Número crescente de grandes perdas desafia a indústria de energia

Não é novidade, pois já saiu no Brasil Econômico há dez dias. Mas vale o registro. O assunto é interessante e mostra indenizações de US$ 1,2 bilhão entre 2001 e 2011, com pagamentos atribuídos a falhas em turbinas, transformadores e geradores isolados. Ou seja, o setor elétrico pode pagar mais caro na renovação do seguro por conta disso. Por outro lado, a concorrência está tão acirrada que dificulta ajustes técnicos de preço. Vamos ver como o mercado se comporta.

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A indústria global de power & utilities (geração, transmissão e distribuição) continua a ver um aumento constante no número de grandes sinistros desde 2005, colocando pressão tanto sobre a oferta global de energia em um momento de crescente demanda, quanto sobre o futuro da própria indústria, segundo relatório da Marsh intitulado “The Impact of Large Losses in the Global Power Industry”. O relatório, que se baseia em sinistros para contas operacionais de Power & Utilities gerenciadas pela Bowring Marsh, corretora internacional da Marsh especializada em desenhar, estruturar e colocar resseguros facultativos para uso exclusivo dos clientes da Marsh, revela que, desde 2005, as seguradoras têm se envolvido na resolução de pelo menos um grande sinistro de Power por ano em mais de US$ 25 milhões. Desde 2005, o número de grandes perdas continua com sete perdas da magnitude acima registradas em 2010 – somente o 1º semestre deste ano já foi responsável pelo maior número anual deste tipo de sinistro. Além de um aumento em grandes incidentes, as empresas de energia também enfrentam outros desafios: uma força de trabalho envelhecida, equipamentos deteriorados, uma demanda crescente por eletricidade – em especial pelas economias emergentes, regulamentações ambientais e a ascensão da energia renovável.

Segundo Philippe Du Four, presidente global da prática de Power & Utilities da Marsh, as seguradoras estão reconsiderando suas posições em relação a preços e condições para a indústria global de Power após pesadas perdas sofridas e que decorreram de quebra de maquinário, incêndios e explosões, catástrofes naturais e lucros cessantes. Melhorar as técnicas de gerenciamento de riscos de maneira a reduzirem sinistros e custos freqüentes deve tornar-se um imperativo de negócio para as empresas de Energia. Além disso, de acordo com o relatório da Marsh, as empresas de Energia sofreram perdas consideráveis ​​na última década devido à maior frequência e severidade das catástrofes naturais que atingiram o mundo, questões de infraestrutura relacionadas aos mercados em desenvolvimento e aumento no valor de seus equipamentos. De 2001 a 2011, sinistros totalizando US$ 1,2 bilhão foram atribuídos a falhas em turbinas, transformadores e geradores isolados.

“Se grandes sinistros continuarem a deteriorar a indústria de Power com a mesma frequência que se tem observado ao longo da última década, o apetite das seguradoras para subscrever negócios de Energia provavelmente mudará. Muitos já estão adotando uma abordagem muito mais rigorosa para precificar estes riscos. Isto também poderá levar a uma redução da capacidade do seguro e concorrência no mercado e, por fim, a um aumento nos prêmios”, afirma o executivo da Marsh.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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