Resseguradoras devem encerrar 2013 com ganho menor

0085As resseguradoras devem apresentar lucro bem inferior em 2013 do que o registrado em 2012. Pelo menos é o que mostra a 10a. Edição do Terra Report, com dados consolidados do setor de resseguros brasileiro, até setembro de 2013. De acordo com o estudo da resseguradora local, que tem como acionista a Brasil Plural e o IFC, braço financeiro do Banco Mundial, nos três primeiros trimestres de 2013 as resseguradoras locais apresentaram lucro de R$ 29 milhões, revertendo o prejuízo apresentado no primeiro semestre, mas ainda distante do lucro de R$ 294 milhões registrado em igual período de 2012.

Internacionalmente, o ano de 2013 termina marcado por um baixo nível de sinistros catastróficos. Estimativas preliminares indicam perdas seguradas ao redor de US$ 40 bilhões, significativamente inferior a média anual de cerca de US$ 65 bilhões e longe dos picos de US$ 105 bilhões e US$ 101 bilhões presenciados, respectivamente, em 2005 e 2011. Neste ano nenhum furacão relevante atingiu a costa dos Estados Unidos. Parte significativa dos sinistros catastróficos foram decorrente de eventos considerados raros, como inundações na Europa Central e um tornado fora de época em Ohio, parte central dos EUA. “Resta saber o quanto o ano de 2013 pressionará as taxas de resseguro, em um mercado já considerado soft”, comenta Rodrigo Botti, diretor de riscos da resseguradora local Terra Brasis.

Entretanto, afirma o estudo, o setor enfrentou eventos naturais de grandes proporções em áreas de pouca cobertura da indústria de seguros. O super tufão Haykan desolou as Filipinas, com os ventos mais fortes jamais registrados de até 315 kph, tirando tragicamente a vida de pelo menos 6.000 pessoas e desabrigando cerda de 650.000. Menos noticiado, em 15 de fevereiro um asteroide explodiu na atmosfera sobre a Rússia com a energia estimada de 500,000 toneladas de dinamite, afetando mais de 1,000 pessoas ao redor da cidade de Chelyabinsk. Caso Haykan tivesse atingido a capital Manila ou se este meteoro tivesse atingido uma área metropolitana maior, o resultado de 2013 teria sido bem diferente.

“Os números do Mercado Brasileiro em 2013 até Setembro mostram uma ligeira melhora em relação a junho. Entretanto, tememos que esta melhora seja momentânea e os números do quarto trimestre de 2013 mostrem, uma vez mais, deterioração do mercado brasileiro”,comenta Botti. “Sabemos, dada nossa operação é também por informações de mercado, que uma série de sinistros de grandes proporções ocorreram no último trimestre de 2013. Com isso, não nos surpreenderia um aumento da sinistralidade do mercado e possivelmente uma piora no resultado do ano.

Segundo o estudo, o mercado local de resseguros já se firmou em termos de prêmio recebido e participação de mercado. “Acredito ser possível afirmar que o consenso entre seguradoras hoje é que a participação de resseguradoras locais adiciona valor a um painel e é uma salutar diversificação aos tradicionais mercados internacionais. A liquidação de eventuais sinistros de alto valor pode ser mais um teste a este novo mercado regional de resseguros que se consolida no Brasil.

Alguns destaques:

Nos doze meses findos em setembro de 2013, o volume do mercado brasileiro de resseguro (bruto de comissão) foi de R$ 7,5 bilhões contra R$ 6,46 bilhões do mesmo período do ano anterior, 16,1% de crescimento.

Neste período o volume de resseguro (bruto de comissão) emitido por resseguradoras locais foi de R$ 4,84 bilhões, frente aos R$ 4,22 bilhões registrados em igual período de 2012, 14,7% de crescimento.

Nos primeiros nove meses de 2013, o mercado local foi destino de 66% do volume de resseguro cedido pelo mercado brasileiro, contra 60% do mesmo período de 2012.

Em relação ao resseguro cedido nos primeiros nove meses de 2013, o IRB deteve uma participação de mercado de 36%, as outras resseguradoras locais 30% e as resseguradoras estrangeiras 34%.

No acumulado de doze meses findo em setembro de 2013, a sinistralidade do mercado ressegurador local ficou em 85%, frente a 90% dos doze meses findos em junho de 2013. O Combined Ratio ficou em 103%, uma vez que a diminuição da sinistralidade foi compensada por um custo maior de retrocessão.

O estudo completo pode ser acessado no portal da Terra Brasis.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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