Interessante artigo publicado pelo Brasil Econômico economista e diretor de Ensino Superior e Pesquisa da Escola Nacional de Seguros, Cláudio Contador. Vale a leitura!
A situação macroeconômica do Brasil é preocupante e certamente induz a indústria de seguros a rever estratégias e projeções de crescimento previstas no início de 2013. Crescer acima de 15% como se previa, tanto em vendas como em lucratividade, num cenário econômico que tem se deteriorado, é realmente desafiador. Até mesmo para um setor que ainda tem um grande potencial para crescer, como mostra a relação de participação no Produto Interno Bruto (PIB), ainda abaixo da média mundial de 8 %.
Considerando-se os segmentos de seguros gerais, vida e previdência, bem como títulos de capitalização, a indústria de seguros tem hoje uma participação de 3,4% do PIB brasileiro. Se acrescentarmos saúde suplementar a essa conta, o percentual salta para 5,7%, como tem divulgado a CNseg, a Confederação Nacional das Seguradoras. Além de o setor estar aquém da participação que pode alcançar no PIB, temos ainda outro indicador que revela o potencial desta indústria. O Brasil é o décimo quinto maior mercado de seguros do mundo e a sétima economia do planeta, sinalizando que ainda há muito espaço para vender produtos e equilibrar essa gangorra.
Apesar dos bons ventos para o setor, não está sendo um ano fácil. Crise na Europa e desaceleração no crescimento da China praticamente anulam os sinais de recuperação dos Estados Unidos. O Brasil sofre impactos da economia internacional, como baixo volume de investimento estrangeiro e valorização do dólar frente ao real. O governo está numa sinuca de bico. Temos uma projeção modesta do atual ritmo de crescimento do PIB para pouco mais de 2% em 2013, quiçá menos. Apesar do fraco crescimento projetado, espera-se que a taxa de desemprego continue baixa, mantendo o mercado de trabalho aquecido e aumento dos salários reais. Duas variáveis positivas para a economia.
Esse panorama, certamente, afeta vários segmentos da economia e, consequentemente, o de seguros. Corretoras, seguradoras e resseguradoras planejaram vender várias apólices de seguro garantia para proteger aportes em projetos milionários de infraestrutura e de expansão industrial, expectativa frustrada com a retração dos investidores diante da volatilidade.
Temos também a crise do império de Eike Batista, as dores do crescimento em explorar petróleo em águas profundas e uma parada técnica para repensar a tecnologia da energia eólica. Todos esses setores fizeram o Brasil ser considerado a bola da vez aos olhos dos estrangeiros, que agora passam a analisar também o seguro massificado como forma de buscar compensar o adiamento dos resultados esperados com grandes riscos.
Por outro lado, a recuperação da atividade econômica a partir do segundo semestre restaura a tranquilidade para que as seguradoras de benefícios e de bens patrimoniais possam atingir suas metas com a venda de apólices individuais. Isso acontece mesmo com o soluço no mercado de trabalho em junho, quando a redução na atividade econômica começou a afetar a criação de novos postos de trabalho, elevando a taxa de desemprego a 6%, depois de atingir o menor índice em dezembro de 2012, de 4,6%. Tudo isso passou e as perspectivas são mais róseas a partir do segundo semestre de 2013.
As manifestações populares ainda não afetaram o setor em termos de pedidos de indenizações. Pelo contrário. O que se tem visto é um aumento de pedido de cobertura para fazer frente ao risco eminente de perdas causadas por comoções populares. Outra notícia boa é que temos alguns setores fora da crise e que geram demanda por seguro, como construção civil e bens duráveis.
As seguradoras estão preparadas para enfrentar esse cenário, mas o índice de Confiança e Expectativas das Seguradoras (ICES), desenvolvido pelo economista Francisco Galiza, tem mostrado que a fase de desalento está atingindo o setor. Enfim, é um ano cheio de desafios e de novidades: taxas de juro mais baixas, compressão de margens e forte concorrência. Este final de 2013 é ainda uma fase de transição, o que faz com que todos olhem para dentro com o objetivo de descobrir o que ainda falta ser aperfeiçoado para ganhar produtividade e crescer em 2014. Afinal, é provável que a economia logo se restabeleça e sairá na frente quem estiver pronto para esse momento.
Uma certeza? Não dá para fazer mais do mesmo. É preciso inovar.

















