O emaranhado universo das escolhas de compras dos consumidores em relação ao tempo (trocas intertemporais) foi o tema abordado pelo economista Eduardo Gianetti no primeiro painel da 4ª Conferência de Proteção do Consumidor de Seguros. Sem fazer juízo de valor, ele buscou ampliar o entendimento das motivações dos consumidores entre assumir, diante da vida, uma postura credora (pagar agora para ter o benefício no futuro) ou devedora (antecipar o consumo consciente do ônus a pagar depois). Para ele, às vezes, faz sentido ter uma posição credora em algumas situações, ao passo que em outras vale uma postura devedora. O perigo são os extremos.
Fazendo um paralelo com a realidade brasileira, ele lembrou que o País é hoje um dos maiores mercados de energéticos, pet care, confeito, ao passo que é o 17º no ranking mundial do mercado de seguros. O especialista citou uma pesquisa realizada com crianças, mostrando que a decisão da compra imediata ou postergada tem alguma vinculação com o ambiente familiar e pode mudar de acordo com o tempo. Nas crianças mais jovens e com famílias desestruturadas, a preferência pela compra imediata é preponderante; ao passo que naquelas que mais estruturadas, as crianças podem aceitar adiar a compra, em troca de recompensas futuras.
O experimento envolveu a oferta de um ou dois chocolates. As crianças de quatro a 12 anos eram colocadas perante uma barra de chocolate e precisavam suportar o desejo de devorá-la. Aquelas que suportassem a espera por 20 minutos levavam duas barras, as que não, apenas uma. Na pesquisa, a criança mais impaciente tocava um sino para marcar sua desistência. Acompanhadas durante anos, a pesquisa comprovou que aquelas crianças que tomavam a decisão de aguardar foram mais bem-sucedidas na vida, ao passo que as impacientes tinham mais desajustes. O painel, o Valor do amanhã, é baseado no livro homônimo do economista.



















