Liberty Seguros amplia atuação no mercado de obras de arte

LybertySeguros_LucianoCalheiros_DiretorSegurosCorporativosDe olho no crescimento do mercado de obras de artes no Brasil, a Liberty Seguros amplia a sua atuação neste setor, que registrou cerca de R$ 7 milhões em vendas de seguros. Um número ainda pequeno comparado aos US$ 450 milhões no mundo. “A concorrência no mercado brasileiro cresce constantemente com a entrada de novos players. Mas é um mercado para especialistas e nós contamos com a experiência do Liberty Syndicates, um dos maiores sindicatos do Lloyd`s of London”, ressalta Luciano Calheiros, diretor de seguros corporativos da Liberty Seguros.

Há quatro anos a seguradora atua neste setor, ofertando o seguro apenas para exposições, o que lhe rendeu cerca de R$ 2 milhões em vendas. O novo produto Liberty Fine Arts agora atende as necessidades de proteção para obras de artes de colecionadores, galerias, expositores e museus, de grande, médio e pequeno porte. O produto está enquadrado na modalidade “all risks”, ou seja, todo e qualquer evento está coberto, à exceção daqueles que são citados expressamente como excluídos.

Geralmente esse seguro tem algumas exigências as serem cumpridas para garantir a segurança da obra e não conta com franquia. “Dependendo da característica da obra, exposição e sistemas de proteção existentes, pode ser aplicado alguma franquia”, explica Fernando Paes, responsável pelo Liberty Syndicate no Brasil. Dois executivos já foram treinados em Londres e estão prontos para fazer a subscrição do risco no Brasil. Também já está no forno a inclusão da cobertura de obras de artes no seguro residencial. “Estamos preparando o produto para lançá-lo no médio prazo”, acrescentou Calheiros.

Hoje a Liberty segura, no Brasil, aproximadamente 2 mil obras de arte. Entre as obras mais importantes que foram seguradas pela seguradora podemos citar Abaporu, da pintora Brasileira Tarsila do Amaral; Medusa, do pintor Italiano Michelangelo Merisi Caravaggio; estudos da obra “Guerra e Paz”, do artista plástico Candido Torquato Portinari.

tarsilaSegundo Calheiros, a expansão das galerias, o aumento de negócios e um número cada vez maior de exposições internacionais e nacionais mostram a ascensão do mercado de artes no Brasil. Estudo divulgado pela Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact), realizado no primeiro trimestre deste ano com 44 galerias que promovem, representam e constroem carreiras de artistas nacionais, 81% das galerias registraram aumento médio de 22,5% no volume de negócios em 2012. Além disso, o volume de exportações das pesquisadas passou de US$ 18 milhões em 2011 para US$ 27 milhões no ano seguinte. Foram 6.700 obras vendidas, com um reajuste de preços na ordem de 15%. Ainda assim, são os colecionadores privados e os negócios no Brasil que mais fomentam o setor: 85% dos negócios realizados em 2012.

Esses números atraem cada vez mais seguradoras. No Brasil, que há dez anos praticamente inexistia seguro de arte, hoje conta com Ace, Allianz, Generalli, Argo e SulAmérica. Para ir além das concorrentes, a Liberty dispõe de uma capacidade local de R$ 12 milhões, podendo chegar, no total, até US$ 50 milhões em importância segurada com o apoio do sindicato do grupo Liberty Mutual. “As vendas de seguro para obras de artes movimentam cerca de US$ 450 milhões mundialmente”, conta Michael Burle, subscritor do segmento War & Terrorism, Specie & Fine Art no Liberty Syndicates, um dos mais importantes entre os mais de 300 sindicatos que compõem o Llody’s of London, responsável pela subscrição de aproximadamente US$ 150 milhões.

michael libertySegundo Burle, o mercado de arte no mundo mantém o ritmo de crescimento, apesar da crise financeira. “As pequenas e médias galerias sentem a queda nas vendas, mas os colecionadores não enxergam as obras apenas como investimento e sim como hobby”, diz. EUA, Europa e no Extremo Oriente estão entre os principais mercado das seguradoras que atuam com obra de arte. Quanto aos valores médios de coberturas das apólices de seguro de arte, Mike afirma não ter uma estimativa media de valores. “Podemos assegurar diversas obras, com valores que podem variar de R$ 2 mil a R$ 50 milhões, em caso de obras de grandes artistas”.

Para calcular o preço do seguro de obra de arte, o perfil do cliente é o item mais determinante. “Se é colecionador, expositor, galerias ou museus. Cada um deles representa um tipo de risco e por isso tem um peso na formação do preço”, explica o subscritor do Lloyd`s. O tipo de obra (pinturas, esculturas, louças, gravuras, documentos, entre outros) e também se a peça é frágil ou não frágil. Avalia-se também, por exemplo, a análise de sistemas de proteções existentes nos locais onde as obras estão, ou onde serão expostas, bem como o meio de transporte e o percurso até o local. Segundo Coutinho, há uma carência de dados sobre pagamento de indenizações deste nicho no mercado brasileiro. “Na carteira da Liberty o índice é bem baixo. A sinistralidade da carteira não supera 5%”, informou.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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