Escritório da ONU no Rio busca conectar parceiros para viabilizar soluções que reduzam riscos catastróficos

“Os benefícios da redução de riscos são os desastres que nunca aconteceram. Por isso, convencer as pessoas para investir em prevenção é uma missão muito difícil”. A frase foi dita por David Stevens, assessor de Programa Senior de Excelência para a Redução do Risco de Desastre (UNISD, na sigla em inglês), em sua palestra “Impacto Social das inundações e o papel do gerenciamento de riscos”, proferida no seminário “Riscos de Inundação no Brasil: Impactos no Mercado Segurador, Governo e Sociedade”, promovido pela Swiss Re, com apoio da CNseg, em São Paulo.

Stevens trabalha há 15 anos na Organização das Nações Unidas (ONU) e há seis meses dirige o escritório da UNISDR no Rio de Janeiro. “Logo que cheguei, percebi que tinha muitos desafios pela frente, principalmente para o entrosamento dos governos federal, estaduais e municipais na conscientização do gerenciamento dos riscos para evitar desastres como vimos na região serrana do Rio de Janeiro em 2011, com mais de 1 mil mortos”. No entanto, trata-se de uma missão que requer um grande esforço diariamente, pois as pessoas no Brasil ainda pensam pouco em prevenção e acreditam que coisas ruins só acontecem com os outros.

O palestrante reconhece que o Brasil já avançou muito, principalmente em termos econômicos. “Porém, apesar de termos um novo Brasil construído na última década, temos várias realidades neste país. A recente divulgação do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) mostrou que temos municípios com o mesmo IDHM da Holanda, na Europa, e outros com o mesmo da Oganda, na África”.

Ele também citou a tragédia no Sul do Brasil, com a morte de mais de 250 pessoas no incêndio da Boate Kiss. “Se alguém que tivesse entrado lá tivesse conscientizado outros sobre os riscos que o local apresentava, essa tragédia teria sido evitada”, comentou, enfatizando que todos são responsáveis por gerenciar e mitigar riscos.

A própria ONU foi palco de uma grande tragédia também, na qual morreram vários brasileiros, em 2010, no Haiti. “A organização foi avisada de que o prédio não resistiria a um terremoto e ninguém deu importância”, disse. Foi nesse evento que morreu o brasileiro Luiz Carlos da Costa, o segundo na linha de comando da ONU no Haiti, e reconhecido mundialmente pela sua atuação.

A missão de Stevens é conectar e convencer a sociedade a contribuir com a construção de comunidades resilientes a desastres graves. “Nossa meta é promover uma maior sensibilização sobre a importância de se incluir a redução de riscos no dia a dia, conectando governos, empresas e indivíduos. Há países que perderam o equivalente a 100% do PIB em consequência de furacões”, afirmou.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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