Valor Setorial LOGÍSTICA – Serviços ajudam a vender apólices

valor logisticaEntender para atender. Este é o slogan de Fernando Simões, presidente daJLS, um dos principais clientes das seguradoras no segmento de transporte e logística do Brasil. Este também é o tom dos executivos dedicados à elaboração de programas de prevenção de perdas e de seguros para embarcadores e transportadores que operam no Brasil.

Em 2013, a JSL investiu mais de R$ 19 milhões na compra de 36 apólices de seguro de diversas naturezas: seguro de vida, seguro de cargas, de responsabilidade civil, de responsabilidade pessoal contra terceiros. São mais de 48 mil equipamentos segurados contra terceiros. “Gerenciar riscos e contar com um bom programa de seguros são alguns dos diferenciais do grupo para manter e conquistar clientes”, diz o CEO do grupo.

A mesma estratégia levou a Marsh a fazer uma parceria com a Pamcary. Eduardo Marques, diretor-executivo da Marsh, e Darcio Cento, diretor de gerenciamento de risco da Pamcary, defendem que há uma complementaridade nos serviços de seguros e gerenciamento de risco e é prioritário juntar esforços para inovar. “Um cliente que leva dois meses para repor o produto na prateleira está condenado a perder mercado”, diz Marques. Segundo dados da Pamcary, no Brasil são registrados anualmente

cerca de 14,4 mil roubos de cargas e mais de 90 mil acidentes envolvendo caminhões de transporte de carga, acarretando cerca de 8,5 mil mortes por ano. Os acidentes geram prejuízos da ordem de RS 9 bilhões.

O seguro transporte registrou vendas de R$ 2,3 bilhões em 2013 – um crescimento de apenas 5%, conseqüência de novas regras e competição do mercado, que puxaram a receita para baixo. No caso do grupo BB e Mapfre, após o alinhamento das companhias no final de 2013, foi observado um incremento de 1 5% das vendas nos dois últimos meses, informa Carlos Eduardo Polízio, superintendente de seguros de transportes.

Neste segmento há dois produtos principais: responsabilidade civil do transportador de cargas e seguro da carga, tanto nacional quanto internacional. A concorrência ainda é feita em cima do preço, mas começam a ganhar foco os diferenciais oferecidos aos clientes, como a consultoria de gerenciamento de risco, serviços de pronto-atendimento a sinistros, incluindo a reparação dos locais afetados (com direito a danos ambientais causados por cargas perigosas), bem como soluções de tecnologias para extração das informações de embarques perante clientes.

Rodrigo Vieira, gerente de transporte da AIG, diz que, nas reuniões

Simões, da JSL: mais de R$19 milhões na compra de 36 apólices

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O desafio está em mitigar os riscos do segmento. “Trata-se de uma carteira extremamente dinâmica, que requer soluções rápidas das seguradoras e investimentos estratégicos das empresas”, explica o superintendente de transportes da Berkley, Sidney Cesare. Mais de 60% das cargas no Brasil são transportadas por rodovias. Além das péssimas condições das estradas, os bons motoristas fugiram do setor pela baixa remuneração dos fretes. O envelhecimento da frota de caminhões é estimado em 19,2 anos.

“O roubo é só um pedaço dos problemas e agora tende a baixar”, afirma Paulo Robson Alves, diretor de transportes da Zurich Seguros. Em janeiro último, o governo paulista sancionou uma lei para inibir a receptação das mercadorias. Lojas que tiverem produto proveniente de roubos de carga podem perder a Inscrição Estadual e o registro de ICMS. Com isso, o proprietário fica impedido de abrir outro comércio do mesmo setor por cinco anos.

Os números mostram que, em valor de sinistros, os acidentes superam os roubos. “Por mais que se previna o risco, há gargalos como o período de safra. O Brasil não tem frota de caminhões para atender à demanda e os clientes acabam contratando o primeiro que tiver disponibilidade, o que eleva o risco de ter um motorista sem treinamento e com pouca experiência no transporte do produto. Para ter lucro neste segmento é preciso ser especialista.”

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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