privada, que sofreu com a volatilidade dos mercados financeiros durante o ano, afetando o volume de captação de recursos, explica Marco Antonio Rossi, presidente da CNseg e também da Bradesco Seguros. Para 2014, a meta de crescimento se mantém em dois dígitos.

As seguradoras buscam conquistar os brasileiros que ainda não consomem produtos e serviços de seguros. E são muitos os produtos e muitas pessoas para conquistar, afirma Eugênio Velasques, diretor da Bradesco Seguros. “Temos um crescimento orgânico potencial e isso nos faz investir tempo e dinheiro para conquistar clientes que temos dentro de casa”, diz ele. Em maio deste ano, o grupo finalizou uma grande reestruturação, tendo apenas uma diretoria de vendas e uma diretoria de oferta comercial.

“Agora temos apenas ajustes pontuais nessa estrutura, que tem como meta elevar a penetração de seguros na nossa base de clientes”, diz. Segundo estudo da seguradora, cerca de 24% dos clientes têm algum produto do grupo. Porém, há segmentos com grande potencial, como automóvel, no qual se observou que apenas 2% dos clientes têm o seguro. Em ramos elementares, que reúne produtos como residência, seguros patrimoniais para empresas e condomínios, apenas 3,9% dos clientes potenciais já compraram um produto. Capitalização tem índice de penetração de 8,9%, vida de 21,7% (em boa parte prestamista), previdência de 4,1%, saúde 3,6% e dental 2,4%.

O panorama da maior seguradora da América Latina espelha a realidade do mercado segurador brasileiro. Praticamente todas as companhias realinharam suas estratégias e partem agora para a conquista de clientes por meio da segmentação por clientes e por regiões. A BB Seguridade, destaca Ângela Assis, diretora comercial, está alinhada para atuar em todos os ramos, em todas as regiões do Brasil e com todas as classes sociais. Em 2013, a seguradora realizou o maior IPO do mundo por ter ainda muito a explorar na operação bancassurance. “A venda de seguro no canal bancário é um dos pontos de maior valorização das ações da companhia”, afirma ela.

As estrangeiras Liberty, Tokio Marine, Allianz, RSA, Generali, Chubb, Berkley, ACE e AIG também apostam suas fichas na segmentação, tanto por nichos de clientes, como seguros de luxo, proteção para pequenas e médias empresas – com a oferta de produtos sob medida para médicos, hotéis, supermercados, petshop, consultórios, clínicas de estéticas entre outros -, bem como em produtos diferenciados, como seguro sequestro, seguro ambiental, seguro para animais, seguro viagem e seguros financeiros.

Para Alfredo Lalia Neto, CEO da HSBC Seguros, é preciso melhorar a comunicação com os diferentes tipos de clientes e criar produtos pensando no cliente. “Complicamos o clausulado porque o nosso jurídico pensa no Supremo Tribunal Federal e não nos clientes, que raramente entendem a complexidade dos contratos”.

Já Roberto Westenberger assume o comando da Superintendência de Seguros Privados (Susep) com a meta de dobrar a participação do setor no PIB. “Ainda não temos um plano piloto pronto, mas tenho esse sonho: equilibrar os interesses dos principais players do mercado, pois sem seguradora não há competição e sem consumidor não há mercado. E o corretor é o elo entre essas duas pontas”.

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http://www.valor.com.br/financas/3570416/mercado-procura-diversificar-clientes-e-ramos-de-atuacao#ixzz33Uv9veVb

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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